O noticiário nacional sobre as eleições presidenciais pode colocar o leitor/eleitor em dúvida. Afinal, em outubro será escolhido o presidente do Brasil ou da Colômbia?
A ligação do PT com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ganhou espaço nos recentes discursos de tucanos e simpatizantes da campanha de José Serra (PSDB) a presidente. A celeuma teve início na semana passada, quando o deputado Índio da Costa (DEM), vice de Serra, fez uma alusão à suposta relação entre os petistas e o grupo terrorista. “Todo mundo sabe que o PT é ligado às Farc, ligado ao narcotráfico, ligado ao que há de pior”, afirmou Índio em entrevista a um site do PSDB. A fala do vice provocou um bate-boca generalizado entre os seguidores de Serra e da candidata petista, Dilma Rousseff. Em resposta, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que o deputado teve um “comportamento de idiota”. Já Serra fez questão de hipotecar apoio a Índio e desafiou a presidenciável petista a vir a público e falar que não apoia as Farc. Candidato ao governo de São Paulo, o também tucano Geraldo Alckmin engrossou o coro e repetiu, durante evento político na Baixada Santista, que a ligação entre as Farc e o PT é “pública e notória”.
O assunto tem relevância? Tem, mas até certo ponto. É grave o fato de um partido político apoiar as ações de um grupo terrorista que mata, sequestra e financia o narcotráfico. Ocorre que a fala do vice de Serra ficou restrita ao discurso, sem que fosse acompanhado de documentos que comprovassem a real ligação do PT com os guerrilheiros. Falar que há petistas que se simpatizam com as Farc é uma coisa. Dizer que o partido, enquanto instituição, é ligado ao narcotráfico é outra bem diferente. O assunto ganhou tal repercussão que o ministro Henrique Neves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), condenou o PSDB a veicular em site, durante 10 dias, uma resposta do PT às declarações de Índio. “O tom ofensivo é evidente”, assinalou o ministro. Enquanto Serra e Dilma se engalfinham em questiúnculas, o verdadeiro debate sobre os rumos do País fica minimizado. As campanhas dos presidenciáveis precisam abandonar factoides e apresentar de forma clara quais os planos, metas e desafios de governo. Precisam, enfim, deixar a Colômbia de lado e colocar o Brasil no centro das discussões.
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