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São José do Rio Preto, 12 de Novembro, 2009 - 2:31
Sem gerador, unidade transfere pacientes

Michelle Berti, Allan de Abreu e Hélton Souza

Ferdinando Ramos
Fachada de hospital durante a falta de energia em Rio Preto: pronto-socorro transfere pacientes ao HB e vacinas estragam
A falta de energia elétrica, anteontem, provocou a transferência de três pacientes do Pronto-Socorro Central de Rio Preto, na Vila Ercília, zona leste da cidade, para o Hospital de Base. A unidade de saúde, assim como as outras quatro policlínicas do município que funcionam 24h, não têm gerador. Os demais pacientes foram atendidos com auxílio da luz de emergência e lanternas. O blecaute ainda fez com que 580 doses de vacina estragassem.

Segundo o coordenador do atendimento de urgência e emergência da Secretaria de Saúde de Rio Preto, André Luciano Baitelo, alguns pacientes que aguradavam por atendimento preferiram ir embora. “Ninguém ficou sem ser atendido. Os casos mais delicados foram transferidos, e os demais socorridos”, diz. Ele não soube precisar o número de atendimentos nas cinco unidades.

“O movimento foi baixo, pois a procura é pequena durante a noite.” Além do PS Central, na Vila Ercília, atendimentos de emergência ocorrem nas Policlínicas da Vila Toninho, na zona leste, Jaguaré, Solo Sagrado e Santo Antônio (todas na zona norte).

O apagão também estragou 95 frascos de vacina que estavam armazenados em um refrigerador da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Eldorado, zona norte de Rio Preto. A quantia era suficiente para gerar 580 doses de vacina. Os imunizantes contra febre amarela, antirrábica, rotavírus, tríplice viral, poliomielite, tetravalente, BCG, hepatite B e dupla adulta foram descartados e devem ser repostos.

A coordenadora do setor de imunização da Secretaria de Saúde, Michela Dias Barcelos, afirmou que o estrago só não foi maior porque a equipe se mobilizou durante a madrugada. “Fomos até o almoxarifado, onde fica uma câmara fria com nosso estoque de vacinas. Há um gerador que precisa ser abastecido. A equipe ficou lá até as 2h, monitorando a temperatura.”

Hospitais

A falta de energia não atrapalhou os hospitais de Rio Preto, equipados com geradores. “Tudo ocorreu normalmente. Alguns médicos nem perceberam o apagão”, afirma o superintendente do Hospital de Base, Paulo Ricardo Goes. A instituição conta com quatro geradores. Foram consumidos cerca de 600 litros de diesel durante as quase três horas de blecaute. “Ainda tínhamos uma reserva de 400 litros.”

Na Santa Casa, o provedor Nadim Cury comprou 50 litros de óleo durante a madrugada por precaução. “Não sabíamos que hora a energia poderia voltar e não queríamos correr riscos. No entanto, a quantia foi suficiente e tudo correu bem.” O gerador abasteceu a Unidade de Terapia Intensiva, Centro Cirúgico e berçário. Os outros locais foram iluminados com luzes de emergência. O mesmo aconteceu com o hospital Austa.

Na região, apenas a Santa Casa de Jales registrou problemas. Em Votuporanga, Fernandópolis, Nova Granada e José Bonifácio os geradores foram acionados e não houve prejuízos.

Guilherme Baffi
Paulo Ricardo Goes com gerador: consumo de 600 litros de diesel
Apagão agiliza cirurgia

A falta de energia elétrica causou transtornos na Santa Casa de Jales. Na UTI neonatal, dois bebês internados ficaram sem o aparelho respirador. Mesmo assim, segundo o provedor do hospital, José Devanir Rodrigues, os recém-nascidos não foram prejudicados. “Apesar de estarem na UTI, não tinham a saúde muito comprometida, e não houve prejuízo ao estado clínico”, disse.

No centro cirúrgico, o blecaute veio quando os médicos estavam no fim de uma cirurgia no abdome de uma vítima de acidente de trânsito. A equipe médica precisou concluir o procedimento com a iluminação precária de um gerador antigo. Outro aparelho de geração de energia foi instalado na UTI geral, para manter o sistema de respiração artificial de dois pacientes adultos.

Os corredores da Santa Casa ficaram na escuridão, e o farol de uma ambulância serviu para iluminar a recepção do hospital. “Foi muita correria. Ainda bem que não houve prejuízo à saúde de nenhum paciente”, disse Rodrigues.

Na Santa Casa de Fernandópolis, dois geradores com capacidade de 800 kw/h foram acionados para compensar o apagão, e nenhum serviço prestado no hospital foi afetado, conforme a assessoria de imprensa. Mesmo assim, a equipe de manutenção ficou de plantão durante toda a madrugada. Geradores também impediram transtornos nas Santas Casas de Votuporanga, Monte Aprazível, Nova Granada e Potirendaba.

Catanduva fecha UBSs

Com o blecaute, a Secretaria de Saúde de Catanduva foi obrigada a suspender o atendimento nas duas UBSs que atendem 24 horas na cidade: o Postão no Centro e a unidade do bairro Solo Sagrado. Pacientes em estado grave foram levados até o Hospital Padre Albino, onde geradores garantiram o fornecimento de energia elétrica.

Enquanto isso, uma equipe da secretaria percorreu todas as unidades básicas de saúde para recolher as vacinas estocadas nas geladeiras. De acordo com a assessoria da prefeitura local, nenhuma vacina estragou devido à falta de energia.

Durante o apagão, o serviço 192, do Samu, ficou inoperante. Segundo José Luís Cardassi, engenheiro da Companhia Nacional de Energia Elétrica (CNEE), concessionária de energia na microrregião de Catanduva, a energia começou a ser restabelecida na cidade por volta da meia-noite - em Mendonça e Nova Aliança o fornecimento foi totalmente restabelecido às 23h45.

Mirassol

No Pronto-Socorro de Mirassol, quatro pacientes tiveram de esperar o fim do apagão, no início da madrugada de ontem, para ser atendidos. Segundo a assessoria do Hospital de Base (HB) de Rio Preto, que administra o local, nenhum paciente necessitava de atendimento de urgência.

 
     
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