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São José do Rio Preto, 27 de Janeiro, 2012 - 1:50
Telefone caro e ruim


Uma boa notícia não é, necessariamente, algo que mereça comemoração. É o caso da determinação baixada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para que as operadoras reduzam o valor cobrado pelas chamadas telefônicas de fixo para celular. Qualquer medida que reduza os gastos cotidianos da população é positiva. O problema é que o brasileiro ainda paga caro para usar o telefone e a qualidade dos serviços deixa muito a desejar. A redução líquida, que entra em vigor nas chamadas a partir do dia 24 de fevereiro, será de 10% em média sobre os valores pagos atualmente pelos consumidores. A medida se refere à tarifa de interconexão, uma espécie de pedágio que as empresas pagam pelo uso das redes das operadoras de telefonia móvel. Ela faz parte de uma norma da Anatel pela qual os usuários deverão ser beneficiados com a redução de tarifas até 2014. O objetivo é fazer com que os usuários possam obter ganhos de até 35% no que se refere ao pagamento de tarifas telefônicas. Até 2014, a redução real será de 21%. Em 2010, uma pesquisa divulgada pela consultoria inglesa Bernstein Research revelou que o Brasil detinha a segunda tarifa por minuto mais cara cobrada em países com renda per capita similar – atrás apenas da África do Sul. Os valores cobrados em países de renda mais elevada, como Espanha, França, Itália, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos eram todos inferiores.

A contrapartida, no entanto, é funesta. As reclamações contra as operadoras de telefonia fixa e móvel tradicionalmente ocupam o topo na lista de casos registrados pelos Procons de todo o Brasil, Em Rio Preto, por exemplo, elas lideraram as queixas registradas pelo órgão em Rio Preto no último mês de dezembro, quando somaram 150 ocorrências. A redução da tarifa é bem-vinda, mas ainda longe de ser satisfatória. Quando ela entrar em vigor, o valor médio cobrado por minuto passará de atuais R$ 0,546, sem impostos, para R$ 0,487. A título de comparação, se um trabalhador horista ganhasse os mesmos R$ 0,487 por minuto trabalhado, ao fim das 220 horas mensais receberia o salário de R$ 6.428,40, mais o descanso semanal remunerado. A telefonia no Brasil está longe de ser um serviço que satisfaça o consumidor tanto no quesito qualidade quando em relação ao preço cobrado. Enquanto o governo não agir firmemente neste setor, o brasileiro continuará pagando muito por um serviço que deixa a desejar.

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