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São José do Rio Preto, 20 de Janeiro, 2012 - 1:50
A água do nosso dia a dia

Délcero César Wolf Ravazzi

Mais de cem anos de desperdício. A cidade cresce, expande-se. A cada ano que se passa, isso ocorre a velocidades maiores. Sim, necessitamos de recursos naturais para a perpetuação de nossa espécie. Dente eles, o ouro do futuro é o que mais pede socorro. Esse ouro representa 70% do nosso corpo. A água! Estamos tendo o cuidado necessário com ela? A preocupação com a qualidade e quantidade de água disponível já existe (mas só na esfera do pensamento...). Até houve comentários de que nossa cidade chegaria ao momento de ter que buscar água no rio Grande, a mais de 70 quilômetros de distância! Buscar água, irônico não?! Nossa São José do Rio Preto é cercada por mananciais e muitos deles abastecem o cartão postal da cidade, a Represa Municipal, que, por sinal, vai muito mal. O assoreamento silencioso vem aumentando e diminuindo a capacidade de armazenamento de água. Em breve teremos mais uma ilha no lago 3. Ou vocês não observaram que as árvores que lá estão não foram plantadas? Apesar disso, há planos para construir outra faixa de avenida (com sua ponte estaiada), diminuindo ainda mais a impermeabilização do solo.

O córrego dos Macacos, mais precisamente, está em situação muito crítica e é de lá que provém a maior quantidade de água que abastece a Represa Municipal. Esse pequeno rio é vítima de assoreamento, lançamento de esgotos, derramamentos de produtos químicos, perda de vegetação ciliar... Ainda assim, ele sobrevive. Poucos conhecem o manancial dos Macacos, mas há rio-pretenses preocupados e com uma visão avançada do problema, que se dedicam anonimamente na preservação daquela região. Estes rio-pretenses se esforçam em ações (e não preocupações) que deveriam ser realizadas pelo poder público, como recuperação de áreas degradadas, preservação de áreas verdes e também a conscientização da população. Contudo, o poder público prefere fechar os olhos ao que realmente importa e continuar incluindo áreas no perímetro urbano sem critérios, sem estudos de impactos ambientais e sociais. Esta “cultura” tem que mudar e rapidamente. Não se pode deixar de comentar que a cada ano gasta-se uma fortuna para tratar esta mesma água que chega a nossas casas. Esses recursos poderiam ser investidos em outros itens primordiais em nossa cidade se houvesse mais ação em preservação dos mananciais. Doenças de veiculação hídrica seriam menos prevalentes, teríamos maiores opções para lazer e melhor qualidade de vida da população, conciliando o nobre uso da água para fins humanos com proteção da biodiversidade, sendo exemplo para outras cidades de São Paulo. Façam uma reflexão: o que falta para chegarmos nesse ponto?

DÉLCERO CÉSAR WOLF RAVAZZI
Funcionário público municipal; Rio Preto

Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital

 
     
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