A presidente Dilma Rousseff definiu ontem muito bem a situação das concessões dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília. “Acabou uma etapa e agora tem de fazer todas as outras. Agora tem de fazer com que isso ocorra, ou seja, administração eficiente dos três aeroportos”, disse. Em uma só declaração, ela conseguiu expressar a realidade nua e crua daqui para frente: encerrada a fase do pregão, agora começa a etapa da corrida contra o relógio e os concessionários terão de demonstrar uma eficiência que o governo não teve. A concessão de administração e exploração dos três principais aeroportos brasileiros foi realizada na última segunda-feira em São Paulo. Na média, as três concessões receberam ágio de 347% e as ofertas apresentadas somam R$ 24,5 bilhões. O dinheiro será repassado em parcelas anuais, mas só começará a ser pago pelos consórcios vencedores em 2013, conforme o cronograma estabelecido no edital da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Os novos concessionários terão de se apressar para adequar os empreendimentos às demandas que vêm por aí dentro de uma situação já bastante complicada, em meio à sobrecarga de operações na malha aérea brasileira. Os grandes jogos (a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e as Olimpíadas em 2016) se aproximam rapidamente e o tempo é exíguo. São dois gargalos no calendário que se aproximam a cada minuto que passa, inexoravelmente, colocando em cheque a capacidade do País em receber o público resultante dos eventos. Sem entrar no mérito da questão, se foi ou não bom para o Brasil, o fato é que, se o modelo da concessão foi o escolhido, demorou muito para levá-lo a cabo. Tanto que, no governo federal, a sensação após a conclusão dos leilões era de que finalmente se conseguiu “desempacar” uma ideia existente desde 2007 para suprir a falta de dinheiro da União para investimentos em infraestrutura.
Os três aeroportos que passam ao regime de concessão respondem por cerca de 30% dos passageiros, 57% das cargas e 19% das aeronaves movimentados anualmente pelos terminais do País. O desafogamento destes três empreendimentos, portanto, é fundamental para que o sistema aéreo brasileiro consiga funcionar adequadamente. Agora, o Brasil precisa que os novos concessionários dos aeroportos exerçam bem suas funções, resolvendo os problemas de infraestrutura e de administração destes locais. E tomara que o governo consiga aproveitar bem os R$ 24,5 bilhões que vão entrar para resolver os gargalos em outros pontos do sistema aeroviário nacional. E rápido, que a Copa vem aí.