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São José do Rio Preto, 11 de Março, 2010 - 3:03
Diabetes é a principal causa de doença renal em Rio Preto

Michelle Berti

Edvaldo Santos
Levantamento do HB de Rio Preto revela que 42% dos pacientes que fazem hemodiálise são portadores de diabetes
Levantamento realizado no Hospital de Base (HB) de Rio Preto revela que 42% dos pacientes que fazem hemodiálise são portadores de diabetes. O resultado verificado na instituição segue uma tendência constatada mundialmente. A doença é considerada uma das principais causas dos problemas renais crônicos, que podem levar à paralisação dos rins, ao lado de hipertensão e nefrites.

“No Brasil, a hipertensão é a maior responsável pelas doenças crônicas. Já Rio Preto, por ter uma qualidade de vida melhor que a média nacional, se iguala a países como Estados Unidos e Europa, onde a diabetes é a principal causa dos problemas”, diz o nefrologista do HB e do Instituto de Urologia e Nefrologia (IUN) João Fernando Picollo de Oliveira.

Açúcar

Segundo o especialista, a elevada taxa de açúcar na circulação prejudica os vasos ligados aos rins, que deixam de filtrar normalmente as substâncias que deveriam ser eliminadas do organismo. Com o tempo, o quadro se agrava e o órgão deixa de funcionar. Quando isso acontece, as únicas opções possíveis são fazer diálise ou hemodiálise (o sangue é filtrado fora do corpo) ou transplante. Em Rio Preto, 520 pessoas fazem hemodiálise no HB e IUN e 80 aguardam por um novo órgão.

A grande preocupação dos especialistas com a diabetes é o fato de a doença ser considerada uma epidemia mundial. “A tendência são os casos continuarem crescendo. Estudos indicam que o número de diabéticos deve aumentar muito neste século. Por isso é importante que as pessoas se cuidem e se previnam, para evitar um grande aumento de portadores de doenças renais no futuro”, diz o nefrologista do IUN Wilson Makoto Yamazaki. Em Rio Preto, cerca de 10 mil pessoas são portadoras de diabetes. No Brasil, são cerca de 8 milhões de doentes. Em todo o mundo, o número atinge 171 milhões.

O aposentado José Carlos Felício, 64 anos, descobriu ser portador de diabetes há 20 anos. Ele não seguiu o tratamento indicado pelo médico e desenvolveu insuficiência renal há quatro anos. “Não seguia os regimes que precisava fazer. Por causa da diabetes, perdi uma vista, amputei uma perna e perdi as funções do rim”, diz.

Desde então, ele faz hemodiálise no HB. “A rotina da gente muda, mas não o aspecto físico. Não podemos viajar, assumir compromissos.” Há um ano, ele entrou na fila para o transplante de rim. Bem-humorado, Felício afirma exigir das três filhas exames periódicos de diabetes e funções renais. “É preciso previnir. Eu não prestei atenção e sofri as consequências. Acho ótimo que os médicos façam campanhas para orientar a população”, diz.

A descoberta tardia da diabetes também mudou a vida do agricultor João Lopes, 56 anos. Filho de pais diabéticos, ele descobriu apenas aos 40 anos ter problemas com a taxa de açúcar no sangue. “Emagreci muito e fazia muito xixi. Fui ao médico e descobri que estava doente.” Há seis anos, seus rins pararam de funcionar. Morador de Auriflama, ele viaja para Rio Preto três vezes por semana para fazer hemodiálise no IUN. Sai de casa às 7h30 e retorna apenas às 17h30. “A rotina é puxada, mas estou bem. Isso é o que importa.”

Os médicos recomendam que pessoas com histórico de diabéticos, hipertensos ou doentes renais crônicos na família devem fazer exames anuais de urina e creatinina. “A doença é assintomática. É importante fazer exames de rotina, pois o diagnóstico precoce pode evitar a perda das funções renais”, afirma Yamazaki.

HB fez 451 transplantes

Em 13 anos, o Hospital de Base de Rio Preto realizou 451 transplantes de rim. Só nos dois primeiros anos de 2010, foram 18 cirurgias.
O transplante é uma das alternativas para o doente renal crônico em fase terminal, isto é, que perdeu as funções do rim. “Com um novo órgão, o paciente ganha qualidade de vida”, diz o nefrologista João Fernando Picollo de Oliveira. Segundo ele, há 80 pacientes aguardando por um transplante no serviço do HB. O tempo médio de espera é de três anos. “Só não há espera quando o doente tem algum familiar compatível que concorda em fazer a doação.”

A compatibilidade é atestada por meio de exames de sangue e investigação detalhada do histórico do doador. A maioria dos transplantes, porém, são realizados a partir de doadores mortos. Nos últimos dois anos, apenas 48 das 159 cirurgias foram realizados por meio de doadores vivos. Nem todos os portadores de doença renal crônica, porém, estão habilitados para fazer o transplante. “Isso depende de fatores como idade e presença de outras doenças. Complicações cardíacas e tumores, por exemplo, inviabilizam a realização da cirurgia.”

As opções, nesse caso, são recorrer à hemodiálise (o sangue é filtrado por uma máquina) ou diálise peritonial (o sangue é filtrado por meio de uma membrana do abdômen, o peritôneo). “O paciente consegue se recuperar bem. O problema é o custo social disso, já que, no caso da hemodiálise, por exemplo, é preciso fazer três sessões de quatro horas por semana, diz o nefrologista Wilson Makoto Yamazaki.

Dia terá atividades de prevenção

Profissionais do Hospital de Base (HB) de Rio Preto e Instituto de Urologia e Nefrologia (IUN) realizam hoje, Dia Mundial do Rim, uma série de atividades para estimular a prevenção de doenças renais crônicas. A campanha acontece entre 10h e 17h no HB, Rio Preto Shopping Center e Poupatempo.

Por meio de um questionário simples, a população poderá saber se encaixa no grupo considerado de risco para a doença (veja quadro). “Vamos explicar sobre a importância do diagnóstico precoce e orientá-la a procurar um clínico geral”, diz o nefrologista João Fernando Picollo de Oliveira. Também serão realizados testes de glicemia capilar. No HB, as pessoas interessadas poderão fazer exame de urina. “Se a doença for descoberta em fase inicial, é possível tratar com remédios e evitar a paralisação do órgão.”



 
     
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