Inaceitável e criminosa a tentativa de agressão sofrida pela equipe de reportagem do Diário na última sexta-feira à noite, em churrascada de cunho eleitoral ocorrida próximo à escola Vitor Brito Bastos. Cinco pessoas que estavam no evento, que contou com a presença do candidato a deputado estadual Itamar Borges (PMDB), cercaram o carro onde estavam os repórteres do Diário e desferiram pontapés no veículo, além de ameaçar e insultar os jornalistas. A reportagem tinha ido até o local para investigar denúncia de suposto crime eleitoral. De acordo com a legislação, distribuir carne e bebida a eleitores configura compra de votos. A punição para o candidato que for flagrado nesta situação vai de multa à cassação do registro. Pessoas que estavam no evento confirmaram a farta distribuição de comes e, principalmente, de bebes, com caixas e caixas de cerveja chegando ao local. Do lado de fora, a reportagem conseguiu registrar o discurso de Itamar e de um empolgado locutor que pedia votos, citando o número do candidato.
Indagado ontem sobre a tentativa de agressão, Itamar fez-se de desentendido e disse que já tinha ido embora quando o crime ocorreu. A verdade é que o candidato não pode se fazer de Pôncio Pilatos: a tentativa de agressão só ocorreu porque alguém entendeu que a reportagem poderia prejudicar a sua candidatura, e decidiu que o melhor a fazer era partir para covardia e intimidar os jornalistas. Ou será que é normal pessoas que estão em um churrasco qualquer saírem distribuindo pancadas no primeiro carro de reportagem que encontram? Na tarde de ontem, a reportagem do Diário esteve no Plantão Policial e relatou o que ocorreu na noite de sexta-feira. O desenrolar de todo processo será acompanhado de perto por este jornal, porque não foi apenas uma tentativa de agredir funcionários do Diário que faziam seu trabalho: foi uma violência contra o princípio constitucional que garante a todos os veículos de comunicação o direito de informar a sociedade. Não vivemos na época do coronelismo nem nos rincões do País, onde a ameaça e a agressão física costumam ser métodos eficientes para calar a imprensa.
Chega a ser impensável que em pleno século 21, em uma cidade próspera e rica como Rio Preto, possam ocorrer atos de selvageria e covardia contra um órgão de imprensa que estava apenas verificando in loco denúncia de crime eleitoral. É confiando nas instituições e nas autoridades que o Diário acredita que esse caso será exemplarmente investigado e punido, para que outros atos bárbaros como esse não voltem a ocorrer - seja contra a reportagem deste jornal ou de quaisquer outros órgãos de imprensa de Rio Preto e região que cumprem seu papel social e essencial de informar a população.
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