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São José do Rio Preto, 21 de Janeiro, 2012 - 1:50
A Selic e o crescimento


A decisão do Banco Central em reduzir a taxa básica de juros e a notícia de que o Ministério da Fazenda estuda medidas para conter a valorização da moeda norte-americana frente ao Real indicam a preocupação do governo com o andamento da economia neste ano. A inquietação de justifica, diante das fortes incertezas que o cenário internacional apresenta, a ponto da Organização das Nações Unidas (ONU) prever que o Brasil conseguirá crescer em 2012, na melhor das hipóteses, apenas 2,7%. Na última quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, fazendo os juros básicos da economia passarem de 11% para 10,5% ao ano, sem viés. A decisão foi por unanimidade e seguida de uma nota em que o colegiado estava optando por um ajuste moderado do nível da taxa básica por considerar a necessidade de “mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo” e, ao mesmo tempo, proporcionar um “cenário de convergência da inflação para a meta em 2012”.

Apesar da taxa Selic não influenciar diretamente nos juros praticados no crédito de varejo, ou seja, não implica num repasse automático de corte nos juros de cartão de crédito, crediário e linhas de financiamento; sua redução atua positivamente no aquecimento dos negócios por dois reflexos: traz perspectivas positivas ao incremento de investimentos nas empresas e provoca um efeito psicológico otimista no consumo. A estratégia da autoridade monetária incentiva os negócios corporativos e a geração de emprego, duas artérias por onde fluem recursos necessários para o fortalecimento do mercado interno. Os juros mais baixos também melhoram as contas do governo ao reduzirem os custos da dívida pública. De quebra, também ajuda a conter a entrada de dólares no País e, por consequência, a esfriar sua desvalorização.

Mas só o corte da Selic será insuficiente para tornar o câmbio mais favorável às exportações, fundamentais para o crescimento da economia do País. A sobrevalorização do Real é, talvez, o maior empecilho para o Brasil ganhar competitividade no mercado internacional. Daí a necessidade, urgente, de medidas que evitem o derretimento do dólar em relação à moeda brasileira. O governo conta, em seu arsenal, com uma variada gama de armas para vencer essa batalha. Mas ele também hesita em dar um tiro muito forte e arranhar a inflação, provocando o encarecimento dos importados. A equação é difícil, mas precisa ser encontrada.

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