O ministro da Fazenda, Guido Mantega, estava com razão quando afirmou, na última segunda-feira, que o Brasil terá de encarar um cenário internacional adverso em 2012 e encontrar alternativas positivas para superá-las se quiser crescer. Ele manifestou sua opinião após o encerramento de uma reunião interministerial, realizada em Brasília. Apesar disso, o ministro se disse confiante. “Devemos encerrar 2011 com 3%, 3% e pouco”, previu. “E, para 2012, almejamos alcançar 4,5%”, emendou. A previsão do ministro foi de encontro à estimativa divulgada ontem pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), para quem o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2011 deve mesmo ficar na casa dos 3%, segundo o relatório Perspectivas da Economia Mundial, apresentado em Washington. Este desempenho é menor que a média global calculada pelo Fundo para o ano passado, que é de 3,3%. Crescer 4,5% em 2012 não será fácil. De acordo com o relatório do FMI, o maior obstáculo ao crescimento das economias emergentes, incluída aí a brasileira, está na crise ainda insolúvel em países da União Europeia. Há fortes dúvidas em relação à condição dos bancos da UE sobreviverem às turbulências financeiras. As fragilidades de caixa demonstradas por alguns de seus países é outra fonte de preocupação.
A deterioração econômica na zona do euro, acrescida da cambaleante recuperação norte-americana, representam diretamente menos investimentos externos nos emergentes e também estreitamento de consumo a produtos importados. Isso afeta diretamente o Brasil, que precisará encontrar estratégias capazes de superar as adversidades que estão pela frente. O aumento do universo de empregos e da massa de renda fortalecem o mercado interno, usado até aqui como pilar de sustentação do crescimento da atividade produtiva no País. Mas é impossível deixar de pensar na importância do Brasil ganhar competitividade nas exportações, necessárias para proporcionar a geração de negócios e renda, o que leva à necessidade de, a curto prazo, reduzir a sobrevalorização do Real em relação ao dólar. A médio prazo, é preciso reduzir o custo Brasil, o que inclui desde a pesada carga tributária ao ineficiente sistema de escoamento de mercadorias. São grandes os desafios para este ano. Mas é preciso enfrentá-los com coragem e competência. O Brasil precisa crescer.
Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital