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São José do Rio Preto, 3 de Junho, 2010 - 1:50
Dengue bate recorde histórico em Rio Preto

Bruno Xavier

Guilherme Baffi
A doméstica Andréia da Silva, que teve sintomas da dengue mas não sabe ainda se contraiu a doença
Rio Preto vive a maior epidemia de dengue de sua história. A Secretaria Municipal de Saúde confirmou ontem mais 1.443 novos casos. Com a atualização, sobe para 14.138 o número total de pessoas infectadas pelo Aedes aegypti desde janeiro. Em 2006, que detinha até então o recorde contaminados, foram 12.945 casos. Neste ano, a doença já matou dez pessoas.

A “explosão” do número de ocorrências já era prevista pelo secretário municipal de Saúde, José Victor Maniglia, desde fevereiro. Em entrevista ao Diário, ele afirmou que, se o combate não fosse eficaz, a cidade chegaria ao mês de abril com 20 mil casos.

Para o coordenador da Vigilância Epidemiológica, Luciano Garcia Lourenção, o crescimento do número de doentes se deve a dois principais motivos: o aumento das chuvas nos três primeiros meses do ano e o ressurgimento do vírus tipo 1 da doença, que não era registrado desde o final da década de 90, segundo o coordenador.

“A combinação de chuvas fortes seguidas de calor foi favorável à proliferação do mosquito. A situação deste ano foi mais crítica não só em Rio Preto, mas em várias grandes cidades do Brasil. E o vírus 1 deixou a população ainda mais desprotegida”, diz Lourenção.

A Vigilância Epidemiológica não pretende adotar novas medidas de combate à dengue no segundo semestre. “As ações estão sendo realizadas em várias frentes. Podemos intensificá-las, mas a expectativa é que o registro de casos diminua a partir de julho, devido ao tempo seco”, diz o coordenador.

Guilherme Baffi
O comerciante Lázaro Ferreira: diagnóstico rápido da moléstia


Antigos

Segundo a secretaria, mais da metade dos casos divulgados ontem são de pacientes que apresentaram os sintomas há mais de dois meses e não haviam feito exame laboratorial. Assim, eles são considerados positivos por critérios clínicos, pois a pasta é obrigada a concluir cada caso dentro de 60 dias.

Outros 3.326 casos suspeitos são investigados. Para tentar convencer os pacientes que não realizaram o exame laboratorial a retornar às Unidades Básicas de Saúde (UBSs), a secretaria deverá enviar cartas, a partir da próxima semana, fazendo uma convocação ao morador que foi contaminado.

Agilidade

Na semana passada, a secretaria começou a realizar os exames rápidos para diagnosticar a dengue (NS1). A análise foi retomada devido à dificuldade de diferenciar os diagnósticos de dengue, gripe suína e gripe sazonal, que resultou na morte de quatro pacientes em maio.

O exame rápido permitiu que o comerciante Lázaro Divino Nelson Ferreira, 53 anos, descobrisse que estava com a doença um dia após apresentar os primeiros sintomas. “Foi bom porque já comecei a tomar os remédios certos”, diz.

Ferreira, que mora e trabalha no bairro Eldorado, diz que ficou dois dias sem conseguir abrir seu bar. “Fiquei muito ruim. O corpo doía muito e a cabeça parecia que iria explodir”, afirma. Já a doméstica Andréia da Silva, 34, teve os sintomas há 14 dias e ainda não soube o resultado do exame de sorologia. “Cheguei a tomar antialérgico, porque não sabia o que tinha. Se tivesse a certeza de que era dengue, seria muito melhor.”



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Artigo

Mais trabalho e menos discurso

Mesmo com todas as tentativas oficiais de escamotear números da doença, não teve jeito: Rio Preto bateu o recorde de pessoas atingidas pela dengue neste ano. O resultado é péssimo para a administração do médico e prefeito Valdomiro Lopes (PSB).

Em 2009, primeiro ano do atual governo, a Secretaria Municipal de Saúde deveria ter pegado duro no combate contra o mosquito Aedes aegypti. Como não fez sua obrigação a contento, o resultado foi o desastre agora verificado. O mais triste, além dos mais de 14 mil doentes, foi o saldo de dez pessoas mortas.

Justiça seja feita: não foi só a gestão Valdomiro que falhou na luta contra os pernilongos. Em todo o País houve falhas, conforme apontou o Ministério da Saúde. Foi torrado R$ 1 bilhão em verba federal no combate à dengue em 2008/2009, mas o descaso dos municípios impediu que o objetivo de controlar a moléstia fosse alcançado.

Não adianta agora apenas lamentar a situação. Mas adotar estratégias ousadas para evitar que 2011 seja um repeteco do que vem se verificando neste ano. Como? Além das campanhas de praxe contra o mosquito transmissor, é preciso passar do discurso à prática as medidas duras tantas vezes anunciadas contra moradores que não fazem sua parte.

Há sujeira demais nas ruas, terrenos particulares e públicos. Muitas vezes esse lixo é material que serve de criadouro de pernilongos. Arrastões somente não resolvem. É preciso punir quem coloca a saúde de terceiros em risco. E é aí justamente que reside a dúvida. Administradores públicos, como se sabe, são avessos a adotar medidas impopulares, que doam no bolso de potenciais eleitores. Mas não há outra alternativa: ou Valdomiro pega pesado ou o Aedes aegypti vai permanecer leve e solto atazanando a vida dos rio-pretenses.

José Bonato

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