Assusta o número de pessoas que morrem na fila do transplante do Hospital de Base de Rio Preto à espera de um órgão. Reportagem do Diário publicada no último domingo mostra que, em cinco anos, o HB registrou 297 óbitos - uma média de 59 por ano. Um dos fatores determinantes para as mortes, segundo os médicos, é a demora da fila, uma média que varia de 1 a 3 anos, de acordo com o órgão esperado. Especialistas alertam que uma forma de acelerar os transplantes, é melhorar o índice de identificação e notificação de pacientes com morte cerebral. De acordo com a lei brasileira a morte encefálica precisa ser atestada por dois médicos diferentes, após evidências clínicas e a realização de um protocolo que inclui duas baterias de exames, realizadas em dois dias consecutivos. Hoje, são poucos hospitais da região de Rio Preto que disponibilizam de equipes capacitadas para fazer essa notificação. O cardiologista Reinaldo Besteti afirma que se esse serviço fosse mais eficiente, o número de óbitos poderia ser bem menor. Para se ter uma ideia, dos 73 pacientes inscritos no HB para um transplante de coração nos últimos cinco anos, 31 morreram. Ou seja, 42%. “A população tem feito a parte dela (doando os órgãos). Agora falta o poder público colocar uma equipe multidisciplinar em cada hospital com estrutura de neurocirurgia”, diz Besteti. O cirurgião Renato Silva endossa a afirmação de Besteti e diz, que se houver notificação, estrutura não falta para a captação dos órgãos.
É óbvio que a questão não é assim tão simples. Além de profissionais capacitados, o hospital tem de ter os equipamentos necessários para os exames exigidos e ambiente de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para a manutenção do corpo até a retirada de todos órgãos. É inquestionável o salto de qualidade na saúde pública do País. Agora, se falta pouco para que mais vidas sejam salvas, como dizem os especialistas, porque o Estado não elege como prioridade a instalação de serviço de notificação de mortes cerebrais em pelo menos um hospital de cada município de médio porte? O investimento inicial acabaria em economia em médio e longo prazo, pois, a realização de mais transplantes, reduziria, consequentemente, a fila e o número de internações de pacientes cirróticos, cardácos e hemodiálises nos hospitais.
Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital