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São José do Rio Preto, 1 de Março, 2011 - 1:50
Um enigma chamado Egito

José Froes Filho

Toda a mídia comenta exaustivamente uma revolta popular, iniciada a partir da segunda quinzena de janeiro, que se estendeu pelo norte da África e os países do Oriente Médio. O desfecho ocorreu no dia onze de fevereiro, com a renúncia do ditador Hosni Mubarak, que ocupou o governo do Egito por 30 anos. Teve origem na Tunísia, cujos protestos partiam de jovens que clamavam por liberdade, emprego e mudança do ditador Zinel el Abidin Ali, que ficou no poder por 23 anos. Pressionado, acabou fugindo. Este levante foi tão voraz que, como num efeito dominó, estendeu-se pelos países vizinhos que também pugnam por liberdade para livrar-se das autocracias, como a Argélia, Sudão, Iêmen, Jordânia, Líbia e Egito. Os protestos contra o ditador Hosni Mubarak foram estridentes e estarrecedores por 18 dias seguidos, deixando 365 mortos e 5 mil feridos, segundo fontes oficiais. Os participantes, também jovens, lutavam por liberdade, emprego e por eleições, mas não fraudulentas. O governo prometeu mudanças, mas disse que ia permanecer no poder até setembro. Os manifestantes não se conformaram e saíram da praça Tahri diretamente par ao palácio do governo. Houve tanta impetuosidade nos protestos, que o ditador fugiu para um balneário. O exército assumiu o poder e, por meio de comunicado na TV estatal, prometeu eleições livres. O vice-presidente egípcio anunciou a renúncia do ditador Mubarak. Um conselho do exército, desde logo, suspendeu a constituição e dissolveu o parlamento.

Além do enigma da esfinge, escultura da nação, criou-se mais um enigma para o Egito pós-revolução, ou seja, saber se o futuro governo poderá ser islâmico ou democrata. Vejamos as opiniões dos analistas: a revista Veja, em um trecho do colunista Diogo Shelp, assim declara: “O Egito pode caminhar para democracia, como prometem os militares ao se comprometerem com convocação de eleição para presidente? Eleger um governo por esse modo, porém, não significa instalar uma democracia no Cairo. As razões sobejamente simples são conhecidas. A maioria dos eventuais eleitores egípcios tem simpatia pela Irmandade Muçulmana, de cuja agenda não consta um item sequer daqueles que para os ocidentais definem a democracia”. O outro analista, o embaixador Cesário Melatonio (citado em artigo de Eliane Catanhêde, da Folha de São Paulo), tem outra opinião: “No Egito dois terços da população têm mais de 30 anos e metade tem internet, além de celular. Lutam não por teocracias, mas sim por liberdade, crescimento e justiça social. Apesar das dificuldades, no início e reinício, o processo do líder egípcio é positivo e deve ter um feito saneador no mundo árabe. As ditaduras que se cuidem”. Vejam o que está acontecendo na Líbia, do ditador Muammar Kadhafi, há 42 anos no poder. Também sofre protestos, mas responde-os de forma brutal usando metralhadoras e até helicópteros contra o povo, cujas mortes são ao menos 400, segundo fontes oficiais, e cerca de 2 mil, conforme estimativa da principal autoridade francesa de Direitos Humanos, François Zimeray, além de muitos feridos. Kadhafi diz que só sairá morto, o que lamentavelmente poderá ocorrer se não renunciar. As principais nações do mundo são democratas. Logo será a totalidade. Aliás, já está começando. Assim, mais uma vez, tenho que valer-me de frases do admirável político e estadista Winston Churchill, que assim disse: “Ninguém pretende que a democracia seja perfeita e sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”.

JOSÉ FROES FILHO
Advogado, ex-presidente da OAB de Rio Preto

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