A ousadia e o romantismo dos relacionamentos humanos entre quatro paredes, agora também faz parte dos encontros entre os caninosLuz especial, quarto temático, espelho no teto, aparelho de TV com cristal líquido, ar-condicionado, colchão macio e fragrâncias afrodisíacas para completar o clima de romance. Tudo perfeito para o momento de intimidade. O cenário descrito é sim de um quarto de motel, mas o público não são os humanos e sim os cães. O motel para cachorros é mais um serviço do mercado pet e pretende esquentar o relacionamento a quatro paredes. Ou melhor, a quatro patas. O Pet Love Motel, que funciona há um ano em um pet shop de São Paulo e ganha cada vez mais adeptos, começou quando um grupo de empresários do ramo percebeu que alguns donos de cães tinham dificuldades de arrumar o companheiro ideal para o melhor amigo. “Nossos clientes falavam que não queriam que seus cães se relacionassem com animais desconhecidos. Como alguns pediam opinião, decidimos montar uma agência de encontros com um lugar especial. O motel ajuda o dono do animal a escolher o par para fazer o cruzamento quando a fêmea entra no cio. É um serviço diferente e por isso apostamos no crescimento”, comenta Alexandre Alonso, um dos proprietários do pet shop Gang do Bichos, que oferece o Pet Love Motel. A elaboração do projeto também contou com a ajuda de consultores, veterinários e decoradores.
Como em todo relacionamento de respeito o casal precisa primeiro se conhecer e muitas vezes o pretendente tem de passar pela aprovação da família, com os cães não é diferente. Todo “affair” entre os bichinhos começa com um cadastro numa espécie de comunidade virtual do próprio pet shop, onde os donos (que muitas vezes assumem papéis de pais) podem encontrar outros pais interessados em arrumar um parceiro para o seu cãozinho. Depois de conhecerem uns aos outros e formalizarem a relação, os donos levam os cães até o local do encontro. Ao chegar no quarto do motel, eles podem permanecer por um período com os animais, depois deixar que o novo casal se conheça melhor e assim não correr o risco de meter o ‘focinho’ onde não é chamado. Devidamente apresentados e familiarizados (donos e animais), os futuros parceiros seguem para uma próxima etapa, os exames clínicos. “Antes do cruzamento, nós fazemos uma avaliação ectoscópica (verificação de raça) e exames físicos. Se for constatado algum problema, orientamos os donos a adiar o cruzamento”, explica a veterinária do Gang dos Bichos, Ângela Ramos Silvestrini. Em geral, segundo a veterinária, o cruzamento não acontece no quarto e sim na casa dos proprietários do macho. O ambiente, de acordo com a especialista, favorece o cruzamento, uma vez que o macho se sente ‘seguro’ em relação à fêmea. “O motel é procurado mais pelos donos dos animais que se preocupam com o cão. Não temos um perfil específico dos clientes que nos procuram. Mas geralmente são casais que não têm filhos e pessoas que não ‘conseguem’ um ‘par perfeito’ para seus cães”, completa a veterinária.
Além de servir como ponto de encontro, o quarto também pode ser alugado para promover festinhas de aniversário do totó. Sempre com muito respeito, claro! Tão semelhantes quanto as opções para o homem, o preço também não foge à regra. A hospedagem pode chegar a R$ 100 por duas horas. Tudo para garantir a satisfação dos “usuários”, dos donos e fazer valer o ditado que diz que o cão é o melhor amigo do homem, mesmo que o amigo em questão não entenda nada de prazeres humanos. “Os animais em geral não precisam de estímulos para cruzar, são instintivos. Não são iguais aos seres humanos que se sentem atraídos e estimulados por criarem climas e situações. Animais só cruzam quando a fêmea está no cio e isso independe de ambiente. Ao levá-lo no motel, o dono não vai fazer nenhum favor ao animal”, argumenta a especialista em comportamento de cães e treinadora Cláudia Pizzolatto. Para ela, apesar de diferente, o motel para cachorros é mais um item na lista do mercado pet, mas que só tende a agradar os próprios donos. Formada em Ciência Comportamental de Animais, no Estado de Minnessota (EUA) - há 10 anos - a carioca é uma espécie de terapeuta para cachorros. Apesar de diferente, o motel para cachorro ainda não chegou em Rio Preto. Por enquanto, os lulus rio-pretenses vão ter de continuar se proliferando sem um cenário ‘especial’. Cachorrada hein!
Calminha totó!Levar uma “vida de cachorro” não é mais sinônimo de sofrimento. Pelo menos não para os cães. Isso porque a cada dia eles ganham mais mordomias e conforto. Além de uma infinidade de modelos em roupas, assessórios e brinquedos, os cuidados vão desde o tradicional banho e tosa, higiene bucal e patacuri (manicure para cães) à homeopatia, acupuntura, massagem, banho de ofurô, florais de Bach e fisioterapia (com direito a esteira, piscina e outras atividades). Essa última, em alguns casos, substitui uma intervenção cirúrgica e proporciona resultados mais rápidos na reabilitação. Junto com os tratamentos, os profissionais também ganham cada vez mais espaço. Se antigamente adestradores e veterinários eram os únicos a dar aquela atenção especial para os queridos bichinhos, hoje os cuidados incluem psicólogos, acupunturistas, fisioterapeutas e homeopatas. Tudo para garantir a beleza e tranqüilidade emocional do cãozinho. Os tratamentos que ajudam a acalmar os ânimos caninos, entre eles o banho de ofurô, já podem ser encontrados em pet shops de Rio Preto. As terapias são indicadas a todos os bichinhos, e ajudam em problemas como incontinência urinária, indisciplina, latidos excessivos, agressividade, possessividade e mania de destruição.
De acordo com Cláudia Pizzolatto, as doenças psicológicas ou que alteram o comportamento dos cães são cada vez mais comuns e podem ser desencadeadas com influência da família a qual pertence, principalmente se os cães ficarem muito tempo sozinhos. Doenças como estresse, ataque de ansiedade, compulsividade, violência e hiperatividade são cada vez mais comuns. “Assim como todo humano os cães também têm sentimentos. Eles ficam tristes, alegres, irritados e em alguns casos são agressivos e até depressivos. Essa alteração de comportamento pode ser percebida pela própria família porque os cães começam a se lamber demais, coçar, destruir coisas em casa, chorar e latir demasiadamente”, alerta a terapeuta canina. Mas o tratamento psicológico para eles está longe de passar pelo divã. “O terapeuta vai à casa do dono, observa o comportamento do animal e depois sugere mudanças no dia-a-dia da família para ajudar no tratamento. Criamos uma forma de comunicação entre a família e o cão com inserção de alguns brinquedos”, explica. A profissão de terapeuta de animais, ainda não é regulamentada no Brasil, é uma das que ganha cada vez mais espaço no leque de serviços para pets.
“Muitas pessoas querem que os cães tenham uma vida mais saudável. Querem o melhor para o animal. Isso as leva a procurar alternativas diferentes de tratamentos. Ou às vezes, elas não dispõem de muito tempo para ficar com o cão, pois trabalham a semana toda. Quando estão em casa, no final de semana, por exemplo, querem proporcionar atividades diferentes aos animais”, diz a adestradora e gerente de um pet shop em Rio Preto, Sônia Maria Anselmo, que mantém uma piscina exclusiva para cães em seu estabelecimento. A natação para cachorro ajuda na resistência do animal, além de servir como fisioterapia. As aulas são individuais e custam R$ 10 a hora. Mas para acompanhar o mercado de pet shop, Sônia já planeja colocar novos serviços como hotel e creche para cachorros. Mas para quem pretende tentar uma terapia entre dono e animal, uma dica é o livro Entenda Seu Cão (Ed. Globo). Nele, o autor Bruce Fogle auxilia o dono a interpretar cada situação do dia-a-dia, além de oferecer dicas para resolver problemas, ou sugestões para brincar e tornar o seu amigão ainda mais próximo da família.
Mundo cãoDe acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de Alimentos para Animais (ANFAL Pet), o número de cães no Brasil é de 28,8 milhões. Em segundo lugar, aparecem os felinos: são 13,08 milhões de gatos. O número coloca o Brasil como o segundo País em maior população de animais domésticos, atrás somente dos Estados Unidos. Em Rio Preto, de acordo com dados do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), a população é de 83.679, sendo 57.710 mil cães e 25.969 gatos. “É um número bastante alto e que tende a crescer, pois a cada dia as pessoas estão adquirindo os animais como companheiros”, explica o veterinário e coordenador do CCZ, Luiz Flávio Vani Amaral. Os números justificam o aumento do mercado de pet shop. Dados da ANFAL Pet mostram que o segmento cresceu 25,5% em 2005. A Associação estima que existam atualmente no Brasil cerca de 60 mil pontos de venda e 20 mil pet shops. Cães e gatos representam 36% dos consumidores de produtos para higiene animal. Esse crescimento é resultado da mudança no comportamento humano. “Cada vez mais os cães são vistos como integrantes da família. Muitas pessoas adquirem um animal porque moram em grandes centros e por temerem a violência passam todo tempo livres dentro de casa. Por sentir-se sozinhas e carentes, vêm nos bichos uma companhia fiel, além disso, eles são muito alegres e brincalhões. Isso estabelece um vínculo muito grande entre dono e animal, principalmente quando são tratados com proteção - o cuidado e o carinho que eles merecem.”, diz Cláudia Pizzolatto.
Serviço:
ANFAL Pet - Associação Nacional de Fabricantes de Alimentos para Animais -
www.anfalpet.org.br Centro de Controle de Zoonoses - São José do Rio Preto
(17) 3231-6494
Cláudia Pizzolato - treinadora especializada em comportamento animal -
www.lordcao.com.br Pet Shop Beleza Animal - São José do Rio Preto - (17) 3222-5789
Pet Shop Gang dos Bichos - São Paulo / SP (11) 3618-3000
www.gangdosbichos.com.br Dra. Ângela Ramos Silvestrini - médica veterinária
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