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São José do Rio Preto, 5 de Março, 2010 - 3:00
Patrimônio abandonado


Um capítulo importante da história da região de Rio Preto está se apagando lentamente. Trata-se das estações de trem, que, conforme reportagem do Diário do último domingo, estão em franca ruína, invadidas por sem-teto, pelo mato e, principalmente, com raras exceções, abandonadas pelo poder público. No início do século passado, as estradas de ferro retiraram as cidades da região do isolamento e propiciaram o desenvolvimento econômico. Seria impossível Rio Preto, a exemplo de outras cidades, ser o que é hoje sem a chegada dos trilhos, em 1912. A estrada de ferro fez com que Rio Preto deixasse de ser a “boca do sertão” e se integrasse às regiões mais desenvolvidas do País. Em 1912, quando o trem apitou pela primeira vez nessas paragens, havia em Rio Preto 1.200 moradores e 200 residências. Dezesseis anos depois, os números saltaram para 30 mil moradores e mil residências. Essa transformação se repetiu em outras cidades da região cortadas pela linha férrea.

O desmantelamento da malha ferroviária foi se dando de forma progressiva a partir da década de 60. O transporte de passageiros e de cargas foi direcionado para as rodovias, na contramão do que até hoje ocorre nos países de Primeiro Mundo, que ainda valorizam as locomotivas tanto para o deslocamento de cargas quanto de pessoas. As estações de trem em ruínas são o resultado desse esvaziamento do transporte ferroviário. São um retrato incompreensível da irresponsabilidade oficial em relação ao transporte de massas e de cargas, fundamental num país de dimensões continentais como o Brasil. Atualmente, existem apenas cerca de 30 mil quilômetros de linhas férreas no País, basicamente para transporte de cargas. A maioria dos trechos, porém, tem baixa utilização, o que chamou a atenção do governo para mudanças nos termos da concessão desse serviço. Mas nem tudo está perdido. Vem crescendo no Brasil o interesse pela exploração das linhas de trem com propósito turístico. De cinco linhas em 2004, elas subiram para 22 neste ano. Talvez o turismo e uma revisão nas concessões possam contribuir para tirar do abandono um patrimônio tão rico como são as linhas férreas brasileiras.

 
     
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