› São José do Rio Preto, 25 de maio de 2012
 
Busca avançada
Artigos
 
São José do Rio Preto, 31 de Janeiro, 2012 - 1:50
O devastador crack

Claúdio Santos de Moraes

Como não poderia deixar de ser, o “crack” é a droga mais comentada na Imprensa brasileira. Depois do susto causado pela AIDS na década de 80, ele pode ser considerado a maior desgraça criada pelo homem visando enriquecimento. Mal que vem atingindo um número de pessoas cada vez maior e não se encontrou tratamento eficiente para livrar o usuário de sua dependência, que é fácil e rápida, mas a cura é difícil, lenta e sacrificante e sempre sujeita a recaída. Sabemos que há outros tipos de drogas ilícitas, mas não tão maléfica e epidêmica como o “crack” que vem afetando pessoas de todas as classes sociais, principalmente jovens, adolescentes e até crianças. O “craqueiro” se vicia facilmente e se torna um usuário compulsivo incontrolável. Transforma-se em verdadeiro zumbi. Não tem a mínima consciência do que seja vida social e familiar e, para obtenção da droga, faz qualquer coisa. Vão da prostituição ao cometimento de graves crimes e até perdem a vida violentamente em razão do vício. São totalmente controlados pelo “crack’. Sabem que precisam de tratamento para parar, mas não conseguem dominar a compulsão. São destruídos em todos os sentidos. Precisam de ajuda, mas não a aceitam porque o poder da droga é maior e faz com que repilam qualquer auxílio. Diante de tal comportamento, ele deve ser considerado como portador de doença mental grave e de perigo social constante. Necessitando, assim, de tratamento hospitalar compulsório, uma vez que, geralmente, ele se recusa a fazê-lo. Na situação em que se encontra, deve ser considerando mental incapaz. Necessitando de recomendação psiquiátrica para efetivar a internação involuntária ou compulsória e local estruturado para tratá-lo. Em sendo menor, há duplo motivo para internação compulsória, uma vez que, além da incapacidade mental, há a incapacidade civil.

A Lei 10.261/2001 prevê a possibilidade de internação involuntária ou compulsória para tratamento de doença mental, onde a dependência química que causa perigo social, familiar e ao próprio doente pode ser enquadrada e o psiquiatra, com a assistência de pessoa da família do doente, pode recomendar tal internação. Contudo, como o poder público não dispõe, como deveria, de local estruturado para tratar tais dependentes, principalmente quando se trata de adolescentes, os mesmos são relegados à própria sorte. Em razão desse abandono por parte do poder público e haver muitos adolescentes nessa situação, o Ministério Público propôs várias ações civis públicas contra o Município e a Fundação Casa para que disponibilizem tratamento de drogadição compulsório aos necessitados. Da Fundação Casa pretendemos que o tratamento ambulatorial dos internos seja feito na própria entidade, aproveitando o período em que estão reclusos e em abstinência. É mais prático e eficiente do que levá-los aos deficitários postos de atendimento do SUS da cidade, expondo-os a constrangimentos perante usuários do sistema ao serem conduzidos algemados e uniformizados. Do município pretendemos que disponibilize tratamento voluntário aos que quiserem fazê-lo e, nos casos mais críticos, que proceda a internação compulsória. Infelizmente, o Município e a “Febem” procuram se eximir ou protelar tais obrigações. Ora as atribui a outrem; ora que não dispõe de verbas para tanto; montam local com estrutura inadequada para dizer que atende; ou simplesmente alegam que não tem na cidade lugar para efetuar tratamento compulsório. Estamos aguardando a Justiça decidir. Porém, entendemos que, as escusas do poder público são injustificáveis. Ele tem a obrigação de atender essa demanda. É direito do cidadão. Se a Justiça não exigir tal cumprimento com aplicação de multa pela inadimplência, os gestores nada farão para minorar o sofrimento dos necessitados. Não podemos ignorar o ardor da pimenta nos olhos dos outros porque não sentimos no nosso.

CLÁUDIO SANTOS DE MORAES
Promotor de Justiça da Infância e da Juventude de Rio Preto

Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital

 
     
› MAIS ARTIGOS
25 de maio, 2012
Juventude e limites

24 de maio, 2012
Fé humana e divina

23 de maio, 2012
Último pedaço do menino pobre

22 de maio, 2012
Aroma de Santa Rita

20 de maio, 2012
Palavras

19 de maio, 2012
Prioridade das prioridades

Leia mais sobre Artigos
 
Portal Diarioweb DiarioWeb no Facebook!
Projeto Saúde Sustenável
Condominium
Imóveis
(17) 4009-3333
Consultoria e Cerimonial
Rosa X
(17) 3224-8353
Imobiliária
Gurupi
(17) 3214-7000
Imobiliária
Interplan
(17) 3304-6007
Home | Institucional | Economia | Cidades | Geral | Esportes | Saúde | Política | Meio Ambiente | Estradas | Tecnologia | Educação | Opinião | Opinião do leitor | Artigos | Editorial | Classificados | Divirta-se | Atendimento | Promoções | Fotojornalismo | Vídeos | PodCasts | Blogs | RSS | Jornal na Educação
Diarioweb® Todos os direitos reservados // Atendimento Design e desenvolvimento MagicSite