A abertura de processo administrativo pela Prefeitura de Rio Preto para investigar quatro fiscais do Departamento de Fiscalização do Comércio Ambulante de Rio Preto, suspeitos de cometer irregularidades na fiscalização e cobrança de taxas para o trabalho de ambulantes na cidade, remete a um dos maiores escândalos da Prefeitura de São Paulo, a apelidada Máfia dos Fiscais. Em São Paulo, a Máfia dos Fiscais foi descoberta em dezembro de 1998, durante a gestão do ex-prefeito Celso Pitta, quando vários vereadores foram acusados de cobrar propinas de ambulantes e comerciantes nas antigas administrações regionais (as atuais subprefeituras). As investigações foram deflagradas com a prisão do engenheiro Marco Antônio Zeppini, fiscal da Administração Regional de Pinheiros, que tentou extorquir dinheiro da dona de uma academia. Ná época, foram denunciadas mais de 600 pessoas em 30 processos decorrentes do esquema ilícito. A Máfia dos Fiscais, segundo o Ministério Público, teria arrecadado R$ 436 milhões com as extorsões. Até hoje, 12 anos depois, a imagem da Prefeitura de São Paulo é arranhada pelos tentáculos remanescentes da quadrilha. Em novembro do ano passado, seis envolvidos no esquema foram condenados a seis anos de prisão por formação de quadrilha e extorsão, perderam seus cargos e tiveram suspensão de seus direitos políticos.
Em Rio Preto, a Prefeitura já ganha pontos com sua aparente intolerância às irregularidades e indícios de corrupção. O processo administrativo aberto na última terça-feira pela Secretaria da Administração é resultado da sindicância aberta para apurar denúncia de desvio de dinheiro, até então, contra o fiscal Valdir Piacenti. Durante as investigações surgiram indícios de irregularidade envolvendo os fiscais Domingos Miguel Scarillo, Eliete Rodrigues Marim e Paulo Henrique Reis Homsi. Estranho é o comportamento do secretário de Desenvolvimento Econômico, Carlos de Arnaldo, que depõe contra as investigações. Arnaldo defendeu com veemência os fiscais, mesmo sabendo que a sindicância da Prefeitura já colheu indícios de ilicitude. “Não acredito que tenham cometido irregularidades, tampouco agido de má-fé contra a administração pública”, afirmou o secretário. Todos os acusados terão amplo direito de defesa, e podem comprovar sua inocência, mas é necessário assinalar que a Prefeitura acerta ao instaurar o processo e tornar as investigações transparentes. Com isso, mostra à população que não compactua com o delito e que, se for necessário, está disposta a cortar na própria carne para evitar que a cidade seja subjugada pela versão rio-pretense da Máfia dos Fiscais.
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