O que será que está acontecendo em nosso país, com as cabeças dos mandatários em nível nacional e com o próprio povo brasileiro? A mídia está manipulando de forma perigosíssima a população, incutindo na cabeça das pessoas o que elas não querem fazer, mas que, pelo caminho subliminar, acaba por tornar comum e desejável aquilo que é nefasto e prejudicial a todos os cidadãos, menos para aqueles que manipulam os meios de comunicação em busca de resultados financeiros ou das empreiteiras e atravessadores na busca da vantagem pessoal, num processo corrupto já bem conhecido de todos os que enxergam alguns metros à frente do fato. Será que exemplos em todo o planeta não servem como modelos para o que pode e deve ser feito e o que não pode e não deve ser feito? A história nos ensina a observar erros e apreciar acertos. Repetir erros é burrice. Evitar acertos é muito mais perigoso ainda. Para que o Brasil precisa de uma Copa do Mundo? A quem realmente interessa este evento? Quanto vai realmente custar esta loucura? Para que servirão as estruturas construídas? Como serão conservadas e utilizadas depois do evento? Temos escolas em pedaços por todo o país. A África está morrendo de fome e de Aids, com raros pontos livres disto. O sonho de alguns líderes que buscavam celebridade mundial se tornou realidade. Milhões de dólares foram torrados em obras que não servem para nada depois do evento. A miséria se aprofundou e o mundo já está esquecido das imagens de forme e de dor daquelas crianças e famílias, imagens estas que estão mais sólidas do que nunca.
A saúde em pedaços, a educação em estado de calamidade, a política cada vez mais corrupta e corruptora, a juventude sem esperanças concretas, os idosos em pleno abandono, os aposentados pedindo socorro e vamos fazer sala para o mundo futebolístico para quê? Já vivemos de sonhos há 510 anos. Assaltados por vários povos colonizadores no passado continuamos a ser dilapidados por aqueles que apenas querem o poder econômico para melhor dominar a cada centímetro quadrado de nosso país. Brasileiros de bom senso e de equilíbrio: o esporte é bandeira a ser defendida, mas não este tipo que grassa em todo o território brasileiro, em especial o profissionalismo vampiresco do futebol, falso modelo de fortuna fácil e destaque social a qualquer preço. Creio que já está na hora de nossos governantes tomarem juízo e o povo já tarda em cobrar mais respeito e seriedade com a coisa pública.
ANTONIO CAPRIO
Professor, Tanabi
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