O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a mostrar sua personalidade ambígua e, de resto, a conhecida dubiedade do Partido dos Trabalhadores, ao comparar os prisioneiros políticos de Cuba a criminosos comuns. O comentário foi feito em entrevista a uma agência de notícias estrangeira. Na prática, Lula repetiu o discurso oficial do governo cubano em relação àqueles que não aceitam enxergar no país caribenho uma ilha de justiça e bem-estar. Para Cuba, assim como para Lula, todos os que criticam a situação do país são criminosos ou estão a serviço do “imperialismo” dos EUA. No plano interno, o presidente brasileiro se comporta de acordo com o figurino estabelecido pelo mercado, ao qual dirigiu a famosa Carta aos Brasileiros, em 2002, para afugentar qualquer risco de mudanças radicais na condução do País caso fosse eleito. No plano externo, porém, Lula e seus comandados compactuam com o que há de mais atrasado em matéria de política: o apoio a Cuba, à Venezuela e ao Irã, inimigos viscerais da liberdade de expressão e violadores contumazes dos direitos humanos.
Lula se comporta como o personagem do livro “O médico e o monstro”, do escocês Robert Louis Stevenson, que tinha dupla personalidade. Conforme a ocasião, o personagem se comportava de maneira diferente e incompatível: ora como um médico altruísta, dr. Jekill, ora como o inescrupuloso mr. Hyde, um homem capaz de cometer as mais abjetas maldades. Da mesma forma, para o Brasil e o mundo, o presidente brasileiro vende a imagem de grande estadista e respeitador das liberdades e dos direitos humanos (ele próprio, no passado, sentiu na pele a perseguição da ditadura). Mas quando é o caso de denunciar e criticar as violações de direitos elementares de seres humanos, Lula se cala e sai em defesa dos algozes, tiranos perigosos e, ao mesmo tempo, folclóricos como Fidel Castro, Hugo Chavez e Mahmoud Ahmadinejad. O presidente da República deveria medir bem as palavras antes de chamar prisioneiros de consciência de bandidos comuns. Criminosos comuns são aqueles que compactuam com roubalheiras, corrupção, caixa 2 e outros crimes que não combinam com quem se propôs, um dia, combater a imoralidade e fazer um governo ético e transparente.