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A vida na era da rede social
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São José do Rio Preto, 21 de Agosto, 2011 - 1:50
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Sites de relacionamento viram salas de encontro e desencontro
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Thomaz Vita Neto
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A dentista Natália Prado de Souza Motta com o marido, Gustavo: conversas pelo MSN acabam em casamento
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Com a popularização das redes sociais na internet, aos poucos o mundo virtual copia da sociedade “real” suas melhores e piores características, e se torna um complemento da vida das pessoas, sala onde acontecem encontros, desencontros, brigas, onde as pessoas fazem amigos, inimigos, conhecem seus futuros pares, conseguem emprego ou são vítimas dos piores xingamentos.
Hoje em dia, é raro conhecer alguém com menos de 50 anos que não possua pelo menos uma conta em alguma rede social, seja MSN, Orkut ou Facebook, que são os mais conhecidos e utilizados no Brasil. Diante de tanta procura, há experiências de todo tipo. Existem os que têm boas histórias, como é o caso da dentista Natália Prado de Souza Motta, 22 anos, e do gerente financeiro Gustavo Zini da Motta, 27 anos, que se conheceram pelo MSN há três anos e no mês passado completaram um ano de casados. Ou o estudante de gastronomia Yuri Bolsoni Pazoto, 19 anos, que conseguiu um estágio no Rio de Janeiro com uma renomada chef de cozinha por meio do Twitter.
E o caso de pessoas que têm problemas com as redes sociais, como o pesquisador Kléber Varnier, 37 anos, que está sendo vítima de difamação pelo Facebook, e a estudante Bruna Trefilo de Melo, 15 anos, que sofreu ameaças pelo Orkut, o que fez com que sua mãe cancelasse a conta da menina na página da internet. A também estudante Marcela (nome fictício), 26 anos, terminou um relacionamento depois de descobrir traições virtuais do namorado.
Para a psicoterapeuta Ana Cristina Penteado Lopes Kfouri Trazzi, o importante no uso das redes sociais é saber avaliar com quem você se relaciona pela internet e quanto tempo de sua vida você dedica a isso. “As redes sociais devem ser um complemento, não uma única maneira de se relacionar. Estar conectado sempre será saudável se não for um substituto de outras vias de acesso às pessoas. Os cuidados devem ser sempre tomados para que não se corra o risco de se expor e com essa exposição estar à mercê de pessoas mal intencionadas. Como não abrir a porta de casa antes de ter certeza de quem está do outro lado.”
Como tudo o que acontece no mundo virtual é separado por uma tela de computador, as pessoas se sentem mais seguras, como se houvesse uma barreira que os separasse de seus interlocutores, o que nem sempre traz bons resultados. “Muitas pessoas pela internet, como não são vistas, sentem-se mais à vontade para conversar. Isso também pode acarretar um comodismo, pela internet a pessoa fica em casa e substitui o contato com os amigos de forma real. A pessoa atrás do computador deixou o medo de lado e resolveu ser ela mesma e falar o que quer, sem tanta insegurança”, afirma Ana Cristina.
Conversa em bate-papo termina no altar
Em maio de 2008, durante uma investigação no MSN sobre relacionamentos do ex-namorado, a dentista Natália Prado de Souza Motta, 22 anos, adicionou um endereço de e-mail no programa de bate-papo. O que ela não imaginava é que quem estava adicionando, o gerente financeiro Gustavo Zini da Motta, 27 anos, se tornaria seu marido.
“O e-mail dele tinha muitas palavras em inglês e não dava para saber se era homem ou mulher. Adicionei pensando se tratar de uma mulher, quando descobri que tinha me enganado tentei bloquear e excluir, mas não consegui, o programa travava”, conta Natália. Motta aceitou o convite sem saber de quem se tratava. “Eu estava solteiro, vi que era uma menina adicionando e aceitei. Nunca imaginei que iria terminar no altar”, diz.
Com o fim do relacionamento anterior, ela começou a conversar com o rapaz e durante quatro meses o contato foi apenas virtual. “Depois disso, nos encontramos pessoalmente. Foi muito bom, e aos poucos fomos nos conhecendo mais”, afirma a dentista. Um ano depois de se conhecerem, os dois começaram o namoro. A família de Natália ficou apreensiva com o relacionamento. “Meu outro relacionamento tinha durado cinco anos, minha família não conhecia o Gustavo, nem a família dele, então ficaram bastante apreensivos”, conta.
Quatro meses depois do anúncio do namoro, os dois noivaram e, em julho de 2010, oficializaram a união. “Adicionar aquele contato no MSN foi o erro mais certo da minha vida”, diz Natália. O casal conta que as reações das pessoas quando descobrem como se conheceram são curiosas. “A maioria não acredita, acha engraçado. Eu mesma nunca imaginei que isso pudesse acontecer comigo um dia”, afirma a dentista. Para ele, o simples casamento já seria um acontecimento improvável, muito menos pela forma como se conheceram. “Eu achei que nunca fosse casar, muito menos conhecer minha esposa pela internet. Foi uma feliz surpresa.”
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Hamilton Pavam
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Yuri Bolsoni Pazoto conseguiu estágio pelo Twitter
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Rede dá estágio e emprego
Adepto das redes sociais, o estudante de gastronomia Yuri Bolsoni Pazoto, 19 anos, aderiu ao Twitter em junho de 2009. No ano seguinte, ao começar o curso de gastronomia, o estudante começou a pesquisar sobe a área e conheceu o trabalho da chef Roberta Sudbrack. “Ela foi a primeira mulher a chefiar o Palácio do Planalto, no governo de Fernando Henrique Cardoso, por 7 anos”, afirma Pazoto.
Em agosto do mesmo ano, após alguns meses seguindo a chef no Twitter, o estudante resolveu ousar. “Decidi arriscar e pedir um estágio através de uma menção a ela no microblog. Fui o mais formal que consegui nos 140 caracteres que a rede permite”, conta. Pouco depois, também pelo microblog, ela respondeu à solicitação do estudante. “Ela mandou assim: VEM! gostariamos de te receber sim! entre em contato com a nossa gerente”, lembra Pazoto.
No dia 5 de dezembro de 2010, Pazoto desembarcou no Rio de Janeiro para, durante uma semana, absorver toda a experiência da chef renomada e sua equipe. “Trabalhei do dia 7 ao dia 11 com eles e ganhei uma bagagem imensa”, afirma o estudante. Ele brinca com a forma como conseguiu o estágio, almejado por muitos estudantes de gastronomia. “Às vezes, para conseguir o que a gente quer, precisamos arriscar um pouco e dar uma de louco pelo Twitter.”
Emprego
Depois de 8 anos e meio trabalhando na mesma empresa, o líder operacional Paulo Henrique Nunes Gonçalves, 30 anos, chegou à conclusão de que era hora de mudar de emprego. Procurando novas oportunidades, ele aproveitou o contato que mantinha com um ex-funcionário pelo Facebook. “Eu falei com ele para ver se entrava na empresa em que estava. Ele disse que não havia vagas, mas ia deixar meu currículo no jeito e se o funcionário que estivesse em treinamento não desse certo me chamaria”, conta Gonçalves.
Pouco depois, ele entrou em férias no trabalho. Dois dias antes de voltar ao antigo emprego, já decidido a pedir demissão, Gonçalves teve uma feliz surpresa. “Recebi um telefonema para participar de um processo seletivo. O ex-funcionário com quem mantive contato pelo Facebook recebeu um telefonema da empresa, precisando de funcionários, e me indicou. Desde julho estou na nova empresa, no setor de rastreamento logístico”, afirma.
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Thomaz Vita Neto
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Graças a jogo on-line, a estudante Suellen Cristine de Oliveira fez amigos na Espanha, Argentina, Peru, Paraguai e Colômbia
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Estudante faz amigos na América do Sul
Por conta de um jogo on-line chamado “Smeet”, a estudante Suellen Cristine de Oliveira, 17 anos, entrou para o Facebook no ano passado. Ao criar sua conta, ela não imaginava o mundo que se abriria em sua vida. “Nesse jogo conheci pessoas de diversos lugares. A maioria da Espanha, Argentina, Peru, Paraguai e Colômbia. Todos têm mais ou menos a minha idade e começamos uma amizade muito legal”, conta.
Dessas amizades, surgiu a paixão pela língua espanhola. “Eu falava inglês, mas nunca tinha me interessado pelo espanhol. Depois que fiz essas amizades, até comecei um curso, para poder me comunicar melhor com todos eles”, afirma Suellen. Hoje, além dos amigos rio-pretenses, que encontra com frequência, Suellen continua com as amizades virtuais. Inclusive, seu melhor amigo é um menino peruano. “Ele, assim como todos os outros que conheci na internet, é ligado à música, assim como eu. Foi isso que mais nos uniu. Nos falamos sempre e conto minha vida para ele como se o conhecesse desde criança. E ele também. É uma amizade muito boa”, conta a estudante.
Suellen começou o curso de espanhol este ano e, além de tentar aprender o máximo da língua com os amigos, também tenta ensiná-los português. “A gente faz uma troca. Tem hora que fica difícil conseguir expressar algo para eles porque não tenho domínio da língua. Mas aos poucos vou aprendendo o espanhol e eles o português, aí vai facilitando a conversa.” Enquanto o espanhol não se torna fluente, ela apela para outras ferramentas da internet. “Quando fica muito difícil explicar o que quero, escrevo em português e peço para usarem o tradutor do Google (ferramenta de pesquisa)”, afirma Suellen.
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Hamilton Pavam
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Empresário Geovani Victor de Oliveira criou Facebook Solidário, com 5 mil integrantes
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Empresário cria Facebook Solidário
Depois de acompanhar vários encontros de usuários de redes sociais, como Facebook e Orkut, em Rio Preto, o empresário Geovani Victor de Oliveira, 41 anos, decidiu começar a usar as páginas na internet de uma maneira diferente. Ele criou, no dia 27 de junho deste ano, o grupo Facebook Solidário, que conta com 5 mil integrantes.
“Sempre gostei muito de redes sociais e comecei a perceber que os encontros organizados para os amigos virtuais se conhecerem pessoalmente eram muito fúteis, que as pessoas não aprofundavam essas relações. Então, como faço trabalho voluntário há muitos anos, decidi montar um grupo com esse intuito”, conta Oliveira. A idéia deu tão certo que o grupo já está montando sua própria página na internet. “Tenho que deixar de adicionar novas pessoas diariamente, porque quando chega aos 5 mil integrantes, as ações da página do grupo se congelam. Por isso estamos montando nosso site”, explica o empresário.
Dividido em células, que tratam de áreas específicas, como idosos, animais, crianças e adolescentes e social, o grupo funciona para direcionar os interessados às ações que são sugeridas por membros. “Nosso foco é aproveitar o dom e talento de cada um em sua praia, e assim realizamos muito pelas pessoas.
Os próprios membros ficam sabendo de entidades ou pessoas com dificuldades, fazemos uma visita para levantar as necessidades e mobilizamos o grupo, que por sua vez mobiliza os amigos pessoais, e nossa rede se completa”, afirma Oliveira. Ele acredita que a grande massa da sociedade e das empresas ainda não descobriu o verdadeiro poder das redes sociais. “O crescimento do Face Solidário é uma prova de que as pessoas querem mais da rede social.”
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Hamilton Pavam
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Ao fazer amizade com menino no MSN, Bruna Trefilo de Melo passou a receber ameaças da namorada dele
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Estudante recebe ameaça no Orkut
Há cerca de três anos, Claudia Melo, 34 anos, precisou cancelar as contas da filha, a estudante Bruna Trefilo de Melo, nas redes sociais por causa de brigas pelo MSN e Orkut. “Eu vi uns recados de uma menina ameaçando minha filha, dizendo que iria até a porta da escola dela para agredi-la. Informei a menina de que as ameaças estavam salvas, então se algo acontecesse à minha filha ela seria responsabilizada e cancelei as contas da Bruna. Hoje, ela só tem MSN”, conta Cláudia.
Bruna explica que tudo não passou de um mal entendido. “Eu fiquei amiga de um menino pela internet, nos falávamos pelo MSN, mas eu não sabia que ele namorava. Depois de um tempo, ele me adicionou no Orkut e começamos a trocar recados, até que a namorada dele e umas amigas vieram tirar satisfação comigo pela internet.”
Como precaução e também castigo, Cláudia decidiu proibir a menina de usar as redes sociais durante um ano. “Foi importante para ela aprender a utilizar a ferramenta. Serviu para deixá-la mais seletiva na escolha das amizades virtuais. Além disso, ela sabe que outro erro e as redes sociais estarão banidas para ela definitivamente”, explica a mãe. Hoje, Bruna diz não sentir falta do Orkut e nem chegou a criar conta no Facebook. “Só uso o MSN e ainda assim pouco. Depois de ficar sem um tempo, perdeu a graça para mim.”
Difamação
Pesquisador de fósseis, ex-baixista de uma banda e organizador de um evento famoso entre os rockeiros Kléber Varnier, 37 anos, encontrou nas redes sociais uma ótima forma de divulgar seus trabalhos. O que ele não esperava era ser vítima de difamação na rede. “Um amigo começou a participar do grupo Museu do Rock’n Roll de Rio Preto no Facebook e esse cidadão veio puxar assunto e começou a falar que eu era estelionatário, que por isso o festival que eu organizava atualmente tinha sido cancelado este ano e mais várias bobagens. Meu amigo salvou tudo e me enviou”, conta Varnier.
A partir da descoberta da conversa do amigo, o pesquisador começou a entender outros acontecimentos de alguns meses antes. “Esse homem entrou em contato com bandas que eu estava convidando para o meu festival e me difamou, fazendo com que os contatos não vingassem. Não sei porque tudo isso, mas é um perigo que corremos na internet, um lugar aberto, onde as pessoas se sentem livres para dizerem qualquer coisa, inclusive inverdades”, diz o pesquisador, que registrou o caso na polícia.
Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital
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