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São José do Rio Preto, 16 de Novembro, 2010 - 5:12
Técnica usa espiritualidade e ciência para tratar doença

Cecília Dionizio

Uma técnica alternativa que visa a resultados mais eficazes do que aqueles alcançados por alguns procedimentos tradicionais. Assim é apresentada a medicina antroposósfica, que conjuga conhecimentos científicos e espirituais para tratar doenças. “Desde que passei a usar os produtos da linha antroposófica, nunca mais senti qualquer problema, e menos ainda desmotivação. Isso era algo que me consumia”, afirma a profissional liberal Magali Antunes, de 47 anos, que há oito anos aderiu à técnica.

Habilitada para cuidar de problemas em articulações, ossos, contusões, dores musculares, gripes e resfriados, inflamações, estresse até problemas na próstata, a medicina antroposó-fica entende que o ser humano precisa ser compreendido em toda sua complexidade como forma de tratar dos males que o acometem. Embora a técnica já exista há cerca de um século, são poucos os profissionais na área, segundo a Sociedade Antroposó-fica Brasileira, localizada em São Paulo.

Segundo uma especialista no procedimento, a médica Elaine Marasca, que preside a Liga dos Usuários e Amigos da Arte Médica Ampliada (Luaama), os pesquisadores que trabalham com medicina antroposófica visam a qualidade de vida e para tal se valem do conceito da salutogênese - foco na saúde e não na doença - para definir as áreas em que o indivíduo pode se sentir melhor.

Ela explica que não é raro um paciente que se ocupa demais com pensamentos e possibilidades de coisas futuras com pouca ou nenhuma razão ou probabilidade de acontecer desencadearem enxaquecas terríveis, sentirem-se adoentados por conta desta “pré-ocupação”.

“Funciona como se tivesse chamando para a cabeça uma atividade metabólica que deveria estar contida no aparelho digestivo. O lugar do metabolismo neste caso é no estômago e não na cabeça. Na cabeça, não pode haver um fluxo de sangue em excesso e, quando isso acontece, ela acena fortemente com dor, avisando que o metabolismo está ‘desviado’. Com o tratamento antroposófico, o metabolismo é recolocado em seu devido lugar e a restituição dos processos envolvidos vai evitar que os sintomas se repitam”, diz.

Para o neurologista Mario Peres se vale de dados da Sociedade Brasileira de Cefaleia para afirmar que 88% das pessoas com mais de 18 anos sofrem com as incômodas dores de cabeça. Elas, em geral, apresentam características como preocupação em excesso e sofrimento por antecipação. O médico reforça que fora o desconforto físico, a enxaqueca pode impactar negativamente na qualidade de vida de quem sofre do mal. E além deste fator, é frequente que as pessoas tenham diminuída a produtividade no trabalho, por exemplo. O mal-estar costuma provocar um desequilíbrio na vida profissional, familiar e acadêmica de cada um.

Aliada à medicação, é recomendada a prática de exercícios físicos e psicoterapia, que podem “ajudar a pessoa a relaxar e a viver melhor. Além disso, a alimentação correta e a adoção de alguns hábitos simples costumam amenizar o problema”, afirma o neurologista.

Apesar do foco preventivo, a medicina antrosófica também atua junto a pessoas que estejam de fato doentes. Elaine Marasca observa ainda que é muito comum pessoas que sofrem de enxaqueca terem de explicar ao médico antroposófico, além do aspecto clínico, sobre sua vitalidade, biografia, qualidade de vida, entre outros aspectos. “Só com a soma do todo é possível entender a origem da enxaqueca”, diz.

Infância

De acordo com profissionais que atuam nessa área, quanto antes as mães se habituarem a tratar a criança pela medicina antroposófica (que nada mais faz do que ampliar o olhar atualmente dado pela medicina convencional), melhor será para o futuro dela, já que poderá crescer com uma saúde perfeita, a começar pela alimentação.

O segredo de uma alimentação sadia, sob o ponto de vista da antroposofia, não está apenas em ingerir alimentos saudáveis, mas que sejam também frescos, de crescimento harmonioso, banhados pela luz solar, potencialmente portadores de vida. Segundo Elaine, “ao ingerir alimentos puros, o indivíduo está se integrando à natureza e ao cosmos”.

De acordo com a publicação assinada pelo médico, pesquisas americanas demonstram que a romã tem cerca de três vezes mais antioxidantes do que o vinho tinto ou o chá verde. Além disso, é rica em fitoestrógenos, que dão à pele um aspecto saudável e brilhante, além de estimular a produção de colágeno. O consumo destes alimentos pode se dar na forma de suco, desde que inclua também uma parte da casca e da parte branca que recobre as sementes, que contém substâncias ricas para a pele.

De acordo com Elaine, quando a pessoa está doente, a medicina antroposófica vai se valer da origem do desequilíbrio, que pode ser identificada e transformada por meio de uma terapêutica que envolve o uso de medicamentos produzidos com substâncias da natureza - minerais, plantas e até de alguns animais e de fitoterápicos.

Em alguns casos, o uso concomitante de medicamentos alopáticos é indicado. “O médico antroposófico também orienta sobre a alimentação, o estilo de vida e a saúde em geral. A prática médica antroposófica entende o ser humano de forma integral e integrada, em suas diversas estruturas e contextos”, lembra.

Tratamento ‘equilibra’ paciente

Diabetes, obesidade, pressão alta, entre outros problemas de saúde considerados crônicos também podem ser beneficiados pela medicina antroposófica, uma vez que a técnica visa a equilibrar o ser humano como um todo e, a partir deste reequilíbrio, é possível conseguir bons resultados no tratamento de doenças dessa natureza. “Não tem como tratar essas doenças (obesidade, hipertensão, diabetes) sem melhorar os hábitos de vida. Não desprezamos o uso de medicamentos sintéticos (alopáticos) para tratar qualquer doença crônica.

Mas não ficamos só nisso. Tentamos com medicamentos naturais melhorar a qualidade de vida do paciente, melhorar seu sono, sua digestão etc. Nossa visão do ser humano não é ‘quebrada’, não dividimos as pessoas em partes e cuidamos só de uma parte”, explica o médico hematologista Nilo Gardin, da Associação Brasileira de Medicina Antroposófica.

“Por exemplo: se um paciente me procura com rinite alérgica, eu terei de saber qual é sua alimentação habitual, se faz ou não atividade física, se dorme bem, se a rinite se complica com sinusite, se é ansioso, como é no trabalho, e uma série de outras coisas para entender como está seu sistema neurossensorial, rítmico e metabólico-locomotor (veja arte)”, diz o médico.

Isso porque, segundo ele, a constituição da pessoa alérgica aponta para um desequilíbrio na maioria das vezes: o alérgico geralmente tem um neurossensorial hipertrofiado (aumentado) em detrimento de metabólico fraco. Assim, é frequente uma pessoa alérgica apresentar distúrbios digestivos (flatulência, refluxo, má-digestão), além de ter as extremidades frias.

“Ao mesmo tempo, uma criança alérgica geralmente capta o meio externo de modo mais intenso que uma criança não-alérgica, e em consequência disso pode se tornar uma criança excessivamente responsável, preocupada (o que nem sempre é saudável pois aquilo que se desenvolve precocemente atrapalha o desenvolvimento futuro).”

Gardin reforça o exemplo lembrando que o tratamento para rinite não é para o nariz, mas para equilibrar uma constituição desequilibrada. Atividade física melhora todas as alergias (menos um tipo específico de asma induzida por esforço), lembra o médico, porque durante a atividade física a pessoa “sai da sua cabeça” e vai para os membros, se movimenta (o sistema dos membros é o mesmo do sistema metabólico), aliviando assim o neurossensorial sobrecarregado.

Melhorar a digestão também melhora a rinite. Hoje a medicina convencional sabe que os probióticos melhoram a rinite – mas não sabe dizer o porquê. “Para nós é claro: tudo que melhora o sistema digestivo melhora as alergias, porque equilibra essa constituição desequilibrada. Imagine um ser humano. Coloque sobre ele o número 8, onde a bolinha de cima do 8 fica na cabeça (sistema neurossensorial) e a bolinha de baixo na barriga (metabólico-locomotor).

Esse é um ser humano equilibrado. O típico alérgico tem a bolinha de cima muito grande e a de baixo bem pequena. Isso é uma maneira de entendermos esse deslocamento de vitalidade”, explica.

Assim, tudo que faz aumentar a “bolinha de cima” piora a alergia (muita atividade neurossensorial - estresse, preocupações, ansiedade, computador em excesso, pouco sono), e o que faz aumentar a “bolinha de baixo” melhora (atividade física, alimentação adequada, probióticos, alguns alimentos e chás amargos, determinados medicamentos).

Como é um sistema dinâmico, toda vez que a bolinha de baixo aumenta, a de cima diminui e vice-versa. A constituição é uma tendência – nem todos os casos de alergia são assim, mas é a maioria. Exceções existem, por isso o tratamento sempre é individualizado.

Entendendo a medicina antroposófica


Descubra como funciona a medicina antroposófica na explicação do médico Nilo Gardin, da Associação Brasileira de Medicina Antroposófica

:: A medicina antroposófica compreende o ser humano através de seus três grandes sistemas: o sistema neurossensorial (composto pelo sistema nervoso e órgãos do sentido, sediados na cabeça); o sistema metabólico-locomotor (composto pelas vísceras abdominais e os membros); e o sistema rítmico (situado entre os dois, no tórax, composto pelo coração, pulmões e aparelho circulatório).Osistema neurossensorial, ao contrário do metabólico-locomotor, tem como características a pequena capacidade de regeneração (facilmente compreendida quando existe lesão nos neurônios), que evidencia sua baixa vitalidade, além de imobilidade e temperatura mais baixa. Na enxaqueca, por exemplo, o sistema neurossensorial está muito permeável a influências que vêm de fora (estresse, ansiedade, pouco sono) ou “de baixo” – do sistema metabólico (determinados alimentos, dificuldade de digestão, influências do ciclo menstrual). Assim, forma-se no neurossensorialuma pequena área de calor – evidenciada porum processo de vasculite que ocorre na enxaqueca. Como tratamos? Fortalecemos o neurossensorial com medicamentos minerais voltados para isso, e tratamos o agente desencadeante: medidas para aliviar o estresse, para a ansiedade, orientações quanto ao sono, quanto à alimentação, e quando necessário usamos medicamentos vegetais para tratar o sistema digestivo

prática

:: Na prática, a medicina antroposófica é exercida exclusivamente por médicos, devidamente graduados e registrados no CRM, ou seja, ela não é exercida por não-médicos.O paciente passa por umaconsulta, que contém os elementos de uma consulta convencional (queixas, história pregressa, exame físico, exames laboratoriais quando necessário) acrescidos daquilo que é próprio da medicina antroposófica. Valorizamos também: a história de vida do paciente (considerada por fases de 7 em7 anos); suas relações sociais e afetivas – relações de trabalho, familiares, amorosas -, pois consideramos que o aspecto emocional não pode ser separado dos aspectos físicos (numa consulta médica antroposófica sempre perguntamos “como você está emocionalmente?”); e a espiritualidade do paciente - o relacionamento do paciente consigo mesmo, se ele se dedica a alguma prática espiritual, pois compreendemos que não se pode negligenciar o lado espiritual. Se pensarmosemsaúdenum ponto de vista mais amplo, não se trata apenas de ausência de sintomas, mastambém de bem-estar físico, social, emocional e espiritual


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