Uma coisa interessante para se pensar nessa época é o quanto a história é importante e também o quanto devemos nos inspirar e nos aconselhar com ela. Nessa crise das dívidas soberanas da zona do Euro - formada, há 13 anos, por 17 dos 27 países que compõem a União Europeia com a mesma moeda em comum - já se ouve aqui e acolá uma expressão que nos foi muito cotidiana até alguns anos atrás: “A Década Perdida”, que no nosso caso se referia às décadas de 1980 e 90 em que convivíamos com um crescimento da economia anêmico e com crises recorrentes quanto à nossa capacidade de honrarmos as nossas pesadas obrigações da dívida soberana. Só para rememorarmos, na década de 80 recorremos duas vezes ao hoje tão famoso “default” (descumprimento de qualquer cláusula importante de um contrato que vincula devedor e credor) de nossa dívida soberana, tanto pelo enorme estoque da dívida angariada após anos de crescimento rápido e investimentos pesados do Estado em infraestrutura, como pela disparada dos juros desta dívida causada pela recessão advinda dos dois choques do preço do petróleo na década de 70. Esse preâmbulo serve para mostrar como apesar da trupe ser diferente o “circo” é o mesmo. Mais uma vez vemos o mundo enfrentando uma crise pelo excesso de endividamento de países, com o agravante que desta vez são os chamados de desenvolvidos e suas dívidas em relação ao PIB mundial são bem mais relevantes. Posto isso podemos passar nossa experiência de reorganização e recolocação do país no rumo da normalidade e do crescimento. Experiência essa das coisas que não devem ser feitas, tais como planos heterodoxos, confiscos, congelamentos, protecionismo, imobilismos em relação a reformas e tantas outras que nos desviaram ou atrasaram a reorganização econômica.
E do certo a se fazer, tais como a reorganização das contas públicas, renegociação das dívidas de Estados e municípios e concentração das atividades do Estado em áreas pertinentes à sua participação, com a privatização de áreas que não fazem parte do seu conjunto de necessidades do público. Além do grande ajuste feito no sistema financeiro, em meados da década de 90, através do Proer, tão injustiçado pelo grande público, mas que hoje mostra o seu acerto em nos entregar um mercado bancário sólido e líquido. A Europa e principalmente a zona do Euro vivem esses desafios. Talvez em escala bem superior e de aplicação mais complicada, por ser Estados soberanos intervindo uns nos outros. O problema é bem semelhante ao vivido por brasileiros nas últimas décadas e, apesar daquela máxima que diz que “muito me assusta um mundo que me tem como exemplo”, cada vez mais teremos que aceitar essa missão, pois graças ao nosso acertos hoje temos uma economia muito mais relevante e inserida no mundo.
FREDERICO MARCONDES DO AMARAL
Agente de investimentos; Rio Preto (frederico@valorforte.com.br)
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