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Rápida e silenciosa
Epidemia de dengue avança na região
São José do Rio Preto,
3 de abril de 2007
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Edvaldo Santos
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Maria Joaseiro tem sintomas da dengue há 11 dias: desconforto |
Giseli Marchiote
A dengue avança de forma rápida e silenciosa pelo Estado de São Paulo e já se tornou epidemia em 16 cidades da região de Rio Preto. Estrela d’Oeste, Monte Aprazível, Nova Aliança e Ouroeste entraram essa semana para a lista de municípios onde existem 300 casos da doença para cada grupo de 100 mil habitantes, o que configura situação de surto epidêmico. Balanço do Ministério da Saúde divulgado ontem mostra que no Estado de São Paulo, Bebedouro é a cidade com mais casos da doença, 941. Em seguida está Birigui com 819 e em terceiro lugar Rio Preto, com 816 casos confirmados da doença. Em 79 municípios da região de Rio Preto, os casos confirmados de dengue chegam a 4,8 mil desde o início desse ano. Em Aparecida d’Oeste, o Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo (CEV) registrou 19 casos da doença; em Ilha Solteira, 663 pessoas tiveram dengue. Na cidade de José Bonifácio foram 454 casos e em Bebedouro, 974.
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, quando o coeficiente de registros da doença é superior a 300 casos é confirmada a situação de surto epidêmico no município. A taxa de incidência da dengue é calculada pelo número total de casos da doença dividido pela população do município, vezes 100 mil, o que identifica a quantidade de casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Nas cidades onde há surto da doença, a Secretaria de Estado autoriza a suspensão da coleta de exames sorológicos para confirmação da doença. A doença é diagnosticada apenas por meio de exames clínicos-epidemiológicos. Coletas de sangue são realizadas somente em casos graves quando existe suspeita da variação hemorrágica ou complicações. Levantamento realizado pela Secretaria de Saúde de Rio Preto, divulgado na última sexta-feira, revela que a cidade possui 950 casos confirmados da doença, que ainda não se tornou epidemia na cidade. Apesar disso, na rua Benedito José Ismael, no bairro São Jorge, três pessoas estão com os sintomas da doença. Uma delas é a faxineira Maria Joaseiro, 53 anos. Com febre e dores no corpo há 11 dias ela sequer consegue levantar da cama. “Passei quatro dias no Hospital de Base em observação. Se não bastasse a dor no corpo e a dor de cabeça, ainda vomitei”, diz.
Hemorrágica A dengue hemorrágica é apontada como a causa da morte de dois homens internados no Hospital de Base (HB) de Rio Preto com sintomas da doença. Morador de Andradina, Rodrigo Marcheti, 22 anos, estava no HB desde o dia 15 de março. Morreu anteontem com suspeita de dengue hemorrágica. A morte do borracheiro Eurípedes Cardoso de Albuquerque, 60 anos, também é creditada à hemorrágica. Ele deu entrada no HB no dia 05 de março com sintomas da doença e morreu no domingo. Albuquerque teria contraído a doença em Mirassol, onde trabalhava como borracheiro.
De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Mirassol, desde o início do ano foram confirmados 943 casos da doença na cidade. Apesar de apresentar os sintomas da dengue, a Prefeitura não confirma que a morte de Albuquerque foi causada pela doença. Dados divulgados pela da Secretaria de Estado de Saúde revelam que no ano passado seis pessoas morreram vítimas de dengue hemorrágica no Estado de São Paulo. No mesmo ano, foram confirmados 37 casos da forma mais severa da doença. Esse ano, cinco pessoas contraíram dengue hemorrágica no Estado, de acordo com a Secretaria Estadual. Apenas uma morte foi confirmada, em Itanhaém.
Juiz decide hoje sobre ação O juiz da Vara da Fazenda de Rio Preto, Angelo Márcio de Siqueira Pace, deve se manifestar hoje sobre o pedido de busca e apreensão do complexo homeopático contra a dengue protocolado ontem pela Procuradoria do Estado de São Paulo, órgão que representa o governo estadual perante a Justiça. A ação de obrigação de fazer chegou no final da tarde na Vara da Fazenda, onde a Prefeitura de Rio Preto ingressou ontem com uma ação civil pública contra a Secretaria Estadual de Saúde para garantir o fornecimento do remédio aos pacientes com sintomas da doença. Estado e município travam uma verdadeira guerra devido à distribuição do complexo. A Secretaria Estadual de Saúde alega risco iminente à população e quer impedir que o remédio seja ministrado nas unidades de saúde.
A Secretaria de Saúde de Rio Preto defende o uso do complexo e afirma que as duas gotinhas que o paciente recebe são eficazes para amenizar os sintomas da doença. O complexo homeopático contra a dengue será receitado a partir de hoje por médicos da rede municipal de saúde de Monte Aprazível. “Depois de examinar o paciente e constatar os sintomas da dengue, o médico poderá receitar o complexo”, afirma a secretária municipal de Saúde, Cláudia Maset. “O remédio será manipulado individualmente em uma farmácia. Não teremos estoque nos postos de saúde”, diz.
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