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Santa Casa
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São José do Rio Preto, 5 de Agosto, 2010 - 2:28
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Paciente complica médicos da Santa Casa
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Thomaz Vita Neto
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Nadim Cury vai pedir ao delegado do 2º DP cópia do inquérito
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Um dos pacientes operados na Santa Casa de Rio Preto confirmou à polícia que os médicos Hélio Gama e Elias Thomé Filho cobraram “por fora” por um equipamento para cirurgia cardíaca oferecido tanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) quanto pelos planos de saúde particulares.
O depoimento complica a situação dos médicos que estão sendo investigados por concussão (extorsão praticada por funcionário público) e estelionato. O paciente, que não teve o nome divulgado, foi ouvido pelo delegado-assistente do 2º Distrito Policial Aparecido Cardoso Medeiros, responsável pelo inquérito.
Anteontem, Medeiros encaminhou ofício intimando outros 12 pacientes atendidos pelos dois cardiologistas. “Devemos começar a ouvi-los na próxima semana”, disse o delegado. Ele também solicitou dados ao Ministério da Saúde e aos planos Iamspe, dos servidores do Estado, Austa e Unimed. Atualmente, o inquérito está no Fórum, com pedido de mais 30 dias para a conclusão das investigações.
Sindicância
Enquanto o inquérito da polícia avança, as investigações na sindicância aberta pela Santa Casa patinam sobre a mesa da direção do hospital. Segundo o provedor do hospital, Nadim Cury, os pacientes atendidos “não quiseram falar”. “Sem esses depoimentos, não conseguimos avançar”, disse. Informado pela reportagem do depoimento do paciente à Polícia Civil confirmando o pagamento, o provedor disse que solicitou ao delegado Medeiros cópia do inquérito.
“Aí teremos documentos em mãos”, afirmou. Em entrevista concedida ao Diário no dia 25 de junho, dois dias antes da publicação da reportagem que revelou a cobrança dos médicos, o provedor afirmou que a conduta de Gama e Thomé Filho era “inadmissível”. “Quem trabalha na Santa Casa tem que trabalhar com o SUS. A lei não permite (a cobrança), e eu não deixo nem a pau. Eu sou contra”, disse Nadim na ocasião.
Bio Pump
O caso foi revelado com exclusividade pelo Diário. De janeiro a junho deste ano, pelo menos 17 pacientes pagaram de R$ 1,8 mil a R$ 5 mil aos dois médicos por um equipamento chamado Bio Pump, usado na circulação do sangue durante a cirurgia cardíaca, ou por válvulas instaladas no coração. O Ministério da Saúde paga R$ 729,56 pelo equipamento. De acordo com a assessoria da pasta, o equipamento consta na lista de procedimentos do SUS.
Gama e Thomé Filho alegavam aos pacientes que nem o SUS nem os planos de saúde cobrem o Bio Pump ou as válvulas, ou então que os equipamentos oferecidos pelo poder público e pelos planos particulares não são bons, e que eles podem conseguir melhores - segundo cardiologista ouvidos pela reportagem, não há diferença entre o equipamento fornecido pelo SUS e o de empresas privadas.
Desde que o caso veio à tona, Gama e Thomé Filho se recusam a comentar o caso. Ontem, o Diário tentou ouvi-los na clínica do primeiro e no celular do segundo. Foram deixados recados para os dois médicos, que não retornaram até as 19h. Segundo a secretária de Gama, ele está em viagem.
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