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São José do Rio Preto, 1 de Setembro, 2010 - 1:52
Conflito à vista


O próximo presidente do Brasil não vai encontrar moleza em seus primeiros dias de governo. Pelo contrário. Quem sair vencedor das urnas deve se preparar para enfrentar a pressão que virá das ruas em relação ao valor do salário mínimo. Isso porque o projeto de Lei Orçamentária para 2011 não prevê ganhos reais para o salário mínimo e, portanto, o próximo reajuste previsto certamente estará carregado de antipatia. O projeto de Lei Orçamentária foi entregue pelos ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, e de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, ao presidente do Congresso, senador José Sarney. O valor previsto é o resultado de uma fórmula indigesta: o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores (em 2009, ficou negativo em 0,2%), mais a inflação. Assim, no fim das contas, o valor que saiu da cartola foi o de R$ R$ 538,15, exatos R$ 28,15 acima do atualmente em vigor. Paulo Bernardo tem muitos argumentos técnicos para defender o valor. Primeiro, que foi aplicada a mesma regra para correção do salário mínimo praticada desde 2007. Segundo que, com o crescimento da economia este ano em torno de 7%, o salário mínimo terá uma compensação em 2012. Além disso, tem o impacto na folha da Previdência e outros reflexos. Por mais virtuosos que sejam esses motivos, é difícil para o assalariado ou previdenciário se conformar que em 2011 terá uma recomposição de seu ganho inferior a R$ 30, na esperança de algo melhor em 2012.

Assim, está agendado um forte conflito de interesses para os primeiros meses de 2011 e não será surpresa se a panela de pressão começar a soltar os primeiros chiados já em dezembro. Isso porque, passada a euforia da vitória na corrida presidencial, seja qual for a legenda, os aposentados e trabalhadores de baixa renda vão pressionar por ganhos maiores. Mas nem tudo está perdido. Se o novo mandatário tiver sensibilidade e uma boa articulação, ele poderá canetar um reajuste maior para o salário mínimo em 2011. Com isso, assegura o esvaziamento da pressão popular e abre espaço para uma lua de mel com o eleitor de baixa renda, um fator importante para o início de qualquer novo governo. Tudo isso, é claro, sem comprometer ainda mais os combalidos cofres da Previdência. Será um dos primeiros testes de competência política do próximo ocupante do Palácio do Planalto.

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