É comum, e até natural, que as notícias sobre tragédias causem grande comoção. O sofrimento de um grupo de pessoas sempre é motivo para aflorar sentimentos de solidariedade e prender a atenção do público. É o caso da mais recente calamidade que tomou conta do noticiário nacional, em que o desmoronamento de três prédio no centro do Rio de Janeiro causou pelo menos 17 mortes. Até o início da tarde de ontem sete pessoas ainda estavam desaparecidas.
Mas, além da sensibilidade solidária em relação ao sofrimento alheio, é preciso aprender com os acontecimentos. O desabamento ocorrido no coração carioca ocorreu em edifícios antigos, levantados sobre um terrenos instável e, ao que indica as primeiras investigações, submetidos a alterações que podem ter alterado sua resistência estrutural. O acidente trouxe à memória do rio-pretense lembranças ainda doloridas da torre Itália, que desabou na manhã do dia 16 de outubro de l997. O condomínio era composto por três prédios (Portugal, Espanha e Itália ), com 16 andares de apartamentos cada, além do térreo comercial, garagens e outras dependências. A diferença entre os dois episódios é que, felizmente, não houve mortes no episódio em Rio Preto.
Rio Preto possui dezenas de edifícios, alguns deles de idade avançada. E a cada dia proliferam os condomínios verticais, principalmente na periferia da cidade, em que empreendimentos populares, que abrigam milhares de famílias. São construções sujeitas a reformas e mudanças, promovidas por seus ocupantes. Quando clandestinas, sem acompanhamento de profissional engenheiro qualificado, essas alterações podem colocar em risco a segurança de todo o edifício e, portanto, abrir oportunidade para que outros graves acidentes ocorram. Compete ao poder municipal manter um trabalho de fiscalização constante e criterioso nos edifícios construídos em Rio Preto. Esta ação é necessária para assegurar que alterações clandestinas não alterem a sustentação do edifício, colocando em risco as vidas e o patrimônio. Trata-se de um expediente que precisa ser feito durante o período de execução das obras, mas também que rotineiramente se repita ao longo da existência do prédio. Somente o exercício da prevenção é capaz de evitar que acidentes ocorram.
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