Opinião Editorial - Bolsa Crack- Diarioweb
Editorial
 
São José do Rio Preto, 10 de Maio, 2013 - 1:50
Bolsa Crack


A apelidada Bolsa Crack, lançada ontem pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e que destina R$ 1,3 mil mensais à internação de dependentes químicos, é uma luz que surge no fim do túnel para reacender a esperança de centenas de famílias de dependentes químicos. O projeto é polêmico e não são poucos os que comparam, por exemplo, o valor do benefício com o salário mínimo - acusando o governo estadual de desperdiçar dinheiro público. Mas a proposta é válida e incontestavelmente muito mais barata que o Estado ter de construir hospitais e pagar salários de equipes multidisciplinares para a realização do tratamento. Em Rio Preto, por exemplo, não há um único hospital público exclusivo para tratamento de dependente químico, o que rende críticas frequentes à Prefeitura por representantes do Ministério Público e da Justiça, principalmente da Vara da Infância e da Juventude. A cidade tem apenas o Hospital Psiquiátrico Bezerra de Menezes, que destina poucos leitos à desintoxicação de viciados. Mas, como esse tipo de serviço é de curta duração - no máximo 30 ou 40 dias -, o êxito do tratamento também é reduzido. Agora, o Bolsa Crack - cujo nome oficial é Cartão Recomeço - vai permitir que dependentes químicos que jamais poderiam custear a recuperação se reabilitem em comunidades terapêuticas particulares credenciadas para o serviço, num período de até seis meses.

Partindo do princípio de que o dependente químico também tem direito à saúde como qualquer outro doente de câncer e aids, a iniciativa do governo merece muito mais apoio e aplausos que críticas. Se for levada à risca, vai a médio prazo trazer mais economia que prejuízo para os cofres públicos. Menos dependentes químicos nas ruas significa também menos furtos e roubos para a manutenção do vício. E, consequentemente, menos presos nas cadeias para serem sustentados pelo dinheiro suado do contribuinte. É hora de dar crédito ao programa Recomeço e uma chance de libertação para esses dependentes presos pelos grilhões do crack. Já o Estado deve repensar o veto do benefício aos adolescentes. Em tese, por serem mais novos no vício, têm muito mais chance de recuperação do que um veterano no crack. As justificativas para não contemplar os menores não são convincentes. A ideia do projeto é boa, sem dúvida, mas é preciso acompanhar sua execução e sua eficácia. De nada adianta investir milhões de reais se a taxa de recuperação ficar próxima a zero. Mas é uma atitude corajosa do governo do Estado que pode contribuir para reduzir a criminalidade - e que, portanto, merece apoio da sociedade.


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