Próxima estação Armazém Companhia se apresenta no FIT
São José do Rio Preto,
23 de julho de 2009
Edvaldo Santos
Técnicos montam cenário do espetáculo ‘Inveja dos Anjos’ no Municipal
Igor Galante, Ariana Pereira e Renata Fernandes
03:15 - Após se apropriar de textos de autores conhecidos, “Mãe Coragem e seus filhos”, de Brecht, e “Toda Nudez Será Castigada”, de Nelson Rodrigues, a Armazém Companhia de Teatro volta a construir um espetáculo tendo como ponto de partida coisa alguma, ou seja, a investir numa dramaturgia original, e o resultado (a considerar a repercussão positiva de crítica e público desde a estreia no Rio, em novembro do ano passado), prova-se capaz de surpreender mesmo quem já se habituou à altíssima qualidade e capacidade de encenação do grupo. “Inveja dos Anjos”, que começa hoje sua série de três apresentações até sábado pelo FIT, no Teatro Municipal, reúne todas as características que têm feito a “fama” do Armazém nos últimos tempos (especialmente depois que passou a ter sua sede própria no Rio, a Fundição Progresso, e a contar com a segurança do patrocínio da Petrobras).
Uma dessas características, talvez a principal, a que melhor defina a linguagem do Armazém, é a capacidade equilibrar narrativa e poesia, enredo pé no chão e simbolismo (em “Inveja dos Anjos”, o que está em jogo é a questão da memória), de transportar o público para uma dimensão-limite entre a realidae e o ilusório, mas que se mantém sobretudo lírica (pesa nesta apreciação o encantamento que a companhia é capaz de provocar em suas peças através da cenografia e de outros elementos que compõem sua dramaturgia). Uma capacidade, enfim, de estimular sensações.
Edvaldo Santos
‘Inveja dos Anjos’ marca o retorno do Armazém à construção original de dramaturgia
“Inveja dos Anjos” começa com o encontro de três amigos no que parece ser uma cidadezinha atravessada por uma linha de trem. Ao falarem de suas memórias, um deles propõe que as experiências negativas que tiveram na vida sejam escritas num papel e depois queimadas, como se isso apagasse também tais lembranças de suas cabeças. A chegada de dois novos personagens, porém, evidencia novos conflitos e materializa no palco o passado de cada um, na forma de afetos perdidos ou que precisam ser (re)descobertos.
Maduro, elogiado, o novo trabalho do Armazém conta ainda a seu favor com um elenco (Marcelo Guerra, Patrícia Selonk, Ricardo Martins, Simone Mazzer, Simone Vianna, Verônica Rocha e Thales Coutinho) muito afiado, resultado talvez desse processo de anos trabalhando juntos (em 2009 o Armazém completa 21 anos). Os atores tiveram participação direta na criação de seus personagens, mas texto quem assina é o diretor Paulo de Moraes e o poeta Maurício Arruda Mendonça, parceiro do grupo há 14 anos.
Edvaldo Santos
Moraes: ‘Momento do grupo hoje é ótimo’
Esta edição do festival marca o retorno do Armazém a Rio Preto, desde a ocupação da Swift pelo grupo em 2005 com três peças: “Alice Através do Espelho”, “Pessoas Invisíveis” e “A Caminho de Casa”. O Diário foi ontem ao Teatro Municipal encontrar-se com Moraes. Tranquilo, como é sua característica, ele falou sobre o processo de criação do espetáculo, do que representa esta volta à cidade e do bom momento que atravessa a companhia.
Diário da Região - Após as montagens dos textos de Brecht e Nelson Rodrigues, gostaria que você falasse sobre estes vários retornos do Armazém: à criação de uma dramaturgia original, à pesquisa de investigação dos espaços... Paulo de Moraes - Os dois últimos espetáculos eram de textos que a gente tinha uma admiração muito grande e que eu, particularmente, tinha interesse enorme de montar. E foram espetáculos que a gente montou coincidentemente no Centro Cultural do Banco do Brasil, não na nossa sala (na Fundição Progresso). Com “Inveja dos Anjos”, a gente voltou para um processo mais inteiro, mais com a nossa cara. O espetáculo foi todo construído dentro de uma lógica de redescoberta do espaço. Nós mergulhamos naquele espaço e nas propostas que a gente tinha enquanto temática. Foi um trabalho bem intenso, um retorno ao jeito em que a gente mais se sente representado no teatro, que é essa questão de criar um espetáculo a partir de uma pesquisa temática, espacial.
Diário - Então o espaço físico da Fundição teve um papel fundamental no processo de criação? Moraes - Teve, determinante.
Diário - E como é quando vocês precisam sair, como agora em Rio Preto? Moraes - Quando começou a aparecer esta ideia do trilho do trem, do tipo de espetáculo que a gente queria fazer, a parede da sala estava toda pintada de preta e eu disse: “Vamos escavar e deixar ela toda com tijolo aparente.” Os pedreiros começaram a cavucar e a parede ficou com o tijolo à vista, só que da metade para cima, não era o mesmo tipo de tijolo, era um cimentão, e ficou lindo assim para o espetáculo. Aí, pra viajar, a gente fez esse pano de fundo (aponta na direção do fundo do palco do Municipal) que lembrasse o do nosso espaço no Rio, para que a gente não se sentisse desprotegido (risos). Então foi bem determinante mesmo na estética, na relação com o público. E aí quando você viaja, você adapta.
Diário - Onde você posiciona “Inveja dos Anjos”, comparando com os últimos trabalhos, em termos de ousadia, de resultado? Moraes - Acho que é sempre ousado começar um espetáculo do nada. Você entrar numa sala de ensaio e falar assim: “E agora, vamos discutir sobre o quê”. Não existe nenhum texto, não tem nada pronto, é uma ousadia as pessoas se jogarem nesse tipo de processo. E acho que resultou num espetáculo que consegue discutir o homem e as relações humanas de uma forma que eu considero profunda, que consegue movimentar as pessoas, questionar, propor um outro olhar. É portanto um espetáculo muito importante na nossa trajetória, como foi “Alice”, “Pessoas Invisíveis”, “A Ratoeira”. E até “Toda Nudez”, que, embora não seja um texto nosso, ficou tão linda, tão pessoal, que se tornou bastante autoral também.
Diário - O espetáculo leva adiante esta postura da companhia de dar à forma de se contar uma história a mesma importância que a própria história que está sendo contada? Moraes - Sempre foi. Tem uma coisa entre forma e conteúdo que para mim é vital. Conseguir fazer com que a forma seja conteúdo e o conteúdo seja forma (não é encontrar uma forma para contar o conteúdo, não é disso que estou falando), é uma coisa que me interessa muito, e acho que a gente alcança isso neste espetáculo.
Diário – Você diz que em “Inveja dos Anjos” é sugerido a cada espectador “editar” seu próprio enquadramento daquilo que vê no palco. Qual a importância da subjetividade para o Armazém, justamente num ano em que o festival discute este tema? Moraes - Outros espetáculos também têm esta característica no Armazém. No grupo a gente tenta trabalhar com uma questão que é a sensação. No “Alice”, por exemplo, a sensação estava levada numa questão mais corporal, um espetáculo inteiro de sensação e, por isso também, extremamente subjetivo. Cada pessoa entrava ali e saía de um jeito completamente diferente da outra. “Inveja dos Anjos” fala sobre a questão da memória e isso liga a peça ao conceito do festival. Porque a memória está absolutamente ligada à subjetividade. Ela é uma coisa que você escolhe lembrar, que você escolhe deixar preso dentro de si. Você só não tem ideia de porque escolheu isso ou aquilo, mas a memória é uma seleção, você não lembra de tudo, como tudo exatamente aconteceu, ela é absolutamente traiçoeira, e como o espetáculo fala sobre isso, acho que tem a ver com a proposta do festival.
Diário - Todos os últimos espetáculos originais do Armazém tiveram dramaturgia assinada por Maurício Arruda Mendonça. Qual a importância dele para a consolidação desta linguagem que perpassa toda a obra de vocês? Moraes - É vital. A gente começou a trabalhar junto em 1995. No início, quando chamei o Maurício para trabalhar comigo, eu estava mais preocupado com a qualidade da palavra. Eu já escrevia os textos da companhia, mas achava que precisava de um pouco mais de requinte poético. O Maurício tinha essa curiosidade, ele nunca havia trabalhado com teatro, era poeta, tradutor, e estava acostumado a lidar com a palavra de um jeito sofisticado. No início, o Maurício ficava mais responsável pelo lado poético da narrativa, e eu, responsável pela condução, pela ação, pelos acontecimentos. Hoje em dia, não é mais assim. Não tenho nem mais ideia de quem faz o quê. Nossa parceria se tornou uma coisa muito sólida.
Diário - E os atores, participam do processo de criação Moraes - Os atores são absolutamente criadores do espetáculo. É claro que o ator não dirige, o ator não escreve. Mas muito do que eles propõem nos exercícios para a criação de seus personagens vem para a cena, às vezes de uma outra forma do que foi pensado, às vezes até para ser usado por outro ator, mas vem. Só não é um processo em que eles escrevem junto com a gente (eu e o Maurício), não é um processo de criação coletiva, é um processo de criação.
Diário - O que significa para vocês este retorno ao Rio Preto? Moraes - Aquela vinda nossa para cá eu adorei fazer. Foram 10 dias complicadíssimos para mim. Eu só ficava dentro daquele barracão montando e desmontando peça, e eram montagens bem complexas. Mas aquilo foi bem avassalador, a reação do público, a troca que os atores tiveram, a identificação que as pessoas tiveram com o trabalho, foi tão bacana que realmente valeu a pena, depois a gente até repetiu em outros lugares esta coisa de fazer repertório. Naquele momento a gente estava no meio da montagem de “Toda Nudez”. Então a gente estava envolvido com três espetáculos aqui e montando um quarto, foi um momento convulsivo de criação lembrado até hoje por nós como algo importante. E hoje nosso momento é ótimo. “Inveja dos Anjos”, como processo de criação, foi muito intenso, muito verdadeiro. Estamos sentindo que o trabalho cresceu um pouco mais. E para um grupo de 21 anos, é duro ter de crescer o tempo todo, mas a gente se sente assim, que está dando este passo à frente.
Assista abaixo imagens de Inveja dos Anjos
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Georgette Fedel e Isabel Teixeira: encontrar o coração das mulheres que disputam o poder na Inglaterra foi o maior desafio
‘Rainha’ traz disputa pela coroa inglesa
Enquanto a Rainha Elizabeth I e Mary Stuart lutam pela coroa da Inglaterra, as atrizes Georgette Fadel e Isabel Teixeira procuram encontrar e identificar-se com os corações dessas duas grandes mulheres da História. Dessa procura pelas personagens surgiu o nome da peça que estreia hoje no Festival Internacional de Teatro, no palco do Sesi, “Rainha, Duas Atrizes em Busca de um Coração”. A montagem da peça começou há cerca de um ano, com iniciativa de Isabel que, pela primeira vez, assina a montagem do texto de uma produção teatral. Para ela, “Rainha” é um marco na carreira de 20 anos. “Todo espetáculo transforma a gente de algum modo como pessoa. Tive uma intuição de que essa peça me abriria um novo horizonte e todas - eu, a Georgette e a Cibele (Forjaz) - nos colocamos à disposição de mudança. É uma virada muito forte na minha carreira porque, com elas, descobri essa beleza do texto, de criar o texto, de fazer uma dramaturgia em cena. Cada vez mais eu gosto da peça”, diz Isabel.
O espetáculo mostra a história de disputa pelo poder de governar o reino inglês a partir de uma livre recriação do texto de Friedrich Schiller, “Mary Stuart”. A obra é considerada uma das máximas da fase madura do ator que é uma espécie de Shakespeare alemão. O encontro que não existiu entre Elizabeth I e Mary Stuart é o ponto principal ressaltado por Isabel. “Eu já tinha o texto de Schiller na cabeça como algo que eu gostaria de fazer. Assim que deixei a Cia. Livre, depois de oito anos de trabalho, em 2006, foi a primeira coisa que me veio à mente. Sou encantada com a cena do encontro entre as duas, desde quando tinha 18 anos e li uma tradução desse texto feita por Manuel Bandeira. O Schiller criou esse suposto encontro e o colocou no meio da peça. É de uma liberdade poética incrível. A força da tragédia está toda nesse encontro”, afirma a atriz.
Apesar da complexidade da construção das personagens, o processo de produção levou apenas quatro meses. “Intensos” quatro meses, faz questão de frisar Isabel. A adaptação foi inteiramente configurada em uma sala de ensaio e, ainda que as atrizes passassem pelas mais diversas aulas de História, enfrentaram muita dificuldade para dar vida a Elizabeth I e Mary Stuart. Essa dificuldade foi a responsável pela montagem um tanto quanto diferente da adaptação. “Nossa grande pergunta durante todo o processo era o que a história dessas duas grandes mulheres queria comunicar e como fazer isso. No começo, estávamos muito distantes das personagens, não sabíamos onde nos encontrávamos com elas. Estávamos entendendo essas duas mulheres poderosas numa época em que os homens reinavam, elas são muito fortes, mas não conseguíamos ver onde estávamos nesse cenário. Muitas vezes, nos perdemos”, lembra Isabel.
A solução para o dilema das duas atrizes veio de maneira inesperada: “Teve uma improvisação na qual resolvemos falar de nós, da dificuldade em encontrar as duas personagens. Nesse relato pessoal de duas atrizes que buscam um personagem achamos o tom da peça. Foi exatamente desse dia que nasceu o nome. Onde está o meu coração nisso tudo? Onde ele se encontra com o das duas? Como resultado final vamos construindo as duas personagens e as trazendo à tona durante o espetáculo.” As atrizes conseguiram não apenas dar vida à disputa pelo trono da Inglaterra, no século XVIII, como também tornar-se mais cúmplices ao longo do trabalho que tem viajado por diversas cidades do País. “Quanto mais fundo vamos nas batalhas entre as rainhas, mais a nossa cumplicidade aumenta. É muito interessante. Tive grandes parceiros de cena, nesses 20 anos de teatro, mas é a primeira vez que trabalho nesse nível de entrega, sem estar em uma companhia.”
Assista abaixo o trailer de “Rainha”
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Em Rio Preto, o diretor Enrique Diaz substitui o ator Fernando Eiras na apresentação da peça “In On It”
‘In On It’ e ‘O Cantil’ estreiam hoje nos palcos do FIT
Enrique Diaz e Emílio de Mello sobem ao palco do Festival Internacional de Teatro a partir de hoje com o espetáculo “In On It”. Além de interpretar, Diaz é responsável pela direção da peça que tem texto de Daniel MacIvor. Os dois atores revezam-se para dar vida a dez diferentes personagens cujas histórias se entrelaçam em três momentos distintos: um homem escreve uma peça sobre alguém que sofre um acidente, dois amantes que chegam ao fim do amor entre eles e, por último, dois homens que contam essa história. As três esferas retratadas fundem-se: a peça, o espetáculo e o passado, sob o pano de fundo composto por paredes descobertas, duas cadeiras e uma iluminação que caracteriza cada uma das diferentes realidades. O diretor Enrique Diaz teve o primeiro contato com a peça “In On It”, em 2001, quando passou um tempo morando nos Estados Unidos. Um ano depois de assistir ao espetáculo, enquanto apresentava “Ensaio. Hamlet”, conseguiu entrar em contato com o autor canadense Daniel MacIvor, que cedeu o texto para que o espetáculo fosse produzido no Brasil.
“‘In On It’ era interessante. Com certeza devo ter perdido alguma coisa, meu inglês nunca foi incrível, mas algo incompleto parecia mais sedutor do que repulsivo. Dois atores, várias camadas de interpretação, alguma coisa vinda do cinema”, relata Diaz no blog que mantém para divulgação da peça. riginalmente, o ator que faz parte do elenco ao lado de Emílio de Mello é Fernando Eiras. Mas na apresentação feita em Rio Preto, Diaz assume o papel de diretor e ator. “Um trabalho feito rapidamente, sem pesquisa, sem muito espaço para criação. Como se a coisa fosse dar um jeito de mostrar esse texto para as pessoas; foi a sensação que tive na época: o texto”, descreve Diaz no blog. Apesar da rapidez acentuada pelo diretor no espaço de divulgação, “In On It” tem recebido avaliações positivas da crítica desde sua estreia, em março deste ano.
O Cantil
Além de “Rainha, Duas Atrizes em Busca de um Coração” e “In On It”, estreia hoje a peça “O Cantil”, com texto, direção e produção de Fran Teixeira, que ganha o palco da Unip. Estão no elenco desse espetáculo Aline Silva, Ana Luiza Rios, Edivaldo Batista, Levy Mota e Márcio Medeiros. “O Cantil”, da companhia cearense Teatro Máquina, é baseado na peça “A Exceção e a Regra”, do dramaturgo Bertold Brecht. Trata-se de uma viagem sem espaço ou tempo definidos, na qual dois homens seguem em uma busca por algo indefinido. A relação entre os personagens é construída a partir da presença constante de um cantil. A ênfase do espetáculo está na metáfora da manipulação e estende a relação entre os personagens para os atores, por meio das figuras condensadas do boneco-narrador e do manipulador-narrador.
Thomaz Vita Neto
A peça “ O Palhaço e a Bailarina”, da Trupe Gato e Sapato, é dirigida por Peralta
Dez grupos de Rio Preto se apresentam pelo Aldeia FIT
Este é o segundo ano em que 10 grupos de Rio Preto participam do Festival Internacional de Teatro (FIT). As apresentações fazem parte do módulo Aldeia FIT, que tem o objetivo de divulgar e promover o teatro produzido na cidade. Mas não basta fazer teatro e ser de Rio Preto para participar do módulo. É necessário passar por criteriosa seleção. Se bem que para a diretora executiva da Associação dos Artistas, Técnicos e Produtores Teatrais de Rio Preto (Associart), Drica Sanches, ainda faltam alguns ajustes para o aperfeiçoamento do processo seletivo. “Há companhias que se desdobram em duas para ter mais chances durante a seleção. Não acho isso justo.” Já o diretor e membro da Companhia da Boca, Perpétuo Peralta, diz que o processo seletivo deste ano foi bem melhor que o do ano passado, em que os próprios grupos escolheram os participantes do Aldeia FIT 2008. “O modo como as peças foram eleitas foi o mais criterioso desde sua criação, em 2004.”
A atriz e produtora da Companhia Teatral Só Riso, Luciana Gadoti, concorda com Peralta e ressalta que o fato de a comissão julgadora ser de fora de Rio Preto trouxe credibilidade às escolhas. A própria classe teatral, inclusive, sugeriu a comissão formada por Marici Salomão (dramaturga), Dagoberto Feliz (ator) e Fernanda D’Umbra (atriz). Tanto Luciana quanto Peralta participam de dois espetáculos e afirmam que não houve divisão das companhias, apenas coincidência. Ele esclarece que é da Cia. da Boca, mas foi convidado a dirigir o espetáculo “O Palhaço e a Bailarina”, da Trupe Gato e Sapato. “Não tem nada a ver. São grupos diferentes com a mesma direção, apenas isso”, diz Luciana, que está na peça “Liz, Eu e o Pássaro Encantado”, da Cia. Só Riso, e “Melodrama”, da Cia. Palhaços Noturnos.
Thomaz Vita Neto
Cena de “As Noivas”, adaptação livre de três contos de Nelson Rodrigues
O diretor do FIT, Jorge Vermelho, reforça o posicionamento de Luciana. “São grupos completamente diferentes. A informação dela está equivocada.” Outro ponto defendido por Drica é que a apresentação de 10 grupos locais se deve à classe teatral. “Não foi fácil conquistar esse espaço. Se dependesse apenas da organização não teríamos tantos espetáculos.” Ela reclama ainda que há atores sem o registro profissional da categoria (DRT) e que atuam apenas com autorização do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões (Sated). Peralta também é a favor da profissionalização e acredita que o DRT deva mesmo ser exigido a todos que participam do FIT. Apesar de concordar, Luciana comenta que entre os vários festivais dos quais participa somente o FIT faz esse tipo de exigência.
Vermelho enfatiza que não há qualquer ilegalidade quanto à participação dos atores no FIT, de acordo com o próprio Sated. Independentemente dos ajustes operacionais que ainda possam ser feitos ao Aldeia FIT, os participantes do módulo reconhecem grande receptividade do público e garantem que não há preconceitos da plateia ao fato de serem da cidade. Pelo contrário. “Até hoje (ontem), todas as apresentações estavam lotadas. O público não tem preconceito por sermos de Rio Preto. A organização é que faz diferenciações com alguns privilégios aos grupos de fora”, desabafa Drica. Vermelho ressalta que não há qualquer privilégio ou discriminação aos grupos locais. Ele lamenta que nem todos os participantes tenham a sabedoria de participar de um festival como o FIT. “Ainda há quem tenha uma visão muito diminuída do que é estar neste festival. O FIT não pode atingir a todos de uma única maneira.”
Debate
Além das apresentações teatrais, o Aldeia FIT promove, sempre depois da estreia do espetáculo, debates com os grupos participantes. Neste ano, foram convidados o ator, diretor e artista plástico Gonzaga Pedrosa e o dramaturgo Roberto Alvim, que também é diretor, ator e professor de História do Teatro. No próximo sábado, haverá um encontro para avaliação dos debatedores, a partir das 11 horas, no Senac.
Arte sobre fotos/Editoria de Arte
>> Os espetáculos do Aldeia FIT são todos encenados por companhias de Rio Preto
CENA ABERTA
Juny Kp/FIT
>> Aviso Foi preciso que um dos membros da Cia. dos Atores avisasse que a apresentação de “Esta Propriedade Está Condenada”, na terça-feira, já havia acabado. Depois que os atores Suzana Ribeiro e Pedro Henrique Monteiro desapareceram após a andança promovida durante a apresentação, o público ficou sem saber se os procurava pelo quintal da Oficina Cultural “Fred Navarro” ou se batia palmas.
>> Pit stop no Pitú O dono e os funcionários do Bar do Pitú, na esquina das ruas Inglaterra e Cel. Spínola de Castro, próximo à Oficina “ Fred Navarro”, têm sido surpreendidos por um movimento diferente de clientes. Entre uma apresentação e outra, o público das peças do módulo Ocupação vai até o bar para tomar cerveja, comer e, claro, discutir o que acabou de ver, provocando olhares desconfiados dos ‘nativos’ do bar para os ‘forasteiros’ do FIT.
>> Prata da Casa A coordenação do Não-Lugar optou, neste ano, por promover apresentação apenas dos DJs rio-pretenses. De acordo com os organizadores, a decisão é fazer no espaço do bar algo semelhante ao que se faz com o módulo Aldeia FIT: promover os talentos da terra.
>> Estrela do ano A reportagem tentou falar com o diretor e ator da peça “In On It” Enrique Diaz desde às 10 horas de ontem. Ele marcou um encontro com a equipe do Diário às 14 horas, no Hotel Michelangelo (à assessoria do FIT, disse que se cansava com entrevistas por telefone), mas não estava lá. Resolveu ir mais cedo para o Senac, onde participava de um open space. Lá, deu mais um “olé” na reportagem, pois era um dos que ministravam o debate. No ano passado, a atriz Maria Padilha também deu trabalho à imprensa com nuances de estrelismo global.