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Editorial
 
São José do Rio Preto, 24 de Janeiro, 2012 - 1:47
Minicracolândias


Preocupantes os dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde. De acordo com o Programa Municipal de Redução de Danos, Rio Preto tem 169 minicracolândias espalhadas por toda a cidade, sendo que a zona norte é a que concentra maior número. Do total, 39 são mocós - casas abandonadas - e os outros 130 são praças e locais a céu aberto usados como pontos de encontro para consumo coletivo de drogas. Ao mesmo tempo que servem como abrigos, os mocós também são usados como esconderijo de produtos de crime e até fonte de renda para o viciado. Ávidos pela droga, os usuários passam a arrancar tudo o que há de valor no imóvel - portas, janelas, batentes, trincos, fechaduras, pias, privadas, torneiras, fiação elétrica, entre outros itens - e a trocar por cocaína ou pedra, na boca de fumo. E a destruição completa do imóvel é feita em velocidade relâmpago. Para se ter uma ideia, no intervalo de um ano, vândalos e usuários de droga conseguiram depenar nove casas do antigo Instituto Penal Agrícola (IPA). Em janeiro de 2011, quando a antiga unidade prisional foi transferida para o atual Centro de Progressão Penitenciária, o Diário esteve lá e constatou que as casas estavam completas e habitáveis. Em segunda visita, em setembro passado, a reportagem observou que muitas peças já haviam sido saqueadas. Já no terceiro retorno, ocorrido na semana passada, foi observado que as casas estão totalmente destruídas, com buracos na parede. É o que acontece em todo imóvel invadido por dependentes.

A presença de usuários e traficantes em mocós ou praças torna os espaços inseguros e uma ameaça para a vizinhança, que teme virar alvo de furto ou roubo, dentre outros crimes. Equipes do Programa de Redução de Danos listaram 1.049 viciados nessas 169 minicracolândias. Ou seja, uma legião de doentes que carece de imediata intervenção do Poder Público para deixar de ser uma ameaça à população. Rio Preto deveria adotar a prática da internação compulsória de viciados a exemplo do que acontece na Capital - onde pelo menos dois viciados por dia são internados involuntariamente - e no Rio de Janeiro, com resultados tremendos. Urge, por questões de saúde e segurança pública, uma força-tarefa da Prefeitura, Polícia Civil e Militar, Ministério Público, Justiça e sociedade na luta contra as drogas. Sem essa união de esforços é utopia falar de vitória sobre o crack.

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