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São José do Rio Preto, 11 de Fevereiro, 2012 - 1:47
Piratas da internet - A Maldição do Megaupload

Bruno Ferro

Rubens Cardia
Yuri Matta Vermelho agora usa sites alternativos para baixar suas séries favoritas
Desde o dia 19 de janeiro, quando tentavam acessar o site de compartilhamento de arquivos Megaupload, os internautas depararam com um aviso de proibição emitido pelo governo dos Estados Unidos. As acusações de pirataria e de um prejuízo de 500 milhões de dólares em direitos autorais levaram o fundador do site, Kim Dotcom, e outros executivos da empresa à prisão. Eles foram acusados pelo FBI de violar leis norte-americanas antipirataria.

Além de fechar um site, o Congresso norte-americano analisa duas propostas de leis para aumentar o combate à ilegalidade na internet. Estimativas apontam que o site possuía cerca de dois milhões de visitantes únicos por mês em todo o mundo. Inclusive no Brasil, que foi considerado o segundo país que mais acessava o portal de downloads, atrás apenas da França.

O Megaupload é o maior site de compartilhamentos de arquivos, mas que efeitos a proibição pode causar? Para o consultor de informática Liniker Gallo, a proibição afeta principalmente pelo fato de o site ser o maior, mas os internautas possuem outros meios para chegar às informações e arquivos. “É uma perda irreparável, mas não acaba com a pirataria”.

O internauta Yuri Matta Vermelho, 24 anos, costumava visitar com frequência o site. “Pelo menos quatro ou cinco vezes por semana”. O objetivo era baixar filmes e séries da televisão americana como Dr. House, The Big Band Theory, entre outras. “O Megaupload era o melhor site para baixar devido à qualidade de conexão que permitia maior velocidade”, afirma.

Mesmo com o principal site fora do ar, Yuri não deixou de baixar as atrações preferidas. “Agora utilizo outros servidores que ainda não foram barrados e também baixo por torrents”. Arquivos em torrents são aqueles compartilhados por um usuário, chamado de seed (semeador). Internautas que baixam esse arquivo também passam a ser semeadores e a compartilhar o arquivo.

Para Liniker, a punição ao maior site de downloads tinha como objetivo dar o exemplo. E já vem surtindo efeito. “Alguns sites menores já começaram a alterar a conduta. Alguns retiraram o acesso para usuários dos Estados Unidos, outros acabaram com o serviço de compartilhamento”, diz. Além de filmes e seriados, o Megaupload oferecia músicas, programas de informática e a possibilidade de enviar arquivos. Por exemplo, caso precisasse enviar um número de anexos que sobrecarregaria o e-mail, o internauta poderia disponibilizar no site e enviar o link para o destinatário.

EUA estão mais rigorosos

A luta contra a pirataria na internet foi intensificada, pelo menos nos Estados Unidos. O Congresso norte-americano vai votar duas propostas que visam o combate ao compartilhamento ilegal de arquivos. O Protect IP Act, conhecido como Pipa, e o Stop Online Piracy Act, Sopa, geraram protestos ao redor do mundo, encabeçados por grandes sites como o Google e a Wikipedia.

A polêmica fez o Congresso recuar e anunciar o adiamento da votação do projeto do Pipa e deixar “em espera” o Sopa. Os dois projetos pretendem defender os direitos autorais e proteger a propriedade intelectual. Se aprovado, o Sopa prevê, por exemplo, penas de até cinco anos de prisão para os condenados por compartilhar conteúdo pirata por dez ou mais vezes ao longo de seis meses.

Além disso, sites como Google e Facebook podem ser responsabilizados por permitir ou facilitar a pirataria. Em caso extremo, a punição poderia encerrar os serviços e banir os provedores de internet em nível internacional. Na prática, os sites teriam que remover resultados de pesquisas que indicassem endereços que compartilham conteúdo pirata. Indignados com a lei, grandes sites organizaram protestos com manifestações ou a interrupção dos serviços. As empresas consideraram o ato como uma forma de censura e impedimento da liberdade de expressão. Gravadoras de músicas, emissoras de TV, estúdios de cinema e editoras de livros foram favoráveis às leis.





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