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Caso Luana
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São José do Rio Preto, 8 de Julho, 2011 - 1:50
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‘Foi cruel ver minha filha agonizando e não poder fazer nada’
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Rita Magalhães e Maria Stella Calças
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Rômulo Padilha/Jornal A Cidade Promissão
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A universitária Luana Neves Ribeiro agonizou de dor até morrer nos braços da mãe
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A universitária Luana Neves Ribeiro, 21 anos, que morreu ao tentar doar medula óssea para uma criança portadora de leucemia, na noite da segunda-feira, começou a sentir dor logo após o implante do cateter. E, mesmo mediante as queixas de muita dor, foi liberada pelos médicos da Unidade de Transplante de Medula Óssea do Hospital de Base de Rio Preto com a recomendação de tomar dipirona e de retornar na manhã seguinte para fazer a coleta do material genético. A dor foi progressiva e levou a jovem voluntária a agonizar até a morte.
A informação foi passada pela mãe dela, Cirça Aparecida Neves de Oliveira, 46 anos, que acompanhou o sofrimento e as últimas horas de vida da jovem que saiu de Promissão para realizar o sonho de salvar uma criança. Cirça confirmou que a filha esperou mais de uma hora para ser examinada pela médica Érika Rodrigues Pontes, quando retornou em busca de socorro. E que, após a prescrição de medicamentos (omeprazol, hidróxido de alumínio e soro), garantiu à paciente que a dor passaria e foi embora.
Luana só voltou a receber cuidados médicos quando já estava desfalecida sem batimentos cardíacos. “Só iniciaram o processo de ressuscitação, quando minha filha já tinha parado. Ela morreu me implorando: ‘Mãe, não deixa eu morrer. Estou morrendo.’”
Cirça concedeu entrevista ao Diário, por meio de telefone, na manhã de ontem. Por ainda estar muito abalada com o trágico episódio, falou por intermédio de um enteado. Leia a seguir os principais trechos da entrevista:
Diário da Região - Tivemos acesso ao prontuário, que mostra que ela só foi atendida por enfermeiros das 20h às 21h15. Como foi o atendimento?
Cirça Neves - Quando ela fez o primeiro procedimento (punção do cateter), já foi libera com dor. Muita dor. Saímos do hospital e quando ela chegou ao hotel não tinha força nem para deitar. Ela queria voltar para o hotel para ver a novela das 6h. Mas, quando chegou lá, não conseguiu sequer deitar na cama. Ficou deitada no chão e nem conseguiu engolir a dipirona que os médicos prescreveram.
Diário - Parece que a médica não estava no local e, por telefone, ela receitou a medicação...
Cirça - Disseram que foi pedido para passar o medicamento e que a dor ia passar rapidamente, só que a dor só aumentou. A Luana pedia para chamar a médica (Flávia Leite Lopes Souza) que havia feito o procedimento (colocação do cateter). Ela dizia que tinha coisa errada e que estava morrendo.
Diário - A Luana chegou a relatar para a médica que sentia a barriga endurecer?
Cirça - Ela disse e a doutora Érika (Rodrigues Pontes) pediu para examinar a barriga, mas a Luana não conseguia virar o corpo - ela estava deitada de lado - por causa da dor. A médica só auscultou o pulmão e disse que estava tudo bem, que havia prescrito o medicamento e que a dor ia passar.
Diário - Depois disso a médica foi embora?
Cirça - Sim.
Diário - Foi depois desse medicamento que ela vomitou?
Cirça - Ela vomitou várias vezes, teve diarreia...
Diário - Quando a médica foi embora ela deixou alguma enfermeira junto com a Luana?
Cirça - A Luana pediu para enfermeira ficar com ela, mas ela respondeu que não podia porque tinha outros pacientes para cuidar.
Diário - Quanto tempo essa enfermeira demorou para voltar?
Cirça - Não demorou muito. Porque pouco tempo depois, eu comecei a gritar que ela estava morrendo. Daí uma mulher me mandou parar de fazer escândalo. ‘Respondi: não é para fazer escândalo porque não é sua filha que está morrendo.’ Foi cruel ver minha filha agonizando e não poder fazer nada. Ela fazia o curso de enfermagem e sabia que ela estava parando. Pediu ajuda, mas foi ignorada.
Diário - Pelo registro médico, Luana já começou a ficar roxa e sem pulso às 22h. Lembra como foi?
Cirça - Ela foi perdendo a força e os sentidos. Estava muito pálida. Eu a chamava e ela não respondia mais. Quando os médicos chegaram, ela já tinha parado (morrido).
Diário - Os médicos tentaram reanimá-la com desfibrilador e injeção?
Cirça- Só vi quando começaram a reanimação manualmente. Depois disso me tiraram da sala. Só não entendo como um hospital como HB, referência nacional, deixa isso acontecer. Ela tinha todos os sintomas de hemorragia e deram soro para ela. Ela precisava era de sangue. Por que liberam o doador para ir embora com o cateter, para voltar depois?
Diário - Você se lembra das últimas palavras da Luana antes de morrer?
Cirça - Ela gritava: “mãe,. não deixa eu morrer. Eu tô morrendo.”
Diário - Ela chegou a reclamar de dor antes de ser liberada para retornar ao hotel?
Cirça - Sim. Tentaram introduzir o cateter do lado esquerdo e não conseguiram. Daí colocaram do outro lado. Antes de a liberarem, tiraram o raio X só do lado que estava o cateter. Eles olharam o raio X e viram que o cateter estava bem posicionado e mandaram ela ir embora, mas ela já reclamava de dor. Deveria ter feito o raio X do lado esquerdo também para ver que ela estava com uma perfuração.
Diário - Foi por isso que receitaram a dipirona?
Cirça - Sim. Se eles tivessem tirado o raio X do outro lado teriam visto que havia a hemorragia. Mas tiraram o raio X de um lado só. Quando ela chegou ao hotel, nem conseguiu tomar a dipirona de tanta dor.
Diário - Vocês vão entrar com alguma ação contra o hospital ou contra os médicos?
Cirça - Sim, com certeza. Um amigo da família está hoje em Rio Preto cuidando disso. Sabemos que a intenção dos médicos não era provocar isso, com certeza. Mas a gente também sabe que é muito difícil para eles admitir que deixaram de fazer alguma coisa que deveriam ter feito. O médico não pode errar. Ele lida com vida humana e se erra, a pessoa perde a vida.
CRM também vai investigar óbito
O presidente regional do Conselho Regional de Medicina (Cremesp), Pedro Teixeira Neto, abriu sindicância para investigar a conduta médica no atendimento que resultou na morte da estudante de enfermagem Luana Neves Ribeiro. “Vamos ouvir médicos, enfermeiros, familiares e todas as pessoas que tiveram contato com ela, para ter clareza sobre o que realmente aconteceu”, diz. A sindicância, que corre em sigilo, pode levar de 1 ano a 1 ano e meio para ser concluída.
“O resultado da investigação vai determinar se existem ou não indícios de culpa médica no óbito. “Caso haja indícios, um processo administrativo será aberto para julgar a conduta, caso contrário, o caso é arquivado.” Se for comprovada alguma responsabilidade, as penalidades variam de uma simples advertência à cassação da licença para exercer a profissão.
Exumação não está descartada
O delegado João Lafayete Sanches Fernandes, do 5º DP de Rio Preto, vai começar a ouvir a equipe que prestou atendimento à Luana na próxima segunda-feira. O delegado não descarta a necessidade da exumação do corpo para a apuração do óbito. O hematologista Octávio Ricci, chefe da Unidade de de Transplante de Medula Óssea (UTMO) do Hospital de Base, será o primeiro a prestar depoimento. “Ele vai prestar esclarecimentos e me indicar quais os médicos e enfermeiros que atenderam a paciente no pré, durante e pós procedimento, quero ouvir todos, começando na segunda.”
No inquérito, será apurado o motivo da morte da jovem. “Queremos saber qual o procedimento realizado, porque optaram por esse método, como foi a preparação para o procedimento.” O delegado afirmou ainda que vai querer saber porque ela foi liberada para dormir fora do hospital e as razões de ter passado mal. Fernandes espera que Ricci entregue também uma cópia do prontuário.
“A ficha clínica dela será encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML), para que os peritos elaborem um exame necroscópico indireto, uma vez que a vítima já não está presente. Baseados na ficha clínica, os médicos legistas irão analisar se os procedimentos foram corretos ou não.” Procurado, Ricci disse estar impedido pela diretoria de dar entrevista. “Agora, tudo está com a comissão de sindicância.”
Colegas fazem vídeo para Luana
Os colegas do curso de enfermagem da Universidade de Marília (Unimar) fizeram um vídeo emocionante relembrando os momentos e a alegria de Luana Neves Ribeiro. “É uma homenagem linda. Toda hora que vejo esse vídeo, eu choro. Não tive nem coragem de mostrar para o meu irmão”, disse a cunhada Flávia Fernandes, 29 anos. Flávia descreve Luana como uma pessoa cheia de alegria, determinada, meiga, moleca. ‘Ela era um anjo. Ingênua, inocente. Era muito espontânea e alegre.”
Assista abaixo vídeo em homenagem a Luana feito pelos seus colegas de faculdade
Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital
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COMENTÁRIOS
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ROBSON RANGEL GARCIA
postado em
08/07/2011
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ISSO FOI UMA CRUELDADE DESSAS MÉDICAS, DESUMANAS, COVARDES. AGORA É UM ABSURDO UMA SINDICÂNCIA DO CRM DEMORAR 1 ANO Á 1 ANO E MEIO, COMO TER CREDIBILIDADE NUM PROCESSO DEMORADO DESSES, PASSARÁ TODO ESSE TEMPO, A POEIRA BAIXARÁ E ESSES PSEUDOS MÉDICOS TERÁ A LICENÇA PARA PODER CONTINUAR ATENDENDO. E QUEM SABE CONTINUAREM A MATAR OUTRAS LUANAS. ISSO E REVOLTANTE, DIFICILMENTE O CRM PUNE OS SEUS.
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CELIA ALVES DE SOUZA
postado em
08/07/2011
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Concordo plenamente com os comentários da medica indentificada como Lilian, realmente este caso deve chamar a atenção da direção do Hospital em relação ao seu nível de atendimento. Quanto à equipe de transplantes nem se deve comentar"tamanha negligência". Sou professora de enfermagem e sempre estou alertando os meus alunos com a questão de segurança do paciente. Num caso como este até a enfermeira deve si posicionar para o atendimento de urgência, se o médico não esta lá chame outro!! Celia
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silvana neves
postado em
08/07/2011
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Estamos todos chorando junto com a mãe da Luana! É impossível conceber que médicos, cuja missão é salvar vidas, ainda continuem subestimando a dor, o sofrimento e a própria vida do ser humano!
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