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São José do Rio Preto, 3 de Setembro, 2010 - 1:52
Tempos de violência


O município de Rio Preto foi assolado nos últimos dias por uma onda violenta de crimes contra a vida. Em apenas oito dias, as polícias Civil e Militar registraram dois latrocínios (roubos seguidos de morte) e quatro estupros. Anteontem, em menos de 12 horas, outras duas pessoas foram assassinadas. Desde o início do ano, entre latrocínios e homicídios, 22 pessoas já tiveram a vida ceifada por criminosos na cidade. Restaram aos familiares das vítimas dor, tristeza, inconformismo e sensação de impotência. “Ó meu Deus, o que fizeram com o meu filho?”, perguntava o pai Hélio Mendes de Abreu Prado, debruçado aos prantos sobre o caixão do filho, o eletricista de autos Carlos Renato Cardera Prado, 29 anos. Prado foi assassinado por volta das 16h de anteontem, no bairro Duas Vendas, vítima de um suposto crime passional. Ele foi alvejado quando conversava com uma amiga na frente da casa dela. Um ex-namorado da moça teria passado pelo local de moto e disparado várias vezes contra a vítima, simplesmente porque não gostou de vê-lo ali ao lado da moça. Sete tiros o acertaram na região do glúteo e coxas. O eletricista morreu no centro cirúrgico do Hospital de Base. Ontem, cerca de 200 pessoas compareceram ao Cemitério São João Batista para a última despedida.

Um dia antes, foi o aposentado Adão Rodrigues da Silva, 64 anos, quem cumpriu a dolorosa tarefa de sepultar o corpo da filha, a enfermeira Dilene Patrícia da Silva, 26 anos. A jovem foi assassinada na noite de terça-feira, quando voltava da casa do namorado, no bairro São Jorge. Num dos cruzamentos do bairro, ela foi interceptada por uma dupla de ladrões que tinham a intenção de roubar sua motocicleta Honda 350. Uma das hipóteses da polícia é a de que os criminosos tenham atirado no momento em que Dilene, assustada, teria acelerado o veículo. Ela levou seis tiros à queima-roupa e morreu instantes depois do crime. Inconformado, o pai clamou por justiça e mudança no Código Penal Brasileiro. “Da forma que está (a lei), esse vagabundo que matou a minha filha estará nas ruas logo e ainda pode voltar a cometer brutalidades.” Já um dos vizinhos chegou a pedir pena de morte aos assaltantes. A Polícia Militar foi rápida e conseguiu prender imediatamente os acusados da morte de Dilene. Mas o assassino de Prado ainda continua solto, assombrando a vida da ex-namorada e aguçando a fúria dos familiares do eletricista. Que a Polícia Civil, por meio de investigações, seja, agora, tão eficiente quanto foi a PM. Que não permita que a impunidade impere nesse caso e que o responsável seja colocado o quanto antes atrás das grades.


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