Noticias Saúde - Problemas periodontais e estresse podem causar o "mau hálito"- Diarioweb
Saúde
 
Combate à halitose
São José do Rio Preto, 7 de Setembro, 2012 - 13:16
Problemas periodontais e estresse podem causar o "mau hálito"

Cecília Dionizio

www.sxc.hu/Divulgação
Odor bucal desagradável pode estar associado a doenças respiratórias

Muitas vezes, a timidez da criança na escola, ao contrário do que possam pensar os pais, está associada à presença de mau hálito. Esta foi a constatação de um estudo sob o título “Association between halitosis and mouth breathing in children” publicado, em 2011, na revista científica Clinics, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Fmusp), que pesquisou 55 crianças e adolescentes - entre 3 e 14 anos -, divididos em dois grupos: respiradores bucais e nasais.

Segundo as pesquisadoras Lara Motta, Joanna Bachiega, Carolina Guedes, Lorena Laranja e Sandra Bussadori, 40% deles eram respiradores bucais e 63% dessas crianças apresentaram mau hálito - o que demonstra haver uma relação estatística significativa entre a respiração bucal e o mau hálito.

O estudo constatou ainda que a halitose era mais forte pela manhã, causada pela respiração bucal durante a noite. Para as dentistas que realizaram o estudo, a evaporação da água na saliva entre os respiradores bucais poderia explicar a halitose encontrada.

Para o dentista Luciano Corrêa de Paiva, membro da Associação Brasileira de Halitose (ABH), o mau hálito é um processo decorrente da ação de mais de 800 espécies de bactérias em nossa boca. “Mas o mau hálito não é uma doença, é um sintoma de que alguma coisa no organismo não está correta e precisa de solução”, afirma.

De acordo com a ABH, que realiza nos próximos dias 14 e 15 deste mês, o 1º Congresso Brasileiro de Halitose, em Fortaleza, é possível classificar halitose - ou mau hálito - como sendo o odor desagradável emitido pela boca. Em 90% dos casos, esse odor desagradável é resultado do acúmulo de resíduos de alimentos na língua (chamado de saburra), que, não removidos corretamente, fermentam, criam bactérias e liberam o enxofre. E é o enxofre que causa o cheiro ruim exalado.

E para provar que não é só adulto que pode desenvolver esse problema, a odontopediatra Ana Rosa Kuymjian Albieri, de Rio Preto, acaba de adquirir um aparelho para identificar o mal que costuma aparecer com certa frequência em seu consultório. “As causas mais comuns estão associadas a doenças ligadas ao trato respiratório, como sinusite, infecção de garganta com febre e placas de pus, entre outras. Mas para auxiliar a identificar o problema real tenho usado o aparelho Breath Checker, que ajuda a identificar o grau do mau hálito”, diz.

Somatória de causas

Hoje, quase 58 milhões de brasileiros sofrem com mau hálito. Além de ser um problema odontológico, afeta também o emocional das pessoas, levando ao isolamento social e à discriminação. A dentista rio-pretense diz que o mau hálito é o primeiro sinal de que algo não vai bem com o organismo.

“Quando existe este sintoma, significa que pode haver um desequilíbrio, que deve ser identificado e tratado, o qual pode ser decorrente de problemas dentários, sobretudo infecções da gengiva ou cáries extensas, má higiene bucal, problemas otorrinolaringológicos como amigdalite, sinusite, rinite, entre outros”, diz.

Além disto, é possível ainda que, ao ingerir determinados alimentos como regularidade, a criança também desenvolva o mau hálito. Nestes casos, além de dietas inadequadas, a criança pode estar ingerindo alho e cebola, cujo odor é eliminado pela respiração.

A dentista lembra também que pode haver a presença de alguma doença sistêmica cujas consequências podem estar associadas ao mau hálito, a saber: hepatite crônica, diabetes, problemas do sistema respiratório e digestivo e abscessos pulmonares.

O aparelho é passível de medir compostos sulfurados voláteis. “Para realizar a medição é preciso que se faça jejum de duas horas e esteja a este mesmo tempo sem escovar os dentes para que o cheiro da pasta não interfira no exame. Com ele é possível diagnosticar e quantificar o mau hálito, o que irá facilitar o tratamento e suas causas”, afirma.

A dentista observa que, além dos fatores acima, o estresse, atrelado a uma higiene deficiente (principalmente a falta de escovação da língua), também pode levar à presença de mau hálito na criança. E um outro problema muito comum é o chamado caseum (placas que se formam atrás das amígdalas com restos de alimentos), e que alguns pais confundem com placas de pus.

Ana Rosa explica que a amígdala é irregular e contém pequenos espaços, que são chamados de criptas. “Esses espaços podem ser preenchidos com uma massinha branca (caseum, que significa “queijo”) que forma bolinhas com odor fétido. Esse caseum é resultado de acúmulo de células mortas e outros componentes sequestrados da alimentação. Além do mau hálito, o caseum produz uma irritação na amígdala e pode facilitar uma infecção”, diz.

O dentista Aonio Vieira, autor do recém-lançado livro “Sorrir faz Bem” (ed. Novo Século), que alerta sobre a responsabilidade que cada um deve que ter com a própria boca, observa que desde muito cedo as crianças devem ser orientadas pelos pais a cuidarem da escovação. “O livro tem por objetivo conscientizar as pessoas sobre isto. Afinal, a escovação é muito saudável, uma vez que a boca é a maior cavidade do corpo em contato com o mundo exterior e, por suas características e funções, pode ser um ninho de bactérias”, diz.

Ajuda da odontologia

Acompanhe abaixo algumas informações adicionais prestadas pela odontopediatra Ana Rosa Kuymjian Albieri, de Rio Preto.


Diário da Região - Quando é interessante fazer uso do aparelho que mede o mau hálito?
Ana Rosa Kuymjian Albieri - Sempre que o paciente apresentar o mau hálito podemos usar o Breath Checker. Muitas vezes, a criança não tem noção que está com mau hálito. Quando usamos o aparelho e mostramos a ela o resultado, fica bem mais fácil conscientizá-la, facilitando o tratamento.

Diário - Uma vez identificado o problema, o que é preciso fazer?
Ana Rosa - Precisamos descobrir a causa para o tratamento adequado.

Diário - Como você orienta o tratamento?
Ana Rosa - O tratamento dependerá da causa. Às vezes, precisamos de outros profissionais, como, por exemplo, de um otorrinolaringologista. Se estiver relacionado a problemas odontológicos, como cáries extensas ou gengivites, temos de tratar. Em alguns casos é apenas falta de orientação para uma boa higiene bucal. A partir do momento que a criança passa a escovar a língua, usa o fio dental e faz uma escovação eficiente, o mau hálito desaparece.

Diário - Como é possível que a criança tenha hábitos saudáveis desde cedo, em termos de saúde bucal?
Ana Rosa - Para que a criança tenha hábitos saudáveis em relação a saúde bucal é preciso que os pais tenham a conscientização da importância da saúde bucal. Com isso, os pais procurarão orientação com profissional especializado para conseguirem ajudar seus filhos a crescerem sem cáries. Para uma criança ter saúde bucal satisfatória, há a necessidade do trabalho conjunto: dentista-pais.

Guilherme Baffi
A dentista Ana Rosa Kuymjian já usa em seu consultório o aparelho Breath Checker
Chá verde X mau hálito


Hoje, a busca para encontrar uma solução contra o mau hálito é intensa e não faltam pesquisadores na corrida por uma solução. O chá verde entrou na lista dos itens mais cotados para alcançar o intento. Segundo estudiosos da Universidade Indepedente Pace, dos Estados Unidos, a presença de polifenóis na bebida ajuda a combater as bactérias que causam o mau hálito.

Quem realizou o estudo foi o microbiologista americano Milton Schiffenbauer, que constatou a destruição de vírus e bactérias que causam infecções na garganta, problemas dentários e mau hálito por conta do período em que acompanhou pessoas em grupos que faziam uso contínuo da bebida, comparando-as com pessoas que consumiam bebidas inócuas.

E conferiu, entre as que tomavam chá, a ausência de qualquer mau cheiro. Segundo o pesquisador, o próximo passo deve ser a adição do chá verde em dentríficios e enxaguadores bucais. Outro estudo, realizado pelos pesquisadores da Universidade de Illinois, também chegou à mesma conclusão. Os estudiosos observaram que os polifenóis reduzem o ritmo de desenvolvimento das bactérias responsáveis pelo mau hálito.

Evidente que o bom resultado de hálito agradável sempre será fruto da somatória de boa higiene bucal atrelado a outras formas de proteção à saúde bucal, tais como uso de fio dental, escovação e manutenção de limpeza sempre que se alimentar.

Inflamação como agente

Segundo o periodontista Eduardo Saba-Chujfi, autor do livro “Cirurgias Plásticas Periodontais e Periimplantares” (ed. Santos), coordenador de pós-graduação em periodontia da São Leopoldo Mandic, de Campinas, outro problema que leva a presença de halitose, em especial em adultos, é a doença periodontal. Esta é uma inflamação no periodonto, ou seja, no tecido que reveste e suporta os dentes e se desenvolve em pessoas que apresentam falhas no organismo.

Daí a importância de vítimas de doenças renais buscarem tratamentos periodontais, pois é muito comum o aparecimento de ulcerações, lesões, hemorragia gengival e, por conseguinte, a halitose. “A perda óssea é patente em pacientes com insuficiência renal, o que torna possível fraturas, por exemplo, em cirurgias de implantes”, afirma.





Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital

 
     
16 de Agosto, 2012
Sangramentos fora de hora merecem atenção
 
18 de Abril, 2012
Exame de ferritina calcula os níveis de ferro
 
23 de Abril, 2013
Asa Branca tem alta após 71 dias
 
6 de Julho, 2011
Universitária morre ao doar medula óssea
 
8 de Maio, 2012
Sangramento menstrual excessivo pode ser tratado
 
 
› 31/07 Bebê que fez cirurgia inédita vai para quarto
› 31/07 Crise do Ielar estica fila de espera de obesos
› 31/07 Médico é condenado ao cobrar por cirurgia custeada pelo SUS
› 31/07 Terapia craniossacral combate as dores pelo corpo
› 30/07 Médica falta e deixa idosa cinco meses na fila
› 30/07 Mochilas pesadas provocam problemas de coluna
Leia mais sobre Saúde
 
DiarioLeaks
Revista Vida e Arte
Negócios em Pauta
Locall
Imóveis
(17) 3355-1090
Condominium
Imóveis
(17) 4009-3333
 
 
Bemac
Máquinas de costura
(17) 3234-3687
Home | Institucional | Economia | Cidades | Geral | Esportes | Saúde | Política | Estradas | Tecnologia | Educação | Meio Ambiente | Sirva-se | Olá | Diário na Copa | Opinião | Opinião do leitor | Artigos | Editorial | Classificados | Divirta-se | Atendimento | Promoções | Fotojornalismo | Vídeos | PodCasts | Blogs | RSS | Jornal na Educação
Diarioweb® Todos os direitos reservados // Atendimento Design e desenvolvimento MagicSite