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São José do Rio Preto, 29 de Agosto, 2010 - 1:50
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A morte não é uma inimiga
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O título parece um pouco estranho, mas quero demonstrar que temos que aceitar este evento como algo natural, sem que fiquemos a vida toda preocupados com o inexorável acontecimento. São Francisco dizia que é morrendo que se vive! É lamentável quando a hierarquia da morte se inverte, com a perda de jovens, contrariando a evolução natural da vida. Assalta-nos, então, um sentimento irreparável de profunda dor. Um costume antigo, presente no cotidiano dos caboclos, encerra uma filosofia que à primeira vista pode chocar-nos, mas que envolve uma grande sabedoria. Ao se despedirem, dois amigos diziam: “Compadre desejo-lhe uma boa morte”. Pensem bem, prezados leitores, talvez seja esta uma das mais amistosas maneiras de demonstrar o verdadeiro sentimento de amor e carinho pelo próximo. Após uma vida bem vivida com trabalho, alegria e satisfação do dever cumprido, nada melhor que morrer sentindo-se jovem ao final de uma longa existência. Todas estas ideias me vieram à mente quando li um artigo do Dr. George Lundberg. São palavras dele: “Os maiores inimigos dos pacientes e dos médicos são: morte prematura, doenças incapacitantes, dor e sofrimento humano”. Todas as pessoas merecem morrer com dignidade e sem dor. Ter a possibilidade de receber apenas cuidados paliativos é o desejo de mais de 80% dos seres humanos, que falecem de doenças crônicas, progressivas e incuráveis. A imensa maioria destes pacientes não deseja ser internado em um hospital e muito menos morrer em uma UTI.
Infelizmente tem sido esta a conduta adotada mesmo contra a vontade deles, representando uma forma de indescritível tortura. Esta tortura não atinge somente o paciente, mas toda sua família, que vive prolongados momentos de angústia, afastando-os do trabalho, do convívio, do lazer… enfim da vida como ela deve ser. Hoje parece ser proibido morrer em casa junto ao carinho dos familiares, dispondo de suporte adequado para evitar sofrimento. O sofrimento, a dor e a angústia de um ser que já não tem perspectivas de vida são absolutamente absurdas em pleno século 21. A chave mestra para obviar estes problemas tem que ser uma atitude sincera, sem mentiras, regidas pelo amor do médico preparado para esta missão. Os médicos têm que reaprender a ser os conselheiros que sempre foram, para que os pacientes e suas famílias sigam confiantes, suas orientações e recomendações. O médico tem um poder maior do que ele próprio imagina, pois sua conduta, quando ditada pela melhor das evidências, é seguida não só pelos pacientes e familiares, mas também por toda a equipe multidisciplinar de saúde, representada pelas enfermeiras, psicólogos, assistentes sociais etc. Desta forma, quando de acordo com o doente e seus responsáveis admitirmos que não podemos lutar contra a finitude da vida, todos os recursos excepcionais de suporte devem ser abandonados. Nada de salas de emergência, hospitalizações inúteis, internações em UTI, introdução de sondas ou gastrostomias para alimentação, intubação endotraqueal para ligar o paciente a um equipamento que vai mantê-lo respirando, quando todas as funções orgânicas, muitas vezes até as encefálicas, já cessaram. Nada de antibióticos e outros medicamentos caríssimos ou procedimentos que sabidamente não vão salvar e nem prolongar ou melhorar a vida destes sofredores. Assim estaremos agindo como verdadeiros cristãos, amando o próximo como amamos a nós mesmos, evitando sofrimentos que jamais desejaríamos.
DOMINGO BRAILE
Prof. emérito da Famerp e Unicamp; diretor da Pós-graduação da Famerp; editor da Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e membro da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura
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COMENTÁRIOS
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Jorge Gerônimo Hipólito
postado em
29/08/2010
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Cada momento termina no instante em que começa. Se não compreender isto, não compreenderá quão delicioso há nisto e não chamará esse momento de comum. Cada interação começa a terminar no instante em que começa a começar. Só quando tiver contemplado e compreendido profundamente isto, abrir-se-á diante ti o tesouro total de cada momento e da vida em si. A vida não pode dar-se a ti, se não compreenderes a morte. Deves fazer algo mais que compreendê-la. Deves amá-la, como amas a vida. Tua negação em contemplar a própria morte conduz à negação em contemplar tua própria vida. Não poderás vê-la como realmente é. Quando observas algo com atenção, vê através dele. Isto significa contemplação. Quando contemple, a ilusão desaparece. Então vês uma coisa como realmente é. Só então podes desfrutá-la plenamente. Podes, assim, desfrutar também da ilusão, porque saberás que é uma ilusão e aí está o prazer! É como um filme no qual se envolve, desfruta de toda a trama, mas quando termina, se desliga dele e esquece tudo porque sabes que nada é real. O fato de se pensar que cada coisa é real, é a causa de toda a dor. Nada é doloroso, quando se compreende que nada é real. Permita que repita isto. Nada é doloroso, quando se compreende que nada é real. Quando se compreende que a morte é também uma ilusão, então, deixa-se de sofrer e pode-se regozijar também com a morte de outros. A morte não é um fim, mas um princípio. A morte é uma porta que se abre, não uma porta que se fecha. Quando se compreende que a vida é eterna, compreende-se, também, que a morte é a sua ilusão. Uma ilusão que preocupa e faz acreditar que você é o seu corpo. Mas você não é seu corpo e, portanto, a destruição dele não te interessa. A morte deveria te ensinar que a vida é que é real. E a vida te ensina que não é a morte a ser inevitável mas sim a impermanência. A impermanência é a única verdade. Nada é permanente. Tudo está em contínua mudança, a cada instante, a cada momento. Não poderia nem mesmo existir a permanência, porque o próprio conceito de permanência depende da existência da impermanência para ter algum significado. Não se conhece o quente se não experimentar o frio. Observa isto com atenção. Contempla esta verdade. Compreende-a e compreenderá Deus. Nós sempre fomos UM somente. Vocês é que criaram a ilusão da separação para que nossa União tivesse sentido. Entretanto, ao observar sua própria vida desdobrar-se ante ti, não se deixe capturar pela ilusão. Contemple-a desfrute-a mas não seja parte dela. Você não é a ilusão, mas sim o criador desta. Tudo no mundo é ilusão. Você está neste mundo mas não pertence a ele. Por isso, utilize a ilusão da morte! Permita que ela seja a chave para compreender e desfrutar de forma melhor a vida. Se olhares a flor como uma coisa destinada a morrer, ficarás triste. Se, no entanto, veres a flor como parte de uma árvore que está mudando e que logo dará frutos, descobrirás a verdadeira beleza da flor. Quando compreenderes que o florescer e murchar da flor é um sinal de que a árvore está preparada para dar frutos, então compreenderás a vida. Observas isto com atenção e verás que a vida é a metáfora de si mesma. Recordas sempre que tu não és a flor, e nem sequer és o fruto. És a árvore, e suas raízes são profundas, fixadas em Mim. Sou a terra da qual brotou e suas flores e frutos retornarão para Mim, criando terra mais rica. Assim, a vida engendra vida e não pode conhecer a morte jamais.
Fonte: extraída do livro de Neale Donald Walsch – Conversando com Deus – Vol. III
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