No dia 24 de agosto o Diário publicou uma matéria (estampada na primeira página) que deixou muitos rio-pretenses preocupados: “Rio Preto registra clima do deserto do Saara no dia mais seco do ano”. O cenário de baixa umidade relativa do ar, que chegou a 11% (abaixo de 20% já é considerado preocupante), às 16:00 horas do dia anterior, foi provocado por uma massa de ar quente e seca, estacionada sobre nossa região, e fez com que a Defesa Civil decretasse estado de alerta máximo em nossa cidade. O pior é que esse clima hostil deve prevalecer até o começo da primavera aumentando ainda mais os níveis de poluentes e de material particulado, devido às piores condições de dispersão do ar. A baixa umidade relativa do ar pode causar sérios problemas para a saúde humana: cansaço e dores musculares; dores de cabeça e irritação nos olhos, nariz, garganta ou na pele; maior risco de transmissão de doenças respiratórias e de desidratação; garganta seca, voz rouca, inclusive com possibilidade de inflamação da faringe; rompimento de vasos do nariz, provocando sangramento; maior facilidade de se contrair conjuntivite viral, alérgica e síndrome do olho seco. Quem sofre com quadros mais acentuados de doenças infecciosas, como resfriados, sinusites, pneumonia, rinite ou bronquite, também pode ter o quadro agravado. O aumento de poluentes causa ainda aumento da pressão arterial e arritmia cardíaca. Por isso, enfartes e derrames são mais suscetíveis, principalmente em quem já tem problemas cardiovasculares. Portanto, todo cuidado é pouco! A baixa umidade é provocada pela falta de chuva, mas o fenômeno é muito comum nessa época do ano. Para se ter uma ideia da estiagem, Rio Preto já acumula quase três meses de seca. Essa situação normalmente é agravada pelas condições geográficas de cada local, com o aumento da impermeabilização das cidades devido a devastação do verde. Isso não provoca a baixa umidade do ar, mas agrava muito a situação.
É fundamentalmente importante o conhecimento destas questões para tentar estudar soluções para elas. A arborização urbana pode, pelas suas características, amenizar alguns destes fatores, mas algumas pessoas só se lembram das árvores quando querem estacionar o carro na sombra (mesmo que seja debaixo da árvore do vizinho). Nesse caso específico os benefícios de uma árvore como reguladora do ambiente são imensos: oxigena e filtra o ar, melhora o clima e reduz os níveis de poluição. Além de sua contribuição para melhorar a qualidade do ar e do clima, uma arborização urbana eficaz ainda reduz os níveis de ruídos (poluição sonora), através dos obstáculos que oferece à propagação das ondas sonoras, abriga e alimenta a fauna, ameniza o vento, ajuda a absorver a água da chuva, evita a erosão do solo, além de embelezar e valorizar a cidade. A árvore é a grande alquimista da natureza que transmuta o monóxido de carbono, que nos envenena, no oxigênio que nos purifica. É também grande catalisadora das energias cósmicas. Além disso, contribuem para o equilíbrio psicossocial nos transmitindo sensação de calma e conforto. Se não bastasse a ausência de árvores em nosso município, a ignorância ambiental faz com que alguns indivíduos provoquem incêndios criminosos no meio ambiente urbano, mais precisamente às margens da rodovia, pastagens e terrenos baldios (existem milhares em Rio Preto devido à “generosa” inclusão de áreas no perímetro urbano, para especulação imobiliária) prejudicando ainda mais a saúde dos cidadãos rio-pretenses. Aliás, já virou rotina, nessa época do ano, sermos diariamente contemplados com uma quantidade absurda de fuligem preta sobre nossas casas e cabeças. Ninguém aguenta mais essa situação!
ROBERTO DE CARVALHO JUNIOR
Engenheiro civil; mestre em arquitetura e urbanismo na área de Projeto e Planejamento de Assentamentos Humanos
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