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Abuso
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São José do Rio Preto, 1 de Novembro, 2009 - 3:18
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Gabinetes viram escritórios particulares
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Rodrigo Lima e Rita Fernandjes
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Guilherme Baffi
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Assessor Dirceu Félix mostra salão de Gerson Furquim a suposta cliente, em horário de expediente
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Os vereadores Gerson Furquim (PP) e Maurin Alves Ribeiro (PC do B) transformam seus gabinetes na Câmara de Rio Preto - custeados com dinheiro público - em escritórios particulares para locação de salão de festa e brinquedos infantis, respectivamente. Além do espaço físico, que fica em bem público, os parlamentares abusam do telefone e do tempo de serviço dos assessores de gabinete, que são pagos exclusivamente para ajudar no trabalho legislativo das 8 horas às 18 horas.
Furquim, que é ex-presidente do Legislativo, colocou o agenciamento de seu imóvel no bairro Duas Vendas, para locação de festas, nas mãos de seus assessores políticos Marta e Dirceu, e do seu chefe de gabinete, Devanir. Na última semana, a reportagem do Diário - identificada como Mônica - negociou o aluguel do salão supostamente para o mês de março de 2010, pelo valor de R$ 200. “(O salão) é dele mesmo (Furquim). Já tem dois anos que ele tem”, disse Devanir em conversa telefônica. “Ah, já tem dois anos que ele aluga? E sempre foi a Marta que cuidou?”, questionou a reportagem. “Sempre.
Sempre foi ela. Ela passou por uma cirurgia, então a gente - eu e o Dirceu - que olhava lá, mas quando ela voltou, ela tornou a assumir de novo”, acrescentou. De dentro do gabinete, os assessores também informam todos os detalhes sobre o imóvel. “O salão comporta aí cerca de 350 a 400 pessoas. Tem cadeiras, mesas... é... freezer, geladeira, balcão, churrasqueira. Tem banheiro separado de homem e mulher. Cozinha na área externa. Tem ventiladores todos nas paredes”, explica Devanir em gravação telefônica.
Em outra gravação, Marta orienta “Mônica” a passar no gabinete para pegar as chaves do imóvel. A reportagem questiona: “Pode passar aí? Não tem problema?” E Marta responde: “Não, não tem.” E completa: “Então, amanhã você pode passar aqui que eu vou com você até lá.” Após a negociação por telefone, o assessor Dirceu Félix foi até o local apresentar o salão para “Mônica”. O encontro aconteceu no último dia 29, por volta das 10 horas e teve cerca de 40 minutos de duração. De acordo com os próprios assessores de Furquim, a agenda está lotada de eventos até o final deste ano e o início de 2010. Todos os finais de semana de março - mês de suposto interesse pela reportagem - estão lotados. A única data disponível seria dia de semana.
Apesar da procura acirrada, não há qualquer divulgação de telefone no salão. Na vizinhança, a orientação aos interessados em locar o espaço é procurar os assessores do gabinete de Furquim, na Câmara. “Nós estamos falando com o vereador se ele quer que pinte uma placa, com telefone, mas ele não quer porque em época de campanha o pessoal fica em cima”, comentou Dirceu. No gabinete, além de negociar a locação do imóvel, os assessores indicam profissionais especializados em eventos. “O senhor Devanir indica várias pessoas, fotógrafo, buffett, as pessoas que fazem os arranjos. Então, isso aí nós estamos indicando as pessoas”, afirmou Dirceu.
O assessor, que foi até o local em seu carro particular, permaneceu no salão após a negociação para instalar dois extintores, que ele trouxe dentro do porta-malas. Além disso, ele também disse à reportagem que iria aguardar a faxineira, responsável pela limpeza do espaço. A fiscalização do trabalho de rua dos assessores cabe aos próprios 17 vereadores, conforme recomendação do Ministério Público após a descoberta de um funcionário fantasma no gabinete do vereador Oscarzinho Pimentel (PPS). Em todos os gabinetes, a Diretoria Geral da Casa entregou um livro para que os parlamentares possam registrar e controlar as atividades externas de seus funcionários.
Negou
Furquim negou que utiliza a estrutura da Câmara para negociar o aluguel do salão. Ao ser informado sobre as gravações e a ida de Felix até o local, o parlamentar disse não ter nenhuma relação com a possível irregularidade. “Se fez foi contra a minha ordem”, afirmou. Segundo o vereador, o assessor será punido se, de fato, esteve no local durante o horário de expediente. “Pode fotografar e fazer o que você quiser. Se o cara (assessor) fez algo contrário ao que a lei determina, ele que pague do bolso dele”, afirmou. “Se ele fez isso, ele tem de pagar. Ele não tem autorização para isso.”
Félix admitiu que esteve no salão durante o expediente. No entanto, tentou justificar que só foi até o imóvel porque já estava na rua para resolver um problema de saúde na família. “Se sei que estava sendo enganado, não iria”, afirmou. O Diário também tentou alugar o salão do vereador Marco Rillo (PT) por intermédio do seu gabinete no Legislativo. A reportagem, no entanto, foi orientada a procurar os responsáveis em outro número de telefone.
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‘Para agendar é aqui comigo’, diz assessora
O vereador Maurin Alves Ribeiro (PC do B) inclui na rotina de serviços da sua assessoria de gabinete o agendamento de locação de brinquedos infantis, entre eles cama-elástica e tobagã - utilizados em festas. Em negociação feita em ligação gravada, a assessora Genoveva diz ser a responsável pelo aluguel dos equipamentos, que custam R$ 30 o período de quatro horas, com um monitor cada. Com a agenda em mãos, Genoveva analisa a disponibilidade dos brinquedos e indica os dias que ainda restam livres. Além disso, informa que as locações para 2010 apenas serão agendadas depois de 20 de dezembro. “Isso (pagamento) é na hora. Você paga para a pessoa lá. Para agendar é aqui comigo, mas pagamento é direto lá com o moço que fica tomando conta. Agendar, eu agendo aqui para você”, disse.
Maurin admitiu a irregularidade e pediu desculpas pela falha. “Todo mundo sabe disso na Câmara. Todos os vereadores sabem”, afirmou o comunista. “Peço desculpas e a partir da próxima semana isso não acontecerá mais no meu gabinete”, afirmou. Embora a assessora tenha consultado a agenda e explicado sobre as condições de locação, Maurin negou que alugasse o material. Segundo ele, seria “empréstimo” dos brinquedos, e o pagamento seria para a disponibilização de monitores. Ele confirmou que os seus maiores “clientes” são escolas espalhadas pela cidade. “As pessoas ligam para mim e a minha agenda fica com ela (assessora)”, disse.
De acordo com Genoveva para o mês de dezembro os brinquedos estão disponíveis para os dias 14 e 15. A funcionária do parlamentar não recebe dinheiro na Casa. A transformação de salas da Câmara em escritórios particulares também já foi motivo de investigação do vereador Sebastião Santos (PRB). As assessoras do parlamentar foram flagradas pela reportagem ao usar veículos do Legislativo para distribuir jornais de propaganda polícia.
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COMENTÁRIOS
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luiz sergio raposo
postado em
02/11/2009
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Existe uma tênue linha que separa o homem público do privado e se ele tem duas "facetas" ele fica mais sujeito a ser imprudente,menos claro em suas atitudes, assim ele erra.Se ele é um só na sua personalidade, um homem reto, ele é sempre o mesmo em qualquer lugar.
Vida privada, bem privada mesmo, culpa de quem votou nele.Ele é isso ai, as circuntâncias não fazem o homem, ela apenas mostra que ele é sempre.
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