Um negócio em que uma parte é obrigada a perder para a outra ganhar não tem chance de prosperar como um bom negócio. É o que está acontecendo com o caso das sacolinhas plásticas poluentes que os comerciantes deixaram de distribuir aos consumidores, numa espalhafatosa ação de marketing encabeçada pela Associação Paulista de Supermercados (Apas). Respalda pelo discurso ecologicamente correto e pela sedutora convocação para se “tirar o planeta do sufoco”, o setor supermercadista quase convenceu a população de que esse seria um excelente negócio. E seria, caso os supermercados não ficassem apenas com o bônus e o consumidor, com o ônus. Não se discute os méritos da campanha e não se nega a importância de reduzir a desova de materiais plásticos no meio ambiente - não só as sacolinhas, mas os mais diferentes tipos de recipientes à base do mesmo material, destinados a embalar de refrigerantes a produtos de limpeza e agrotóxicos, entre outros. O que precisa ser debatido - e isso tem sido solenemente ignorado na campanha - é como ficam as relações de consumo. O consumidor sabe que as sacolinhas tradicionais nunca foram distribuídas gratuitamente. De um jeito ou de outro, o custo vinha embutido no produto. Trata-se de uma afronta à inteligência da população passar a cobrar pelas alternativas biodegradáveis. Além de economizar com o fim das embalagens anteriores, os supermercados ainda acrescentaram mais um índice à cesta de compras do consumidor. O desequilíbrio nas relações de consumo é simplesmente indesmentível.
O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) oportunamente imposto pelo Ministério Público e Procon à Associação Paulista dos Supermercados funciona como atenuante. Os supermercados estão de novo obrigados a fornecer embalagens, mas apenas por mais 60 dias, até o consumidor se acostumar - ou ser vencido pelo cansaço. Essa medida, no entanto, está longe de esgotar o assunto. Primeiro, porque os supermercados, que vinham submetendo o cliente ao constrangimento de levar mercadoria embora sem embalar, agora têm desrespeitado os termos do TAC. Na melhor das hipóteses, oferecem caixas de papelão em duvidosas condições de higiene. Definitivamente, não dá salvar o planeta desrespeitando o consumidor.
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