Projeto inédito desenvolvido pelo Hospital do Olho de Rio Preto (Horp) e Secretaria de Saúde está estudando a incidência de retinopatia em pacientes diabéticos atendidos na rede municipal. A doença é uma complicação no olho que pode levar à cegueira. Cerca de 700 pessoas já foram avaliadas gratuitamente em mutirões realizados nas Unidades Básicas de Saúde do Solo Sagrado, Vetorazzo e Jaguaré, todas na zona norte de Rio Preto. Em 20%, os oftalmologistas detectaram retinopatia.
O coordenador do projeto, o oftalmologista Carlos Eduardo Cury, explica que o problema atinge entre 20 e 30% da população brasileira. “A doença é a principal causa da cegueira entre os 20 e 49 anos”, diz o subespecialista em retina e vítreo. O médico explica que a diabetes afeta a circulação em todo o corpo, inclusive no fundo do olho. A doença se caracteriza por um embaraçamento na visão, mas, na maioria das vezes, é assintomática. “Por isso é muito importante fazer os exames preventivos. O diabético precisa ser acompanhado por vários profissionais, incluindo um oftalmologista.”
Amanhã, um novo mutirão será realizado na UBS do Vetorazzo. Serão atendidos pacientes que participam do grupo de hipertensos e diabéticos, que já tiveram seus exames agendados. Quando alguém é diagnosticado com a alteração, é encaminhado para o hospital Ielar, que mantém convênio com o Horp, ou o Ambulatório Médico de Especialidades (Ame), que funciona no Hospital Geral João Paulo 2º.
A dona de casa Neide Miranda, 68 anos, descobriu em um dos mutirões que tinha a doença. “Não fazia ideia que a diabetes podia prejudicar minha visão.” Ela começou a fazer acompanhamento na Policlínica do Solo Sagrado. O objetivo do projeto é avaliar ao menos mil estudantes, e, a partir dos resultados, nortear campanhas para controlar a doença. Dez médicos que fazem residência em oftalmo pearticipam dos trabalhos. O trabalho será publicado em revista científica.