A campanha eleitoral está nas ruas e, com ela, uma multidão de cabos eleitorais buscam convencer os eleitores indecisos das qualidades do seu candidato. Claro, os defeitos não se deixam aparecer, só se mostram, e com muitas cores, as qualidades. Confesso que ainda não assisti ao horário eleitoral gratuito pela televisão, mas, pelo que ouvi dizer, existem figuras que fariam corar de vergonha um Ulisses Guimarães, um Tancredo Neves ou ainda o Juscelino, não eu, e sim, o Kubistchek, o grande idealizador e construtor da capital, orgulho de todos nós: Brasília. Num futuro não muito distante, nós, brasileiros, lhes daremos o merecido reconhecimento.
Recebi dia desses, pela internet, uma mensagem dessas enviadas por amigos contando do tanto de artistas e esportistas querendo uma boquinha para “mamar nas tetas” da mãe pátria. Infelizmente, são pessoas conhecidas do grande público e, para desespero do político sério, honesto e trabalhador, surgem essas figuras para lhes tirar o voto. Nessa época de política, histórias sobre políticos famosos não faltam, entram para o folclore e muitas são lembradas durante as campanhas. Um dos maiores recordistas nas histórias é de longe Tancredo Neves. Certo pleito, durante um comício numa vilazinha lá nos cafundós das Minas Gerais, ao discursar sobre a carroceria de um caminhão colocado no meio da rua, para uma pequena multidão, Tancredo avista o filho de um correligionário muito conhecido na região e querido por todos e, claro, não perde a oportunidade de convidá-lo a subir no palanque improvisado. Junto do moço, sobre o palco, começa a derramar uma série de elogios ao seu pai. Quando termina, o rapaz, encabulado, diz a Tancredo que seu pai havia falecido há alguns meses. Tancredo Neves olha bem fundo nos olhos do rapaz órfão e, sem perder a calma, lhe diz:
- Morreu para você, filho ingrato!
Eleito governador de Minas, sua fama de apaziguador era muito grande. Numa tarde, entra em seu gabinete um deputado reclamando de um colega na assembleia. O deputado reclama, fala mal do colega, xinga, e Tancredo só olhando. Algum tempo depois, quando termina, o deputado pergunta ao governador o que ele achava daquilo tudo. O então governador, do alto da sua sabedoria, lhe diz:
- Deputado, você tem razão!
Um pouco mais tarde, entra em sua sala o outro deputado que motivou a reclamação e que, a exemplo do primeiro, também ia chorar as pitangas para o governador Tancredo. O deputado solta cobras e lagartos contra seu inimigo. O governador só olhando e consentindo com gestos de cabeça. Sentado numa mesa ao lado, o seu chefe de gabinete testemunha os dois casos sem nada comentar. Quando o segundo deputado termina, faz a mesma pergunta ao governador, a exemplo do primeiro.
- Dr. Tancredo, o que o senhor acha de tudo isso que lhe contei?
E o Dr. Tancredo Neves lhe diz:
- Pensando bem, você tem razão.
Quando o deputado deixa o salão, o seu chefe de gabinete não acredita nos dois episódios acabados de acontecer. Após a saída, Tancredo Neves continua despachando normalmente, como se nada tivesse acontecido.
Seu chefe de gabinete quebra o silêncio, perguntando ao governador:
- Dr. Tancredo, o senhor não acha que nos dois momentos o senhor ficou em cima do muro?
O governador para o que estava fazendo, olha fixamente o seu chefe de gabinete e lhe diz:
- Sabe que você tem razão!