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São José do Rio Preto, 12 de Março, 2010 - 1:02
A mulher, a violência e o debate

Beth Sahão

O Dia Internacional da Mulher, ao longo dos anos, tem sido vinculado às reivindicações femininas por melhores condições de trabalho, justiça e igualdade social. É neste momento, em que as atenções estão voltadas para as questões da mulher, que se deve aproveitar para promover uma reflexão. Especialmente, sobre abusos de toda espécie. Lamentavelmente, os episódios de violência contra a mulher continuam a se repetir. Não importa se verbal, física, sexual, financeira, doméstica. Só mudam as personagens.
No ano passado, tivemos um caso que ganhou repercussão nacional e envolvia a estudante de turismo Geisy Arruda, de 20 anos. Ela precisou ser escoltada da Uniban, em São Bernardo do Campo, por estar usando uma minissaia nas dependências da faculdade. Um episódio típico de violência, preconceito e intolerância.
Mais recentemente outros dois casos tomaram conta dos noticiários locais. Em São José do Rio Preto, numa das situações, um homem sequestrou a ex-mulher e a manteve em cativeiro por dois dias, agredindo-a sistematicamente. Felizmente, ela conseguiu escapar. No outro, um rapaz atacou a ex-namorada, ferindo-a com uma barra de ferro. Depois, passou com o carro em cima por duas vezes e jogou-a num rio. Ainda ligou para a família dela, avisando que havia matado a garota. Também felizmente ela ainda estava com vida quando foi encontrada pelos familiares. É também violência o tráfico de mulheres que tem se intensificado nos últimos anos. Há hoje uma indústria especializada nesse tipo de crime, que explora a feminização da pobreza. São mulheres que iludidas com a possibilidade de melhores salários e condições de vida se aventuram num outro país. Quando chegam, seus passaportes são tomados. Passam a ser tratadas como escravas sexuais e torna-se um calvário a volta para casa.

Fica portanto demonstrado que, muitas vezes, ainda hoje, depois de anos de lutas, a mulher não é tratada com respeito e dignidade. Em muitos casos, são tratadas como propriedade, trazendo em si resquícios de uma sociedade que, em pleno século 21, ainda parece viver e apreciar a barbárie. Não podemos silenciar diante de fatos como esses ou mesmo compactuar com atitudes impregnadas pelo machismo. Precisamos continuar a nos indignar e impedir que atitudes de violência sejam elas de qual espécie for voltem a se repetir. As mulheres precisam sim se engajar cada vez mais nas lutas sociais e nas esferas de poder. Só assim, passo a passo, o gênero feminino irá conquistando e sedimentando seu espaço, provando competência e força de trabalho. É fato que a cada geração as mulheres ficam mais independentes e as conquistas vão crescendo. Mas é preciso acelerar esse processo. É preciso que elas assumam a importância que ocupam nos dias de hoje para se manifestar, contestar, protestar, opinar e lutar contra as limitações e opressões impostas. O ciclo da violência precisa ser interrompido. A Conferência das Nações Unidas sobre Direitos Humanos, em 1993, reconheceu formalmente a violência contra as mulheres como uma violação aos direitos humanos. Desde então, os governos dos países-membros da ONU (Organização das Nações Unidas) e as organizações da sociedade civil têm trabalhado para a eliminação desse tipo de violência, que já é reconhecido também como um grave problema de saúde pública, devido aos agravos físicos e psicológicos que produz. O certo é que violência contra a mulher é crime e precisa ser combatido.

BETH SAHÃO
Psicóloga, mestre em sociologia e deputada estadual

 
     
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