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Doença
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São José do Rio Preto, 7 de Março, 2010 - 3:04
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Região tem 14 cidades com epidemia de dengue
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Rita Magalhães, Luciana Brunca, Michelle Berti e Allan de Abreu
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Rubens Cardia
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João Pedro Bonfim de Oliveira Dias com familiares: na casa dele, quatro contraíram a doença, e ele teve sangramentos
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Catorze municípios da região de Rio Preto enfrentam epidemia de dengue. Levantamento feito pelo Diário em 90 municípios mostra que, além de Rio Preto, Fernandópolis, Ipiguá, Santa Albertina e Nova Granada, já reconhecidos pela Secretaria de Estado da Saúde na semana retrasada, outras nove cidades do Noroeste Paulista apresentam pelo menos um caso para cada 333 habitantes, índice usado pelo Ministério da Saúde para caracterizar epidemia. Em estado pré-epidêmico estão outras três cidades.
Juntos, os 17 municípios têm 7.822 casos. Apesar dos números, de dez municípios com epidemia ouvidos, apenas três não admitem o problema. A pior situação é vivida por sete municípios - Rio Preto, Fernandópolis, Nova Granada, Pereira Barreto, Santa Albertina, Mirassolândia e Ipiguá -, onde o número de doentes é maior que o dobro do patamar mínimo estabelecido. A campeã de casos é Rio Preto, onde uma em cada 63 pessoas já contraiu dengue e duas pessoas morreram vítima da doença nos dois primeiros meses deste ano. No município, já foram confirmados 6.601 casos das cerca de 10 mil notificações de suspeitas da doença feitas pela Secretaria de Saúde Municipal.
Os números, apurados pelo Diário junto às prefeituras de cada cidade, diferem dos divulgados pelo site do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado. Os números apresentados estão desatualizados, segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde. Para conter o avanço da doença, os municípios intensificaram as ações de combate e eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. Arrastões, pulverização de veneno, campanhas educativas, aumento do número de agentes de saúde são algumas das atividades desenvolvidas.
Gerenciamento de crise
Em Rio Preto, além de promover arrastões e nebulização, campanha educativa, o prefeito Valdomiro Lopes criou um grupo de gerenciamento de crise para acompanhar o avanço do número de casos e traçar estratégias de combate. O comitê se reúne diariamente para avaliar as ações. O objetivo é evitar que a cidade ultrapasse os 13 mil casos da doença registrados em 2006, pior epidemia da história de Rio Preto.
“Estamos nos reunindo diariamente. Conter a dengue é nossa prioridade. Estamos reunindo todos os esforços para mudar esse panorama e, posso garantir, não estamos escondendo um número sequer. Todos os casos são divulgados”, afirmou o secretário de Saúde, José Victor Maniglia. Ele determinou a demissão de seis agentes que estavam falsificando as estatísticas de casas visitadas.
A Prefeitura de Cardoso está multando os donos de terrenos com criadouros de dengue e Ipiguá prevê a contratação de mais dez agentes para reforçar o combate à doença. “Já aplicamos quatro multas devido à sujeira em terrenos”, afirma o diretor da Vigilância Epidemiológica e Sanitária de Cardoso, Wladimir Baptista de Aguiar. Atualmente, o município contra com 12 agentes de saúde que estão fazendo arrastões, visita casa a casa, bloqueios.
A aplicação de penalidades e até multas aos moradores que não limparem os próprios quintais também foi a medida adotada por Santa Fé do Sul. Após a visita do agente de saúde, o morador tem um prazo de 24h para eliminar todos os criadouros. “Se o local não for limpo dentro desse prazo, é feito um auto de advertência que será encaminhado à Vigilância Sanitária, que será o órgão responsável por emitir o auto de infração. Cada um precisa cuidar do próprio quintal e não esperar que somente o município faça isso”, afirma Valéria da Silva Campoi, enfermeira da Vigilância Epidemiológica da cidade.
A grande quantidade de chuvas que atingiu toda a região e principalmente a falta de cons-cientiza-ção da população são os fatores apontados pelos municípios para o avanço da doença. “A população tem uma grande parcela de culpa. Intensificamos as nossas ações de combate desde o ano passado. O problema é que você passa nas casas, limpa e depois de um tempo volta ao local e encontra novos criadouros”, afirma o secretário de Saúde de Fernandópolis, José Martins.
A opinião é compartilhada pela secretária de Saúde de Pereira Barreto, Carmen Paiva. Ela diz que falta um compromisso da população. “A limpeza dos quintais tem de ser um trabalho contínuo. Os moradores não podem esperar que o município faça esse trabalho, cada um tem que fazer a sua parte.”
Doença atinge 4 de uma mesma casa
Na casa da técnica de enfermagem Neilane Alves Dias, 38 anos, no bairro Santa Cruz, região central de Rio Preto, a dengue afetou quatro dos cinco moradores. O caso mais preocupante foi o do sobrinho João Pedro Bonfim de Oliveira Dias, de apenas 9 anos. Ele contraiu dengue hemorrágica, a forma mais grave da doença “Ficamos desesperados. O médico disse que ele podia morrer”, conta a tia, que também contraiu dengue. João começou a sentir febre e dor de garganta no dia 25 de fevereiro. No domingo, ele viajou com a família para o velório da bisavó, em Avanhandava. “Os sintomas começaram a piorar. Ele teve sangramentos no nariz e na gengiva.” Na segunda-feira, João vomitou um grande coágulo d sangue.
A família voltou às pressas para Rio Preto e levou o menino ao Pronto-Socorro Central. De lá, ele foi transferido para o Hospital de Base. “É a primeira vez que ele tem dengue. Graças a Deus que os remédios agiram bem e ele está se recuperando.” Tímido e cansado pela doença, João diz apenas que foi horrível contrair dengue. “Fiquei muito assustado. Não quero isso de novo.”
Os avós do menino também foram vítimas do mosquito. “É a segunda vez que adoeço”, diz Neuza Gonçalves Dias, 62 anos. “Meu marido também pegou e está até de cama.” A família afirma que os cuidados serão redobrados a partir de agora. “Temos medo dele contrair dengue de novo. Pode ser ainda mais grave”, afirma Neilane. A família reclama que uma casa vizinha, fechada, pode ter sido o abrigo de criadouros do mosquito. “Tem uma piscina lá, que fica descoberta. Ligamos para a Vigilância Sanitária e eles vieram limpar.”
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Sérgio Menezes
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Ana Maria dos Santos Pereira, que contraiu dengue: ‘Cuido do meu quintal, mas e quem não cuida?’
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Em 21 anos, Rio Preto teve 46.250 casos
Em 21 anos de circulação do vírus da dengue em Rio Preto, 46.250 casos da doença foram registrados na cidade, segundo dados da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) e Secretaria Municipal de Saúde. A maioria deles (85%) está concentrada em cinco epidemias, que ocorreram nos anos de 1999, 2001, 2006, 2007 e 2010 (veja quadro). O Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) considera epidemia quando há mais de 300 casos para cada 100 mil habitantes.
Fatores como o clima quente da cidade e longos períodos de chuva favorecem a reprodução do mosquito Aedes aegypti, vetor que transmite a doença. “O vírus está completamente adaptado à cidade”, diz o virologista da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) Maurício Nogueira. “Ele precisa de água e calor para se multiplicar. A temperatura ideal para a reprodução é 28 graus. Temos isso aqui praticamente o ano todo.”
Apesar do grande número de casos, a mortalidade é considerada baixa. Em 20 anos, cinco pessoas morreram em decorrência da dengue, duas delas apenas nos primeiros meses de 2010. “O índice é baixíssimo se comparado com outras cidades, que têm poucos casos e muitas mortes. Isso indica que há uma boa assistência médica aos pacientes”, diz Nogueira.
Dificuldades
Apesar do longo histórico de dengue em Rio Preto, a cidade tem dificuldades para controlar a doença. “Há um descaso na tentativa de eliminar os criadouros dos mosquitos, tanto pela política de saúde como também da população. Enquanto não houver uma ação, realmente integrada e contínua da Saúde Pública e população, essa epidemia irá continuar”, diz omédico Irineu Maia, chefe do Departamento de Doenças Dermatológicas, Infecciosas e Parasitárias da Famerp. “As campanhas não devem acontecer só nos períodos de grande incidência de casos, mas principalmente durante a época da seca, coisa que não ocorreu em 2009”, afirma.
O coordenador da Vigilância Epidemiológica de Rio Preto, Luciano Garcia Lourenção, acredita que a dificuldade em combater a dengue esteja ligada a uma questão cultural. “As pessoas sabem o que fazer, mas não agem. Ficam esperando que alguém faça por elas. O controle da dengue deve ser um hábito”, diz. “As pessoas reclamam que a cidade está cheia de terrenos sujos, com criadouros. Mas é a população que suja os terrenos”, diz o coordenador da Vigilância Ambiental, Augusto Azevedo Silva.
A dona de casa Ana Maria dos Santos Pereira, 43 anos, sentiu na pele as consequências do descaso com o controle de criadouros. Ela é vizinha de um imóvel vazio no Jardim Nazareth e foi contaminada pela dengue semana passada. “Cuido do meu quintal, mas e quem não cuida? Com essa epidemia, tenho muito medo de ser contaminada de novo. A dor que passei foi horrível”, diz. A família da funcionária pública Cleonice Pinto Martins, 53 anos, foi toda infectada pela dengue. “Meu marido, meus dois filhos e eu ficamos doentes quase de uma vez. Acho que as pessoas que têm criadouro de dengue em casa deveriam ser multadas. Quem sabe assim o problema diminui.”
Volta de vírus causa epidemia
O virologista da Famerp Maurício Nogueira explica que as epidemias em Rio Preto coincidem com a recirculação de diferentes sorotipos do vírus da dengue. Existem quatro tipos diferentes de vírus, chamados 1, 2, 3 e 4. A infecção por um deles dá proteção permanente para o mesmo sorotipo (por isso, uma pessoa pode ter dengue até quatro vezes). O primeiro a circular em Rio Preto, na década de 90, foi o sorotipo 1. Como houve um grande número de pessoas contaminadas, e consequentemente imunes, houve uma redução do número de casos.
Dois anos depois, em 2001, o sorotipo 2 chegou à cidade, provocando 6.896 casos de dengue clássico e uma morte. “Quando há a introdução de um novo tipo de vírus, a população está mais suscetível a ele, porque não há imunidade”, afirma Nogueira. Além disso, o tipo 2 é considerado o mais virulento (potente) dentre os outros. “Há uma chance maior de se desenvolver dengue hemorrágica ou com complicação.”
Em 2006 e 2007, com a chegada do sorotipo 3, Rio Preto viveu sua epidemia mais grave, com 22.835 casos. “Se considerarmos os assintomáticos, chegamos a mais de 200 mil pessoas com dengue.” Neste ano, a epidemia que já soma 6.601 casos, 19 deles hemorrágicos, é provocada novamente pelo sorotipo 1. “O vírus voltou a circular depois de um longo tempo, quando não há tantas pessoas imunes a ele. A doença tem um caráter cíclico.”
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Sérgio Menezes
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Maniglia: mais agentes, mais fiscalização nas casas e quatro medições do índice de Breteau
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Saúde demite seis agentes por justa causa
A Secretaria de Saúde de Rio Preto demitiu por justa causa seis dos 393 agentes que atuam no combate à dengue. A exoneração é decorrente de uma ampla auditoria no trabalho dos agentes, feita por determinação do secretário José Victor Maniglia. Os auditores constataram que o grupo teria preenchido relatórios falsos de visitas a imóveis da cidade, sem ter de fato ido aos locais.
Os nomes dos servidores não foram divulgados. Devido ao problema, Maniglia determinou que o departamento de auditorias da pasta faça um pente-fino permanente no trabalho de todos os agentes de saúde que atuam no combate à dengue - a cidade enfrenta uma explosão de casos, 6.601 até sexta-feira. Em entrevista exclusiva ao Diário, o secretário diz que se surpreendeu com a evolução da doença nos primeiros dois meses do ano. Ele admite que a dengue é o calcanhar-de-aquiles da secretaria atualmente e se diz frustrado por não reduzir o avanço da epidemia.
Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:
Diário da Região - Na análise histórica da dengue em Rio Preto, é possível observar que o número de casos nesta década é muito maior do que nos anos 90. Esse crescimento tende a continuar?
José Victor Maniglia - Não é tendência, porque tem um ciclo (do vírus). A cada dois, três anos, ocorre aumento no número de casos, em função do surgimento de novos tipos de vírus, do clima e da evolução no combate aos focos. É muito difícil prever como será no futuro, até porque é uma doença de difícil controle, são muitos os fatores envolvidos.
Diário - O número de casos de dengue hemorrágica, 19 até agora (sexta-feira), preocupa?
Maniglia - Sim, principalmente nos idosos e pacientes com outras doenças associadas.
Diário - Houve mudança no perfil dos pacientes com dengue hemorrágica?
Maniglia - Não. Mas a capacitação dos enfermeiros, dos médicos, a assistência correta aos pacientes fazem com que tenhamos poucos casos relativos de dengue com complicações. Caso contrário, poderia ser pior.
Diário - Quais as principais mudanças nas ações de combate à dengue neste ano?
Maniglia - A mudança mais importante foi na prevenção em relação ao mosquito. Havia uma cultura de divulgação à população sobre as ações de combate à doença. Agora, intensificamos a ação, e não só a divulgação. O que isso significa? Que em vez de o agente apenas orientar, precisa entrar na casa, mostrar o criadouro, ensinar de fato ao munícipe o que ele deve fazer para identificar e eliminar aquele foco. Porque se fica só na divulgação, muitas pessoas não sabem o que fazer, até porque muitos não têm escolaridade.
Diário - Também houve um aumento do número de agentes.
Maniglia - São 393 agentes, mais 200 das frentes de trabalho. Outros 214 passam por capacitação na próxima semana. Porque a rotatividade é alta, muitos desistem, e a vaga é logo preenchida. Ainda neste ano vamos contratar mais 200 agentes, por meio de concurso público.
Diário - O motivo principal dessa explosão de casos é o surgimento de um novo tipo de vírus?
Maniglia - São dois fatores importantes: o vírus tipo 1 e a situação climática, que favorece a proliferação do mosquito, com as chuvas e o consequente acúmulo da água, além do calor.
Diário - O senhor se sente satisfeito com o que foi feito até agora da parte do poder público?
Maniglia - Tudo o que era possível fazer, nós fizemos. Não deixamos de fazer nada. Investimos na parceria com a Sucen, com a nebulização e também na capacitação maior dos médicos e enfermeiros, além de intensificar a fiscalização do trabalho dos agentes. A maioria são pessoas dedicadas, cumprem suas obrigações. Mas sempre há exceções, aqueles que não têm competência. Estamos identificando esses funcionários por meio de auditoria. Constatamos que muitos preenchiam relatório de visitas (aos imóveis) que não foram efetivamente realizadas. Mandamos embora seis agentes por justa causa.
Diário - Já se esperava um aumento dos casos de dengue este ano. Mas essa expansão violenta surpreendeu o senhor?
Maniglia - É, não esperava um número tão grande assim. Foi uma surpresa. Estávamos atentos, mas acho que tanto os agentes de saúde, supervisores, quanto a população em geral, não acreditavam (no aumento de casos). Estavam preocupados com a meningite, com a gripe suína.
Diário - Como o senhor se sente ao perder a guerra contra a dengue?
Maniglia - Não é bom, é um sentimento ruim.
Diário - Frustra, secretário?
Maniglia - É um pouco frustrante. Acho que o único fator negativo em nossa gestão foi o enfrentamento da dengue. Eu fico me perguntando: será que somos incompetentes? Será que estamos deixando de fazer alguma coisa? Eu tenho ouvido especialistas, e eles me dizem que, mesmo que o poder público aja, nem sempre os resultados são significativos em função da característica do mosquito. O Aedes já não responde tão bem aos inseticidas, à nebulização. Então, às vezes tudo o que você fizer é insuficiente. A esperança é o desenvolvimento da vacina.
Diário - O senhor acha que houve falha do poder público no planejamento das ações de combate à doença?
Maniglia - Não. Fizemos tudo programado, no tempo correto. Para este ano, há metas. Não vamos aceitar índice de Breteau acima de 0,9. Serão quatro medições neste ano, em vez das tradicionais três. A próxima é em julho.
Diário - Caso esse índice seja atingido, o que será feito?
Maniglia - Ações imediatas de vigilância. Nebulizar, centralizar agentes naquela área. E autuar as empresas que não cuidam do seu quintal.
Diário - Essa explosão de casos deve continuar nos próximos meses ou é possível uma redução rápida, com uma varinha de condão?
Maniglia - Quem me dera tivesse essa varinha.
Diário - O senhor é religioso?
Maniglia - Sou.
Diário - O senhor tem rezado para que a dengue acabe, ou pelo menos diminua em Rio Preto?
Maniglia - Olha, rezar é um negócio meio complicado. Mas eu tenho um pensamento muito forte em relação a isso. Então eu penso muito. Sou um pouco racional.
Guerra ao mosquito utiliza até planta
Na guerra contra o Aedes aegypt, a Prefeitura de Rio Preto decidiu apelar à botânica. Desde janeiro crescem em um canteiro do Viveiro Municipal mudas de crotalária, uma leguminosa usada na rotação de cultura da cana-de-açúcar cuja flor atrai a libélula.
Assim como o mosquito da dengue, a libélula deposita os ovos em água limpa parada, e suas larvas se alimentam das larvas do mosquito. Além disso, o animal adulto também come o Aedes. A crotalária tem dado resultados positivos em Monte Aprazível. Há quatro meses, 200 quilos de sementes da planta foram distribuídos gratuitamente à população - o objetivo era ter a planta nos 8 mil imóveis da cidade.
Floração
Com a floração, em janeiro, chegaram as libélulas. Monte Aprazível registrou neste ano 11 casos da doença, cinco deles contraídos no próprio município. “É claro que as ações tradicionais de combate ao mosquito continuam, mas acredito que a crotalária deu sua contribuição”, afirma a secretária de Saúde local, Cláudia Maset.
No Viveiro de Rio Preto, a floração deve começar em abril, segundo o secretário de Agricultura, Moacir Seródio. “Vamos avaliar se a flor realmente atrai a libélula.” Em caso positivo, sementes serão distribuídas à população ainda neste semestre, nos moldes do que ocorreu em Monte Aprazível.
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COMENTÁRIOS
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Jorge Gerônimo Hipólito
postado em
07/03/2010
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A questão cultural está sendo apresentada como um dos principais fatores que dificulta o controle dos criadores do mosquito. Por conseguinte, nos resta solicitar aos que representam os poderes judiciário, executivo e legislativo, para que se reúnam e de forma harmônica possam encontrar solução. Todas as vezes que a fiscalização visitou minha casa, eu acompanhei o pessoal e juntos confirmamos que o mosquito ficará frustrado, uma vez que todos os cuidados vêm sendo tomados para impedir a sua multiplicação. Infelizmente, não ficamos o dia todo dentro de casa, ou seja, nos deslocamos para locais onde o mosquito se faz presente.
Todos sabem que muitas casas residenciais, comerciais, industriais e também terrenos baldios o mosquito fica a vontade. A fiscalização não consegue provocar o efeito educativo. Todos também devem saber que na vida se aprende pelo amor ou pela dor. Nesse caso a fiscalização tem se apresentado com amor, onde tenta orientar e conscientizar as pessoas, mas infelizmente, tem sido em vão. Por isso sugiro aos representantes supra mencionados para que criem norma legal, onde o indivíduo possa ser obrigado a tomar providências necessárias sob pena de multa, ou até prisão. Por que o rigor? Ora, porque se trata de uma situação que pode levar qualquer um a morte. O mosquito voa e pousa e quando pousa não escolhe aquele que não faz prevenção, isto é, ele contamina qualquer um.
O morador que não cuida da sua casa no tocante a prevenção da DENGUE, eu compararia como alguém que tivesse ali armado um fuzil, que pode disparar a qualquer momento tirando a vida de quem não tem nada com isso. O governo não pode ficar passando a mão na cabeça de alguém ignorante e que por força da também ignorante cultura, não consegue, às vezes, nem varrer o quintal de casa.
Considerando a amplitude do efeito da lei, vez que alcança e interfere nos costumes, eu penso que resta às autoridades constituídas envidar esforços no sentido de aplicá-la na defesa da vida. Importante lembrar que quando se contrai DENGUE pela segunda vez, os riscos de morte são bem maiores. Concluindo, os cidadãos e cidadãs, crianças, adolescentes, adultos e idosos se encontram reféns das tomadas de decisões, assim, estejam certos de que o momento é agora, pois, a vida não pode esperar.
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