O resultado apresentado pelo Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), mantido pela Associação Comercial e Industrial de Rio Preto (Acirp), em relação à evolução do crédito nos primeiros dois meses deste ano revela uma alteração no perfil da dívida dos rio-pretenses. Enquanto o volume de novos calotes permaneceu praticamente estável durante o primeiro bimestre deste ano em relação a igual período do ano passado, o pagamento de dívidas demonstrou um expressivo salto. A forte turbulência provocada pela quebra do banco Lehman Brothers em setembro de 2008, que assolou as principais economia do mundo, fez o número de casos de inadim-plência registados pelo comércio de Rio Preto saltar de 11.916 no primeiro bimestre daquele ano para 13.094 no mesmo período do ano seguinte. A crise também afetou a capacidade do consumidor em quitar dívidas. As reabilitações recuaram, na mesma comparação, de 9.255 para 8.647. Os números divulgados ontem já refletem uma outra realidade neste ano, deixando para traz as assustadoras trovoadas da crise de 2008.
Embalado por medidas de estímulo ao mercado interno, principalmente com as desonerações tributárias de bens como automóveis, material de construção e eletrodomésticos, o consumo cresceu. O cenário, agora, é de recuperação da economia, com aquecimento da produção industrial e dos empregos. Sob esta nova realidade, o volume de novos registros de inadimplência nos dois primeiros meses de 2010 (13.052 casos) apresentou discreto recuo em relação a igual período anterior e, ao mesmo tempo, o número de dívidas pagas cresceu 50% na mesma comparação, passando de 8.647 para 13.007. Apesar da proporção do calote no comércio rio-pretense ficar praticamente estável no primeiro bimestre dos dois últimos anos, o expressivo aumento de pagamento de dívidas proporcionou uma significativa melhora no perfil da dívida dos rio-pretenses. A constatação revela quão poderosos são os efeitos da inibição tributária sobre a vida do brasileiro comum. Além de fortalecer o mercado interno, ela termina por contribuir para o aumento da renda e redução da inadimplência. A economia do Brasil não precisa de um milagre para crescer, mas de simples racionalidade. Reduzir a carga tributária, portanto, é o bom senso que impulsionará o desenvolvimento.