A lista dos grandes enigmas que intrigam o universo - a fórmula da Coca-Cola, o segredo da Maçonaria, o fim do mundo em 2012 etc. - ganhou um item há pouco mais de uma década, com o fortalecimento da internet. Não importa se são proprietários de veículos de comunicação, diretores, jornalistas ou o tio do bar da esquina, a pergunta é uma só: afinal, o jornal em papel vai acabar? Encaro, sinceramente, essa questão como secundária. Meu vaticínio é que o jornal em papel terá sempre seu espaço e viverá em harmonia com as notícias veiculadas em bits e bytes. Não acredito, como eu disse, que a escolha entre a informação “física” e “digital” seja o verdadeiro desafio para o admirável novo mundo que se abre ao jornalismo neste século. Ao ter o privilégio de acompanhar hoje o Diário da Região completando seus 60 anos de fundação, fortaleço a crença de que a grande batalha de quem faz o jornal no dia a dia - do Departamento Pessoal à Redação, do Administrativo ao Comercial - é garantir a integração harmoniosa entre Tradição e Modernidade. Ser tradicional não é ser conservador. Não é ser retrógrado. Tradição é sinônimo de reconhecimento pelos serviços prestados. É ser visto como porta-voz da região. É não fraquejar ao denunciar, sempre com responsabilidade, quem quer que seja. Doa a quem doer. É se aliar ao interesse público em primeiro lugar, zelar pela imparcialidade em suas páginas e, com isso, gozar de respeito e credibilidade.
Tradição não é algo perene e imutável. É uma conquista diária, que depende diretamente do quão útil é o jornal para a sociedade. Não tem a ver com a idade também. Um jornal pode ter 100 anos e ter tradição nula ou próxima a zero, justamente por não primar pelo compromisso com a comunidade. Tradição tampouco significa dar às costas ao futuro. O jornal só continuará a ser imprescindível se estiver preparado para oferecer ao seu leitor todos os canais possíveis e inimagináveis de informação. Ser moderno é ser ágil, é pular do papel para a tela do computador ou do iPhone ou Blackberry. É não ter medo das novas tecnologias, é inovar, trazer novos conteúdos, explorar as maravilhas do mundo digital. Modernidade é colocar a um clique do mouse recursos audiovisuais, para que o internauta possa se informar ou se entreter lendo uma reportagem, assistindo à TV Diário ou rindo com o Videoque Piada. Ao completar 60 anos, o Diário mostra que é plenamente possível ser tradicional e moderno ao mesmo tempo. Mais que isso, essa união é condição sine qua non para manter um jornalismo de qualidade, vivo, atento às novas mídias e compromissado com os valores de noticiar ou comentar sempre preocupado com a verdade. É possível ser sério sem ser sisudo. É possível informar e opinar. É possível ser crítico e entreter. É possível ser de papel e digital. O jornalismo do novo século será construído pelos amálgamas, não pelas exclusões. Esse é o Diário: o casamento perfeito entre o vigor dos 20 e a experiência dos 60.
FABRÍCIO CARARETO
Editor-chefe do Diário da Região
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