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Elas ainda vivem
As cristaleiras valorizam os projetos modernos
São José do Rio Preto,
1 de março de 2009
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Hamilton Pavan
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Mercado de antiguidades oferece modelos em estado original |
Leda Nascimento
03:54 - Antiga ou não, o fato é que ter uma cristaleira em casa continua sendo chique. E para quem até gosta de um toque retrô na decoração, mas não possui um ambiente totalmente clássico para colocar um móvel deste estilo, pode até usá-lo em um espaço de perfil contemporâneo ou com linhas modernas, desde é claro, que se tenha bom senso. Para não errar, basta obedecer ao critério de aliar o design do mobiliário em sintonia com a ambientação e os outros elementos que o cercam. A dica partiu do decorador de interiores Douglas Branco. “Uma cristaleira torneada vai bem em uma decoração clássica, agora, se a sua casa é moderna, recomendo um modelo mais reto”.
Se a opção é por uma decoração tradicional, Branco sugere além do acabamento em madeira entalhada, incrementar a cristaleira com um revestimento a base de tecido adamascado ou papel de parede clássico. Como ali, geralmente, guarda-se objetos de cristais, porcelanas e utensílios de material refinado, o decorador dá a dica de se instalar na cristaleira alguns pontos de iluminação interna. “A luz irá enriquecer o móvel e destacar os itens em exposição. O recurso fica um luxo”.
| Hamilton Pavan
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Cristaleira usada para acomodar presentes das Bodas de Ouro; acabamento em ferro e linhas modernas
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Mercado de antiguidades No mercado de antiguidades há modelos para atender a todos os gostos. Desde cristaleiras antigas que preservam o estado original, a desenhos mais modernos com leve releitura do passado e até de madeira de demolição, para quem busca uma alternativa rústica. O comerciante Alex Guarezini, da loja Arco da Velha, de Rio Preto, diz que dentro da linha de móveis antigos, as cristaleiras são as mais procuradas. “Trabalho com antiguidades e também revendo réplicas, para atender aos clientes que procuram peças menos detalhadas, de ar mais contemporâneo”. Mesmo as reproduções, segundo Guarezini são feitas em respeito ao uso de madeira maciça, geralmente fabricadas em cedro ou canela. As cristaleiras custam entre R$ 700 e R$ 4 mil. Quanto mais preservadas e de melhor qualidade for a madeira, mais elas valem.
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O restaurador Juliano Geraldes especializou-se em recuperação de cristaleiras
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Restauração O restaurador de móveis antigos Juliano Geraldes, diz que o ofício exige conhecimento e precisão para detalhes. “O importante é diferenciar restauração de reforma. O bom resultado depende de pesquisa, capricho, ferramentas e uso de produtos corretos. Se a pessoa aplica um verniz errado ou lixa demais, em minutos, pode estragar um móvel valioso”. Ex-funcionário público do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com formação em Direito, Geraldes largou a antiga profissão para dedicar-se exclusivamente ao trabalho autônomo de restaurador. “É algo que me identifico e tenho prazer. Muitas vezes, recebo uma cristaleira toda deformada e consigo resgatar a vida do móvel. Quando vem buscar, depois de um mês de oficina, o cliente nem acredita, ao ver sua peça de família recuperada”.
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Entalhada é própria para decoração clássica
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Outros, vão atrás de móveis que Geraldes coloca à venda. “Têm pessoas que não gostam de antiguidade, trazem o móvel todo danificado e praticamente o descartam. Restauro e repasso, pois há também quem valoriza e procura mobília antiga para decorar diversos ambientes”. A restauração de uma cristaleira custa a partir de R$ 300. O preço encarece conforme a necessidade de substituição de peças ou recuperação de vidro bisotê (com tratamento especial nas bordas, que são lapidadas e polidas).
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Peça restaurada está na mesma família há 40 anos
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Valor sentimental Feitas de madeira de boa qualidade ou maciça, as cristaleiras antigas, têm vida útil longa e passam de geração a geração. Tratadas como "relíquias" de família, essas peças guardam em si muito mais que taças e louças. Além de beleza e funcionalidade, elas embutem recordações. É o caso da cabeleireira Creuza Nogueira que herdou a cristaleira de sua mãe. "O móvel ficou com ela durante 30 anos. Há 10, está em minha casa. Minha mãe faleceu e ficou a lembrança. Mandei restaurar a cristaleira e já recebi muitas propostas de pessoas interessadas em comprá-la, mas não há preço de mercado que supere o valor sentimental", afirma.
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Móvel é indicado para guardar cristais e artigos finos
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Funcional Situação inversa ocorreu com a professora aposentada Maria Ignês Arruda Mardegan. Ela sempre resistiu em incluir uma cristaleira na decoração de sua residência. Mas, ao comemorar 50 anos de casamento, ganhou várias peças de cristal e por um tempo ficou sem ter onde acomodá-las. “Minha filha me convenceu a aceitar a cristaleira dela de presente. Até gosto deste tipo de móvel, resistia por questão do trabalho de manter tudo em ordem. Minha cristaleira está sempre bem cuidada e não gosto de empetecá-la de objetos. O que não coube nela, guardei em armários”, diz Maria Ignês.
Serviço: Restaurador Juliano Geraldes, fone (17) 3212-7017 Decorador de interiores Douglas Branco, fone (17) 9771-4410 Arco da Velha, fone (17) 3223-4872
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