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São José do Rio Preto, 14 de Março, 2010 - 1:09
Dengue, nova fronteira

Domingo Braile

Com a difusão da doença é impossível ficar alheio a ela, pois, estamos diante de uma epidemia de difícil controle, que causa muito sofrimento e pode levar à morte na sua forma hemorrágica. Se formos ao dicionário veremos que a origem do seu nome é até hilária, uma vez que assim o define o Houaiss: “Dengue, adjetivo, mesmo que - dengoso, substantivo masculino - denguice e como substantivo feminino na rubrica infectologia - doença infecciosa, de origem viral, transmitida ao homem pela picada de mosquitos, esp. Aedes aegypti, caracterizada por febre muito alta, cefaléia, dor no corpo, fadiga”. Na busca mais avançada, vemos que a palavra Dengue, vem do espanhol e quer dizer “melindre”, “manha”. O nome faz referência ao estado de moleza e prostração em que fica a pessoa contaminada pelo vírus. Esta virose atinge mais de 100 milhões de pessoas todos os anos mundo afora, predominando nos países tropicais e subtropicais, aumentando exponencialmente nos períodos quentes e chuvosos. O Brasil apresenta condições ideais para que esta doença se alastre e fique perene, caso medidas drásticas não forem tomadas, com a intervenção das autoridades sanitárias e a indispensável colaboração irrestrita de toda a população! Uma fêmea do mosquito produz até 1.000 ovos, que podem sobreviver até um ano em superfícies secas, eclodindo quando com as chuvas entram em contato com a água. Em uma semana os ovos se transformam em mosquitos que podem ser facilmente identificados: são de cor negra, com as pernas listradas, como se usassem meias com faixas claras e escuras. Somente as fêmeas, picam os seres humanos, transmitindo o perigoso vírus. O homem é o principal reservatório do vírus de forma que onde existirem mosquitos e pacientes acometidos pela Dengue, toda a população ao alcance das fêmeas dos insetos, estarão em risco de contrair a doença.

Fica fácil entender que nas cidades, com a maior concentração de pessoas a propagação da epidemia fica facilitada. Existem quatro tipos de vírus da Dengue, doença para a qual não existem vacinas. Para piorar as perspectivas sabemos hoje, que os quatro tipos de vírus são muito diferentes uns dos outros, dificultando a produção de uma vacina efetiva. Matar todos os mosquitos é tarefa praticamente impossível. Recentemente, contudo surgiu uma perspectiva nova e muito atraente. O pesquisador Dr. Guoliang Fu e colaboradores, do Departamento de Biologia Molecular e Bioquímica da Universidade da Califórnia, publicaram o trabalho: “Female-specific flightless phenotype for mosquito control” (Fenótipo específico de fêmeas incapazes de voar, para controle dos mosquitos). Desenvolveram uma técnica de manipulação gênica que provoca alteração em um gene especifico do Aedes aegypti, de tal forma que os insetos machos transgênicos são aparentemente normais, mas ao cruzar com as fêmeas, estas produzirão ovos que ao eclodirem darão origem a machos que voam e fêmeas sem asas! Estas fêmeas não podendo voar, não poderão nos picar, e os vírus não nos infectarão. Os machos transgênicos fertilizando as fêmeas normais, fará que elas produzam fêmeas sem asas e machos transgênicos que voam! Em um tempo as fêmeas normais serão extintas e o que poderá nos incomodar será apenas o zumbido dos machos, inofensivos na transmissão da Dengue. Esta é a medicina preventiva do futuro que está batendo às nossas portas! Os organismos transgênicos já são uma realidade na agricultura e logo as ciências médicas se beneficiarão dos conhecimentos que levarão a curas inimagináveis no presente.

DOMINGO BRAILE
Prof. emérito da Famerp e sênior da Unicamp. Diretor da Pós-Graduação da Famerp. Membro da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura

 
     
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