A proposta de utilizar o Trem Caipira para passeio de apenas um quilômetro entre a Estação Ferroviária de Rio Preto até o complexo Swift, apresentada anteontem pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Carlos de Arnaldo, revela que a Prefeitura está completamente perdida e sem saber o que fazer com o projeto que já consumiu R$ 819 mil . O passeio, segundo o secretário, tem visão educativa e seria destinado a alunos de escolas públicas. Esse é o segundo projeto mirabolante que Arnaldo apresenta em sete meses. Em agosto do ano passado, o secretário teve a brilhante ideia de transformar o Trem Caipira em um ônibus de turismo, como um plano B, para salvar a composição que está há mais de um ano parada. Com isso, em vez de andar sobre os trilhos da ALL (América Latina Logística), o equipamento transitaria pela vicinal rodoviária, como o trenzinho que passeia com crianças na Represa. Por sorte, da mesma forma que surgiu, a conversa sobre os pneus do trem se foi num piscar de olhos. No ano passado, quando sonhou transformar o trem em ônibus, Arnaldo afirmou que a ALL pretendia triplicar o número de comboios de trens que passam pela região central de Rio Preto e que, por esse motivo, as viagens do Trem Caipira seriam inviáveis. O projeto original do ex-prefeito Edinho Araújo para o Trem Caipira previa o passeio de dez quilômetros entre a Estação Ferroviária de Rio Preto e a de Engenheiro Schmitt.
Agora, Arnaldo diz que vai apresentar à ALL proposta para tentar viabilizar viagens diárias e semanais ao complexo Swift. Neste caso, o passeio não será também inviabilizado pelo excesso de trens que trafegam pelo local? Como no projeto anterior, Arnaldo ainda não tem a mínima noção se a viagem de apenas um quilômetro é viável. Para utilizar a linha férrea que fica no interior da Swift, a Prefeitura terá de implantar uma alça de acesso no trecho da ferrovia que é administrado pela ALL. Qual o custo disso? Quantos minutos duraria o passeio? É possível aprender alguma coisa numa viagem tão curta? O município vai bancar todas as viagens? Alguém pagaria por um passeio entre a ferroviária e a Swift? A Swift receberá algum investimento para se tornar um ambiente atrativo para os alunos? Louvável a atitude de Arnaldo de querer dar uma finalidade ao trem que enferruja na garagem. Mas a impressão é que ele sonha com um projeto e tenta torná-lo realidade por meio das páginas do jornal. O mínimo que se espera de um secretário é que, ao divulgar um projeto, ele tenha, pelo menos, as respostas básicas de seu funcionamento e viabilidade. Do contrário, é apenas factoide.