A apreensão de documentos e computadores nas casas e empresas do engenheiro José Luís Andreossi, ex-assessor de Oscarzinho Pimentel, e de seu sócio, Fabrício Marcolino, ex-presidente do PTN de Rio Preto, para comprovação de suposto envolvimento deles em fraude de licitação revela o quanto o jornalismo sério e investigativo é útil e necessário para um governo democrático e para o fim dos abusos com o dinheiro público. O caso da farra das emendas veio à tona em outubro passado, quando uma ex-servidora da Assembleia Legislativa acusou o ex-deputado Zé Bruno de cobrar 30% para liberar emendas a prefeitos e empreiteiros. Em seu depoimento, a mulher citou que o esquema era intermediado por um certo Fabrício. O caso foi investigado por jornalistas do Diário que acabaram por revelar que a pessoa citada no depoimento era o ex-presidente do PTN de Rio Preto. Ao ser entrevistado pela reportagem, Fabrício admitiu intermediar a liberação de verbas, mas negou a cobrança de propina. As investigações da reportagem também mostraram que Fabrício era sócio do engenheiro José Luís Andreossi, o ex-assessor fantasma de Oscarzinho.
Foi após o Diário revelar a susposta participação de Fabrício no esquema ilícito de liberação de emendas, que o Ministério Público de Nhandeara decidiu reabrir o inquérito para apurar a denúncia de direcionamento de licitação para a empresa do acusado. Os fatos eram tão contundentes que o promotor Evandro Ornelas Leal levou pouco mais de dois meses para concluir que houve fraude na licitação da reforma da creche em Floreal que destinou R$ 140 mil para a empresa do investigado. O promotor já anunciou que vai ingressar com ação civil de improbidade contra Fabrício, Andreossi e o prefeito de Floreal, Gilberto de Grandi (DEM) pela irregularidade. Em uma outra investigação jornalística, o Diário mostrou que, em menos de dois anos, Andreossi Construções e Empreendimentos, empresa dos investigados, venceu ao menos 15 licitações do Estado. O valor de 12 dos 15 contratos somam mais de R$ 3,3 milhões. Agora, esses 15 contratos serão alvos de devassa pelo Ministério Público Estadual que busca, além de provas para instruir inquérito de Floreal, também indícios de direcionamento de licitação em outras cidades da região. Esse é apenas um de centenas de exemplos em que o jornalismo contribui com as investigações oficiais. É o jornalismo a serviço do povo e a favor do bom e correto uso do dinheiro público.
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