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São José do Rio Preto, 11 de Abril, 2010 - 1:47
Formspring: brincadeira vira febre virtual

Helen Ventura

Thomaz Vita Neto
O webdesigner Adalberto Carlos Assunção gosta de usar humor e ironia em suas respostas
Uma brincadeira de adolescente, a enquete de caderno - em que colegas trocavam informações através de questionários intermináveis – virou febre virtual. Novidade na internet, o Formspring.me tornou-se uma ferramenta lúdica, em que pessoas, de idades diferentes, trocam perguntas e respostas, anônimas ou não.

As perguntas são enviadas para a caixa de entrada, de onde o usuário pode responder ou excluí-las. Todas as respostas são armazenadas no perfil, onde qualquer um pode vê-las. A ferramenta permite conexões com outras redes, como Facebook, Twitter, Blogger e Orkut, possibilitando maior divulgação da rede social.

A mais nova ferramenta já atrai, inclusive, empresas e órgãos públicos. É o caso do governo do Estado de São Paulo, que aderiu ao Formspring.me como forma de interagir com os contribuintes. Para acessar, basta digitar o endereço www.formspring.me/governosp.

Atualmente, no Brasil, o Formspring.me atinge cerca de 4 milhões de usuários, mesmo número alcançado pelo Orkut na ocasião do lançamento, em 2004, num mesmo intervalo de tempo: três meses. Os dados são do Ibope Nielsen Online, junção entre o Ibope e a Nielsen, líder mundial em medição de audiência de Internet.

Em Rio Preto, a febre já atingiu centenas de internautas. Polêmico, o webdesigner Adalberto Carlos Assunção, 27 anos, gosta de usar humor e ironia em suas respostas no Formspring.me. Os assuntos são, em sua maioria, voltados para a religião. “Respondo a tudo, principalmente as provocações.”

Ele diz que conheceu a nova ferramenta através do Twitter, meio que continua sendo utilizado para fomentar as perguntas no Formspring.me. “Jogo minhas opiniões no Twitter e quem se sente incomodado já lança uma pergunta no meu perfil. Procuro responder a todos. Só não respondo questões sem fundamento.”

A publicitária e estudante de jornalismo Paula de Oliveira, 22 anos, cadastrou-se em janeiro deste ano no Formspring e se confessa viciada. “Atualizo a página sempre que posso e procuro responder a todas as perguntas. As anônimas, principalmente, me deixam mais curiosas.”

Para ela, o anonimato é bom porque encoraja pessoas que têm curiosidade e, ao mesmo tempo, vergonha de perguntar. “As pessoas ficam mais à vontade.” Ela confessa já ter deletado perguntas indiscretas. “Ficamos sujeitos a esse tipo de coisa, mas não ligo. Adoro novidades da internet. Tenho perfil no Orkut, Twitter. Quando estou de férias, fico 24 horas em frente ao computador.”

Para o estudante de informática Saulo Gonçalves Contente, 19 anos, o Formspring.me tem pouca ou quase nenhuma utilidade. Ele aderiu à ferramenta em dezembro do ano passado e já cansou da brincadeira. “O que mais tem são perguntas idiotas. Me nego a responder esse tipo de coisa. No começo até achava legal, mas depois fui enjoando.” Ainda assim, ele não pensa em desfazer o perfil. “Quando aparecem perguntas boas, interessantes, eu respondo.”

Edvaldo Santos
Paula de Oliveira: “Procuro responder a todas as perguntas”
Segurança

A estudante Thaís Marques Pisco, 14 anos, é adepta do Formspring.me. Conheceu a rede social através das amigas e diz que adorou desde o primeiro momento. “Tenho faz três meses. Acho legal porque dá para conhecer melhor as pessoas. Respondo e faço questionamentos.” Ela diz que costuma responder aos anônimos. “Dependendo da pergunta, eu deleto, mas costumo responder à maioria.”

A mãe, Alessandra Luciana Pisco, 39 anos, se preocupa e afirma estar sempre atenta aos sites que a filha visita. O marido, segundo ela, tem conhecimentos em informática e supervisiona. “Tenho dois filhos adolescentes e bloqueamos alguns sites. Mas, independente disso, damos liberdade a eles. Sempre dialogamos.”

A psicóloga Graziella Ferrari diz que a conversa entre pais e filhos é sempre importante. “Limitar, restringir, é dever dos pais. Mas é preciso manter um bom relacionamento com os filhos. O impedimento pode anular ou tornar mais difícil a abertura para os diálogos.”

Ela afirma que a exposição na internet deve ser contida. “Dar informações pessoais a pessoas anônimas nunca é confiável. Precisa ter muito cuidado. Se não bastasse isto, tudo é permitido na internet: xingamentos, ofensas, discriminação. Os adolescentes podem não ter estrutura suficiente para enfrentar esses problemas e desenvolver ansiedade, depressão. É preciso ficar atento a mudanças de comportamento.”

O estudante Leonardo Tobita Lima, 14 anos, também é supervisionado pelos pais. A mãe Valéria Cristina Tobita, 41 anos, faz questão de deixar o computador na sala. “Fico mais tranquila. Com ele próximo da gente, dá para ficar por perto, de olho.

Ainda assim, conversamos muito e procuramos confiar nele”, diz Valéria. O jovem assume que não costuma responder a questões anônimas. Somente quando percebe que é de pessoas que o conhecem. “Dá para saber quando é algum amigo que escreveu anonimamente. Do contrário, não respondo.”

Guilherme Baffi
Thaís Marques Pisco: “Dá para conhecer melhor as pessoas”


Ele aderiu ao Formspring em janeiro e diz que, se puder, fica o dia todo respondendo às perguntas. “Só não entro na internet quando meus pais me deixam de castigo por causa dos estudos.”

Falso anonimato

O analista de segurança da informação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Adriano Cancian, diz que a rede social é um fenômeno em que as pessoas se expõem por vontade própria. “Defendo o acesso à informação livre, mas com uma educação disciplinadora, orientadora. Informações hoje consideradas inocentes podem ser usadas contra a própria pessoa no futuro.

Existe um sistema na internet, que chamamos de nuvem, que guarda informações, mesmo as que foram apagadas, por anos e anos.” Para Cancian, os pais devem impor regras e restrições, principalmente quando o assunto são crianças e adolescentes.

A questão do anonimato, segundo ele, pode preocupar inicialmente, principalmente porque as situações de perigo já foram exaustivamente comprovadas. “Mas hoje existe uma falsa sensação de anonimato. Qualquer passo na internet deixa rastros. Não deixar o nome não quer dizer absolutamente nada.”

Sérgio Menezes
Arthur Angelotte: visibilidade para a banda ao usar ferramenta
Banda ganha visibilidade com a ferramenta

Apesar da utilidade lúdica, o Formspring.me também pode ser utilizado como ferramenta de trabalho. A banda Sheets Zero Um, de Rio Preto, usa a rede social para divulgar o trabalho artístico e responder a questionamento de fãs. Criada há pouco mais de um ano, em janeiro de 2009, a Sheets Zero Um tem cinco integrantes. Três deles possuem cadastro na rede.

O vocalista Arthur Angelotte, 17 anos, diz que o perfil foi criado logo que surgiu a novidade. “Descobrimos a ferramenta através da divulgação em sites de rede social. Acho bem legal. Tem uma galera que faz perguntas interessantes. Algumas dão até medo de responder”, brinca.

Em casos de perguntas “zoadas”, como ele mesmo diz, é preciso ter jogo de cintura. “Muitas pessoas não gostam da banda e fazem perguntas cabulosas. Mas não tem problema, faz parte. Procuramos responder a todas.” Segundo ele, o uso do Formspring com o Twitter fez com que a banda ganhasse mais visibilidade. “Deu um upgrade.

Muito mais pessoas conhecem a gente atualmente. A internet tem ajudado bastante na divulgação do nosso trabalho.” As atualizações são feitas diariamente pelos três membros do grupo. “Quando consigo, fico o dia todo respondendo.”

Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital

 
     
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