Sustentabilidade tornou-se palavra da moda e, infelizmente, ao deixar de causar estranhamento, deixa também de sensibilizar e provocar uma reação. Muitos a veem como uma questão meramente ambiental, resumindo-se ao gás carbônico na atmosfera, árvores plantadas e reciclagem do lixo. É apenas a ponta do iceberg. A questão é muito mais abrangente e precisa ser difundida para criar nas pessoas sentimentos de responsabilidade e, posteriormente, ações. Práticas sustentáveis são hábitos que precisam ser incorporados ao nosso comportamento. O problema não envolve apenas o desmatamento e as grandes questões de poluição e meio ambiente. Pequenas atitudes nossas fazem a diferença. A mãe que ensina o filho a apagar as luzes e a economizar água está colaborando. Assim como o pai que não joga lixo na rua e planta árvores em frente de casa. A sustentabilidade tem que estar presente em todos os momentos da nossa vida, englobando aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais, norteando as atitudes de cada ser humano no planeta Terra. Vivemos um momento peculiar da história, no qual empresas e pessoas precisam se reorganizar para se adequar a esta nova realidade. As indústrias, em especial, precisam ver as leis ambientais não como sinônimo de prejuízo ou redução de lucro. Elas se fazem necessárias para garantir a igualdade e a qualidade de vida para todas as pessoas. Há a necessidade de mudanças no perfil do empresariado, que precisa se atentar que as questões ambientais são refletidas em toda a cadeia produtiva, desde a matéria-prima até o consumo final.
A indústria atua como um catalisador do processo ambiental sustentável. Como diretor regional do Ciesp, defendo que todos, indústrias e cidadãos, não se omitam diante desta “realidade inconveniente”, fazendo uma referência ao filme “Uma Verdade Inconveniente, do ex-vice presidente americano Al Gore, com quem tive o prazer de conversar. Já temos bons exemplos de empresas que se adiantaram nessas questões e se preparam para um futuro onde haverá cobrança para o uso da água e uma exigência cada vez mais forte do consumidor por produtos que respeitem pessoas e meio ambiente em sua cadeia produtiva. Sustentabilidade, mais que uma palavra bonita, é a chave para a sobrevivência da raça humana. É fundamental que todos se conscientizem de que é a prática de atividades que garantam nossa presença no planeta, preservando a biodiversidade e os ecossistemas naturais e que permitam que as gerações futuras também possam produzir e usufruir dos mesmos recursos presentes hoje. Especialistas de todas as regiões do mundo já declararam que se não fizermos nossa lição de casa a vida no planeta ficará insustentável. Mas é interessante refletirmos que, na verdade, não é a Terra que corre o risco de acabar, pois esta continuará existindo, girando em torno do sol, por milhões de anos. Pode, no entanto, não ser tão azul. E tenham certeza que, se nosso planeta ganhar tons de cinza, quem estará extinto será a raça humana. Se realmente gostamos de nós mesmos, de nossos filhos, da humanidade, é fundamental agirmos enquanto é tempo. Temos que alterar hábitos de consumo e de estilo de vida, colocando em ação práticas sustentáveis. É preciso agir e agora, pois disso depende a sobrevivência da vida e a continuidade da disponibilidade dos recursos naturais.
FERNANDO LUCAS
Diretor Regional do Ciesp de Rio Preto e presidente da Ong Acordem e Progresso