As obras de recuperação das avenidas Bady Bassitt e Alberto Andaló, devastadas pelo temporal do dia 18 de janeiro, vão permanecer na mesma velocidade de uma tartaruga, a julgar pelo pedido de prorrogação do prazo de entrega dos trabalhos feito pelas empresas que consertam os estragos. As empreiteiras, contratadas emergencialmente, ou seja, sem concorrência pública, ao custo de aproximadamente R$ 800 mil, alegam que as chuvas de fevereiro atrapalharam o andamento dos serviços, por isso a necessidade de um novo prazo. De fato, o índice pluviométrico de fevereiro deste ano foi superior ao de fevereiro de 2009. Foram 196,6 milímetros no mês passado, contra 184 milímetros em igual período de 2009. Desse ponto de vista, o argumento das empresas pode até parecer irretorquível. Mas aceitá-lo significa concordar que a cidade poderá permanecer com o aspecto atual de desmantelo por muito mais tempo, quando o que se quer é reparar os danos da forma mais rápida possível. Afinal, quem pode garantir que as chuvas, nos próximos dias, vão dar uma trégua? Se a contratação dos prestadores de serviço foi em caráter emergencial, para devolver a normalidade e o aspecto original às duas avenidas o mais rápido possível, não se justificam os pedidos de prorrogação de prazo para a conclusão dos trabalhos.
Se as empresas não tiveram o ônus de passar por uma concorrência, delas se espera a contrapartida de um trabalho bem feito e rápido, em caráter de emergência. Isso implica, obviamente, empenho além do normal, trabalho a toque de caixa, por assim dizer, de quem foi incumbido da tarefa. Trata-se, sem dúvida, de um desafio: o de executar os trabalhos de forma veloz e eficiente. Do contrário, seria o caso de a escolha dos prestadores do serviço ter sido feita segundo o rito ordinário, com licitação e contratação pelo critério do menor preço. A palavra final quanto aos pedidos para esticar o prazo dos trabalhos compete agora ao prefeito Valdomiro Lopes. Em tese, ele é o principal interessado em ver as avenidas restauradas. As enchentes e a epidemia de dengue estão criando a impressão de que Valdomiro Lopes é um prefeito “pé frio”, que atraiu tragédias ao município. Cabe a ele agora demonstrar justamente o contrário.