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Saúde
 
Check-up no sangue
São José do Rio Preto, 18 de Abril, 2012 - 1:45
Exame de ferritina calcula os níveis de ferro

Cecília Dionizio

Thomaz Vita Neto
Bioquímica Grazielle Fontes realiza exame de ferritina em laboratório


Um procedimento que até pouco tempo atrás sequer era conhecido começa a ganhar popularidade. Trata-se do exame da ferritina, que está com sua demanda quase duplicada nos laboratórios de Rio Preto. De acordo com a biomédica Flávia Tajara, do laboratório Tajara, em menos de um ano o número de exames de ferritina (proteína que contém reservas de ferro) saltou de 600, em média, por mês, para cerca de 900.

Para o hematologista Flávio Naoum, do Instituto Naoum de Hematologia, de Rio Preto, a demanda foi criada a partir do momento em que alguns cardiologistas começaram a pedir o exame para avaliar a saúde cardíaca. O médico reconhece que alterações nas dosagem da ferritina podem ser encontradas em até 10% da população, mas nem todos vão desenvolver um problema.

“Em boa parte dos casos com ferritina elevada, o que ocorre é uma mistura hábitos inadequados relacionados à alimentação, bebidas alcoólicas, sedentarismo, obesidade ou doenças de base associadas ou não à herança genética”, diz. Especialistas em medicina esportiva também passaram a avaliar o nível de ferritina nos atletas para evitar o risco de lesões.

Foi o que mostrou um estudo espanhol que analisou 57 jogadores de futebol federados com lesões musculares. Os estudiosos concluíram que a realização de ultrassom e de exames de sangue pode ajudar a predizer o tempo de recuperação dos atletas.

O estudo foi apresentado no 30º Congresso Mundial de Medicina do Esporte, encerrado ontem em Barcelona. As lesões musculares constituem a razão mais frequente de procura de atendimento médico por jogadores de futebol.

“Diante disso, é necessário fazer um diagnóstico clínico e anatomopatológico para que seja possível definir o prognóstico e o período necessário de recuperação”, afirmam os autores da pesquisa, desenvolvida pela Escuela de Medicina del Deporte, em Oviedo.

Alteração genética é a principal causa do problema

Abaixo uma entrevista com o hematologista Flávio Naoum, que ajuda a esclarecer um pouco mais sobre a importância do exame de ferritina.

Diário da Região - O que é ferritina?
Flávio Naoum - A ferritina é um exame de sangue que reflete o estoque de ferro no organismo. Assim ela dimiui quando há deficiência de ferro e aumenta quando há excesso de ferro. Mas há que se ter muito cuidado, pois processos inflamatórios e infecciosos também fazem a ferritina aumentar e isso não tem nenhuma relação com o ferro. Assim, nem toda ferritina alta significa necessariamente um excesso de ferro.

Diário - Quais os riscos que isso pode trazer para uma pessoa gestante, por exemplo?
Naoum - Em gestantes, o risco não é diferente do restante da população. O ferro, na medida certa, é necessário para o bom funcionamento do organismo. Por outro lado, o ferro, quando em excesso, se torna tóxico para as nossas células e pode prejudicar o funcionamento de alguns órgãos. O primeiro órgão a ser acometido em geral é o fígado, em seguida as glândulas do organismo, podendo causar por exemplo diabetes. Pode haver ainda impregnação da pele e do coração, entre outros órgãos.

Diário - Qual a origem do problema?
Naoum - As principais causas do excesso de ferro são alterações genéticas, em que certas pessoas nascem com tendência a absorver mais ferro que o normal da alimentação, doenças do fígado, incluindo as causadas por hábitos alimentares inadequados e bebidas alcoólicas, tratamentos desnecessários à base de ferro e transfusões sanguíneas em excesso.

Diário - Qual a relevância dela para o organismo?
Naoum - A ferritina em si não agride o organismo, o problema é que a ferritina muito elevada pode significar que o organismo está enfrentando um excesso de ferro nos órgãos, e isso sim pode ser perigoso para a saúde.

Diário - Por que algumas pessoas sofrem de quantidades elevadas?
Naoum - A primeira medida a ser tomada quando a ferritina está elevada é definir se o aumento está se dando por conta de excesso de ferro ou inflamação. Atualmente, existem exames de sangue mais específicos que ajudam a diferenciar uma situação da outra. De qualquer forma, é importante que as pessoas evitem fazer o exame da ferritina se estiverem gripadas ou com sinais de inflamação.

Diário - Que tipo de transtornos podem afetar a vida de quem sofre com este mal?
Naoum - É importante lembrar que se o excesso de ferro for discreto ou moderado, os riscos para a saúde são mínimos. O grande problema são os excessos acentuados de ferro no organismo, que se não tratados ou coibidos podem causar após alguns anos insuficiência hepática, risco elevado para câncer hepático, diabetes e outras alterações endócrinas, problemas cardíacos, entre outros.

Diário - Quais são os níveis ideais?
Naoum - Os níveis máximos da normalidade variam um pouco dependendo do laboratório, mas em geral são de 200 ng/ml (nanogramas por mililitro) para mulheres de 400 ng/ml para os homens.

Diário - Quais os sintomas que levam a pessoa a suspeitar de excesso de ferro?
Naoum - O excesso de ferro é silencioso e não costuma dar sintomas até que esteja num estágio mais avançado e grave. Por sorte, vários médicos têm incluído o teste da ferritina nos exames de check-up, de forma que praticamente todos os pacientes que descobrem esse problema encontram-se numa fase precoce.

Diário - Qual a alimentação ideal para quem sofre deste mal?
Naoum - Aproveito para esclarecer esse assunto muitas vezes confuso. Alimentos como fígado e carne vermelha contêm grande quantidade de um tipo de ferro que é absorvido com facilidade e, por isso, se possível, aconselha-se a reduzir o seu consumo. Já alimentos como feijão, beterraba, couve e outras verduras contêm ferro, mas em menor quantidade e com absorção mais difícil, de forma que não se justifica restrição, ainda mais por serem alimentos saudáveis. Também é recomendável reduzir ao máximo a ingestão de bebidas alcoólicas para não agredir o fígado, que é um dos órgãos de estoque do ferro.

Diário - Qual a relação que existe deste problema com a anemia?
Naoum - O excesso de ferro não causa anemia e sim a deficiência desse elemento. Se uma pessoa com excesso de ferro apresentar também anemia, deve-se procurar outra causa para a anemia.

Diário - Quantas pessoas em média sofrem com isso? É um mal que pode ter consequências graves? Quais?
Naoum - A tendência genética ao excesso de ferro pode ser encontrada em 5 a 10% da população, mas nem todos desenvolverão o problema. O fato é que este problema tem se mostrado comum, e em boa parte dos casos com ferritina elevada, o que ocorre é uma mistura de hábitos inadequados relacionados à alimentação, bebidas alcoólicas, sedentarismo, obesidade ou doenças de base associadas ou não à herança genética.

Diário - Qual o tratamento para este problema?
Naoum - Já foi demonstrado que o tratamento de pessoas com excesso de ferro leve ou moderado não traz benefícios evidentes, podendo até prejudicar em certos aspectos. Assim, recomenda-se o tratamento para o casos com excesso de ferro acentuado ou quando se identifica depósito de grande quantidade de ferro em algum órgão. O tratamento preconizado são as sangrias, que é um procedimento quase idêntico ao de uma doação de sangue, com a diferença de que o sangue não pode ser utilizado. Quando o paciente não tolera as sangrias, por exemplo, quando tem anemia, pode-se utilizar medicamentos quelantes do ferro, que promovem a excreção deste elemento. O problema com estes medicamentos é o seu custo elevado e os seus efeitos colaterais.





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